Viagens para Suíça, Dubai, Paris, Londres e Roma. Rotina de luxo compartilhada diariamente com 243 mil seguidores no Instagram. Essa era a imagem que a influenciadora digital Thayna da Rocha Endringer mostrava nas redes sociais até a quarta-feira (15), quando ela e o marido, Flavio dos Santos Medina, foram presos pela Polícia Federal no Alphaville Jacuhy, condomínio de luxo na região Sul da Serra. A identificação do casal foi apurada pela reportagem do jornal A Gazeta.
Os dois foram alvos de mandados de prisão temporária na Operação Slots, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas por meio de bets ilegais e empresas de fachada. A ação foi deflagrada no Espírito Santo e em outros cinco Estados. A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) confirmou que o casal deu entrada no sistema prisional capixaba ainda na quarta-feira.
Além da rotina de viagens internacionais, Thayna usava o perfil para divulgar plataformas de jogos e apostas on-line. Segundo a Polícia Federal, esse é justamente um dos pilares do esquema investigado: influenciadores digitais seriam usados para promover sites de apostas sem autorização para funcionar no Brasil.
Marido responde a processo por tráfico de drogas
Não é o primeiro envolvimento de Flavio dos Santos Medina com a Justiça criminal. Ele responde a uma ação penal por tráfico de drogas e condutas afins na 8ª Vara Criminal de Vitória, movida pelo Ministério Público Estadual, conforme consulta da reportagem ao sistema do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). O processo, distribuído em 2021, segue em andamento.
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O caso tem origem em uma prisão de 2020. Na época, aos 20 anos, Flavio foi detido após perseguição policial que terminou no Centro de Vitória. O videomonitoramento da capital flagrou ele e outros dois homens em atitude suspeita na região da Ilha do Frade. Com o trio, a polícia encontrou drogas e munições.
Justiça bloqueia até R$ 951 milhões
A Operação Slots cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Espírito Santo e em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Paraíba e Sergipe. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$ 951,1 milhões, além do sequestro de um imóvel de alto padrão e de veículos de luxo.
De acordo com a PF, as investigações identificaram uma organização criminosa voltada à exploração clandestina de plataformas de apostas on-line. Empresas intermediadoras de pagamento seriam usadas para receber, movimentar e distribuir os recursos da atividade ilícita. Os investigadores também apontaram uma evolução patrimonial incompatível com a renda declarada pelos suspeitos e o uso de empresas de fachada para ocultar a origem do dinheiro.
Os sites divulgados pelo grupo usavam indevidamente símbolos do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), do Ministério da Fazenda, e do Conar, criando uma falsa aparência de regularidade. Conforme a investigação, os valores depositados pelos apostadores eram direcionados para empresas sem autorização para explorar a atividade.
A defesa de Thayna da Rocha Endringer e Flavio dos Santos Medina não foi encontrada até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.
