E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Justiça expulsa família de condomínio e proíbe moradores de viver no próprio imóvel

A família foi expulsa do condomínio e está proibida de morar no próprio imóvel.
Compartilhe:
Condomínio Família Justiça
A família foi expulsa do condomínio e está proibida de morar no próprio imóvel. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Uma decisão da Justiça determinou que pai e filho deixem de morar e até de frequentar um condomínio residencial após anos de conflitos envolvendo vizinhos e funcionários. A medida estabelece prazo de 30 dias para a saída e permite o uso de força policial caso a ordem não seja cumprida.

Os moradores atingidos pela decisão são Vinícius de Oliveira Scucato, de 51 anos, e João Vitor Mendes Scucato, de 21. Eles vivem no Condomínio Solar de Brasília, localizado no Jardim Botânico, no Distrito Federal.

O residencial também ganhou projeção nacional por ser onde mora o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar no local.

A sentença, proferida na segunda-feira (31), descreve um histórico de mais de dez anos de problemas atribuídos aos dois moradores. Entre as situações analisadas estão acusações de agressões, ameaças, conflitos com trabalhadores, maus-tratos contra animais e manutenção de atividades consideradas irregulares dentro do condomínio.

Justiça determina saída de família do condomínio

Antes de recorrer à Justiça para impedir a permanência dos dois no residencial, o condomínio aplicou diferentes punições administrativas.

Segundo os autos, as multas chegaram ao limite equivalente a dez vezes o valor da taxa condominial mensal. Mesmo assim, a administração sustentou no processo que as medidas não conseguiram encerrar os conflitos.

Diante da continuidade dos episódios, a assembleia do condomínio ingressou com uma ação na esfera cível. Ao analisar o conjunto de ocorrências apresentado, a Justiça concluiu que a convivência havia se tornado incompatível com a vida coletiva no residencial.

Com a sentença, Vinícius e João Vitor perderam o direito de morar e frequentar o condomínio. A decisão, porém, não retira deles a posse do imóvel, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Caso permaneçam no residencial após o prazo estabelecido, a retirada poderá ocorrer com apoio policial. O descumprimento também poderá resultar em multa diária de R$ 2 mil.

Sentença cita agressões e conflitos com vizinhos

Entre os episódios apresentados no processo está uma agressão ocorrida em 2015. Conforme descrito na ação, Vinícius teria usado um facão durante um desentendimento com um vizinho. A vítima teria colocado a mão na frente do rosto para se proteger e sofrido ferimentos. Posteriormente, ainda teria sido atingida com um rodo de madeira.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Outro caso aconteceu em 2020 e envolveu um carteiro. Segundo o processo, João Vitor teria lançado uma pedra e um bloco de concreto contra o trabalhador enquanto ele estava em uma motocicleta.

O carteiro também relatou que um cachorro teria sido solto em sua direção e afirmou ter recebido ofensas verbais durante outras entregas no endereço.

Um dos episódios mais graves apresentados à Justiça ocorreu em 2024. Segundo os relatos reunidos no processo, pai e filho se envolveram em uma briga com um vizinho no meio da rua.

João Vitor teria imobilizado o homem com um golpe conhecido como “mata-leão”, enquanto Vinícius teria usado uma corrente de ferro durante a confusão. A intervenção de um policial militar encerrou o confronto.

Em manifestação posterior, Vinícius reconheceu que houve a briga, mas apresentou outra versão. Ele afirmou que teria reagido depois que o homem agrediu seu filho e alegou que a família sofre perseguição dentro do condomínio.

Processo também relata tentativa de atropelamento

Ainda em 2024, outro episódio envolveu um funcionário do residencial.

De acordo com o material apresentado no processo, Vinícius teria avançado com um veículo na direção de um supervisor do condomínio e passado sobre cones instalados no local. Para evitar ser atingido, o trabalhador teria precisado sair rapidamente da trajetória do automóvel.

Já em 2025, um vizinho afirmou que Vinícius subia no muro da própria residência para gravar imagens e discutir com integrantes de uma família que morava nas proximidades.

O mesmo morador relatou à Justiça um suposto comentário de conteúdo sexual dirigido à filha adolescente.

Vinícius nega a acusação de assédio e afirma que contesta judicialmente a versão apresentada pela família.

Cães foram encontrados em imóvel no condomínio

A relação conturbada entre o morador e o condomínio, segundo o processo, começou muito antes dos episódios mais recentes.

A sentença também recupera situações envolvendo animais e atividades realizadas dentro das residências.

Entre os principais fatos apresentados no processo estão:

Veículos e peças: desde 2010, segundo o condomínio, imóveis vinculados a Vinícius acumulavam carros sucateados, carcaças, componentes automotivos e outros materiais. A administração classificou a atividade como uma espécie de ferro-velho irregular.

Animais: em 2015, uma operação encontrou 81 cães que, conforme as acusações apresentadas no processo, estavam desnutridos ou doentes. Também houve questionamentos sobre criação de aves no residencial.

Agressão de 2015: um vizinho afirmou que Vinícius o feriu durante uma discussão com um facão e, depois, com um objeto de madeira.

Caso do carteiro: em 2020, um trabalhador dos Correios afirmou que João Vitor lançou objetos contra ele durante uma entrega.

Briga com corrente: em 2024, pai e filho se envolveram em uma agressão contra um vizinho. A defesa apresenta versão diferente sobre o início do confronto.

Funcionário do condomínio: também em 2024, um supervisor afirmou que precisou desviar de um veículo que avançou em sua direção.

Acusação envolvendo adolescente: em 2025, um morador relatou um comentário de teor sexual dirigido à filha. Vinícius nega a acusação.

Novo conflito com a administração: já em 2026, mesmo após uma determinação judicial anterior, Vinícius teria comparecido à sede administrativa para fazer gravações e discutir com funcionários.

Defesa nega ferro-velho e maus-tratos no condomínio

A defesa de Vinícius e João Vitor contesta diferentes pontos apresentados no processo.

Sobre os veículos existentes nas propriedades, a defesa afirma que não havia um ferro-velho ou uma oficina clandestina. Segundo a versão apresentada, os automóveis fariam parte de uma coleção particular mantida ao longo dos anos.

Os advogados também negam a exploração de um canil clandestino e contestam as acusações de maus-tratos contra animais.

Em relação à acusação envolvendo a adolescente, Vinícius nega ter praticado assédio sexual e sustenta que não existe reconhecimento judicial definitivo de crime sexual.

A defesa também afirma que pai e filho possuem versões diferentes sobre vários episódios relatados pelos vizinhos e utilizados na ação.

Família pode ser retirada pela polícia do condomínio

Apesar das contestações, a sentença cível determinou o afastamento dos dois moradores.

Eles terão 30 dias para cumprir a ordem e deixar de morar ou frequentar o Condomínio Solar de Brasília. A propriedade do imóvel, entretanto, permanece inalterada.

Se pai e filho não cumprirem a determinação voluntariamente, a Justiça poderá usar força policial para retirá-los do condomínio. Além disso, a dupla poderá pagar multa de R$ 2 mil por dia de descumprimento.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

Leia também