A Justiça determinou a soltura de Bryan Fernando Gimenez Souza, investigado pela morte de Marceli de Oliveira Gottardo, ocorrida em junho deste ano, no bairro Jardim Limoeiro, na Serra.
A decisão foi assinada em 19 de agosto pela juíza Cristina Eller Pimenta Bernardo. Ao revogar a prisão preventiva, a magistrada estabeleceu uma medida cautelar: Bryan não poderá deixar a cidade sem autorização judicial.
O caso aconteceu dentro de um apartamento onde Bryan e Marceli estavam. Conforme as informações reunidas no processo, os dois teriam consumido LSD e cocaína antes das agressões.
Durante a investigação, Bryan teria afirmado que Marceli estava “possuída por demônios” e que teria usado violência na tentativa de “expulsar a entidade”.
Leia também
Moradores próximos disseram ter escutado gritos de dor vindos do imóvel durante um período prolongado. Diante da situação, vizinhos entraram no apartamento para tentar ajudar.
Marceli foi encontrada caída e apresentava um quadro grave. Segundo os relatos presentes no processo, ela estava convulsionando, tinha hematomas no rosto, sangramento no ouvido e marcas no pescoço que indicavam possível esganadura.
Posteriormente, os exames apontaram que a vítima morreu em decorrência de uma hemorragia intracraniana causada por traumatismo cranioencefálico provocado por instrumento contundente.
Decisão da juíza
Na decisão judicial, a juíza considerou que os elementos obtidos durante a apuração ainda não permitem descartar a hipótese de que Bryan tenha agido com intenção de matar ou, pelo menos, tenha assumido o risco de causar a morte de Marceli.
Entre os pontos considerados pela magistrada estão a quantidade de agressões, os sinais encontrados no pescoço da vítima e a situação de vulnerabilidade em que Marceli se encontrava naquele momento.
A Justiça também avaliou a versão apresentada pelo investigado sobre a suposta tentativa de “expulsar demônios”.
De acordo com a decisão, essa justificativa, associada ao consumo voluntário de entorpecentes, não é suficiente, neste estágio do processo, para enquadrar automaticamente o episódio como lesão corporal seguida de morte ou homicídio culposo.
Por que o homem deixou a prisão?
Mesmo diante das circunstâncias consideradas graves no processo, a magistrada concluiu que a manutenção da prisão preventiva não era indispensável naquele momento.
A juíza entendeu que seria possível aplicar uma medida cautelar diferente da prisão. Por isso, determinou que Bryan permaneça na comarca e revogou a ordem que o mantinha preso.
Após a decisão, a Justiça expediu o alvará de soltura.
A liberdade, porém, está condicionada ao cumprimento das determinações judiciais. Caso Bryan desrespeite a medida imposta, a prisão preventiva poderá ser decretada novamente.
Crime contra mulher na Serra será analisado pelo Tribunal do Júri
A decisão também abordou qual órgão da Justiça deverá continuar analisando o processo.
A 5ª Vara Criminal da Serra considerou que existem elementos que apontam para a possível ocorrência de um crime doloso contra a vida.
Por esse motivo, a Vara entendeu que o processo deve seguir para análise do Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento desse tipo de crime.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Bryan. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.