Aos 25 anos, Edgard Filipe Segantini está à frente de uma das histórias mais impressionantes do mercado de sorvetes no Brasil. O jovem empresário comanda a Frosty, indústria cearense que se tornou a marca de sorvete doméstico mais vendida do Nordeste e alcançou faturamento próximo de R$ 300 milhões em 2025.
A trajetória, no entanto, começou bem longe da sala de comando. Quando tinha apenas 13 anos, Filipe passava as férias trabalhando dentro da fábrica da família. Ele atuava como operador, batia ponto na portaria e não recebia tratamento diferente dos demais funcionários.
A ideia partiu do pai, Edgard Segantini, que acreditava que o filho precisava conhecer o negócio desde a base. Ninguém na fábrica sabia que aquele adolescente era filho do dono. O aprendizado, segundo a família, deveria acontecer na prática, etapa por etapa.
De funcionário da fábrica a CEO da marca de sorvete
Hoje, Filipe lidera uma empresa fundada em 1990, em Fortaleza, e comprada por seu pai em 2006. A Frosty mantém uma fábrica em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, com produção de sorvetes, picolés, açaí, polpas e outros produtos congelados.
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A estrutura industrial tem quase 15 mil metros quadrados e produz cerca de 15 mil toneladas por ano. Além disso, a companhia emprega mais de mil pessoas e se consolidou como uma força regional no setor de alimentos congelados.
O crescimento ganhou ainda mais força nos últimos anos. Em sete anos, a Frosty saiu de poucas unidades próprias para mais de 140 lojas de fábrica, espalhadas por estados do Nordeste. A empresa também vende seus produtos em supermercados, padarias, mercadinhos, farmácias e outros pontos de varejo.
As informações foram confirmadas pelo Portal Tempo Novo.
Marca de sorvete cresceu apostando no gosto regional
Um dos diferenciais da Frosty está na conexão com o consumidor nordestino. Enquanto grandes marcas nacionais e multinacionais disputam espaço nos freezers dos supermercados, a empresa cearense apostou em sabores ligados ao dia a dia da região.
No portfólio, aparecem opções como cajá, coco, castanha, açaí e frutas típicas. Para Filipe, esse tipo de adaptação local ajuda a marca a competir com gigantes do setor, já que o consumidor reconhece sabores próximos da própria cultura alimentar.
A estratégia também se reflete nas lojas de fábrica. Diferente de uma sorveteria tradicional, o modelo da Frosty foi pensado para compras em quantidade e consumo em casa. O cliente encontra sorvetes, picolés, polpas, açaí, frutas congeladas, milk-shakes, sobremesas e linhas especiais.
Oportunidade para expansão
A virada no modelo de lojas aconteceu a partir de 2018. A empresa abriu as primeiras unidades próprias e percebeu que poderia vender diretamente ao consumidor, com maior variedade e preços mais competitivos.
Durante a pandemia, enquanto muitos negócios reduziram planos de expansão, a Frosty fez o caminho contrário. A empresa aproveitou a disponibilidade de pontos comerciais e negociou condições melhores para abrir novas lojas.
Mesmo com restrições de circulação, algumas unidades funcionavam com atendimento limitado, cardápio na calçada e venda voltada para retirada. A operação deu resultado e ajudou a marca a acelerar sua presença no varejo próprio.
De 2018 a 2022, a empresa chegou a cerca de 80 lojas. Depois disso, continuou crescendo e passou a mirar novos mercados dentro do Nordeste.
Desafio agora é crescer sem perder controle
Depois de uma fase de expansão acelerada, a Frosty entrou em um novo momento. O desafio agora é crescer de forma sustentável, mantendo a qualidade da operação e sem transformar a logística em um problema.
Como trabalha com produtos congelados, a empresa depende de uma cadeia de frio eficiente. Caminhões refrigerados, armazenamento adequado e distribuição bem planejada são fundamentais para que o sorvete chegue ao consumidor sem perda de qualidade.
A marca ainda pretende avançar para estados do Nordeste onde não está presente com força total, como Alagoas, Sergipe e Bahia. No entanto, a expansão exige cautela, investimento e controle operacional.
Sucessão familiar também marcou a nova fase
Filipe assumiu funções executivas entre 2021 e 2024 e se tornou CEO oficialmente no ano passado. Com isso, passou a representar a segunda geração da família no comando da empresa.
O pai deixou a operação diária e passou a atuar no conselho da companhia. A mudança marcou uma nova fase para a Frosty, com mais foco em marca, redes sociais, expansão de lojas e aproximação com o consumidor.
Nas redes, Filipe também virou parte da estratégia. Ele aparece nos bastidores, mostra a rotina da empresa, responde clientes e tenta criar uma relação mais direta entre a marca e o público.
A aposta é simples: enquanto grandes multinacionais têm marcas fortes, a Frosty quer ter rosto, história e identificação regional. Foi assim que um adolescente que começou batendo ponto na fábrica chegou, aos 25 anos, ao comando de uma empresa que fatura centenas de milhões por ano.