Um trabalhador responsável pela limpeza de estações de transporte recebeu um depósito milionário que não deveria ter entrado em sua conta. A empresa incluiu por engano no salário do gari um pagamento equivalente atualmente a cerca de R$ 3,1 milhões.
O trabalhador permaneceu com o dinheiro mesmo depois que a empresa descobriu a falha. Sem conseguir recuperar a quantia diretamente, a responsável pelo pagamento decidiu levar o caso à Justiça e abriu uma ação para tentar reaver o valor.
O episódio envolve um ex-funcionário da MARTA, agência responsável pelo sistema de transporte público da região de Atlanta, nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelo Atlanta News First, a agência transferiu indevidamente US$ 620 mil para o trabalhador.
O sistema registrou o valor como pagamento de horas extras, embora o funcionário não tivesse direito à quantia.
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Salário enviado por engano para gari
A MARTA realizou o depósito em abril, mas só percebeu a falha administrativa em julho, aproximadamente três meses depois.
Depois de descobrir o problema, a agência tentou solucionar a situação diretamente com o trabalhador e recuperar os US$ 620 mil.
As tentativas, porém, não resultaram na devolução do dinheiro. Diante disso, a MARTA decidiu buscar o ressarcimento por meio de uma ação civil.
Tanto o funcionário que recebeu o pagamento quanto o profissional relacionado ao erro que provocou o depósito deixaram a equipe da empresa, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Caso pode ter consequências além da cobrança
A disputa atualmente envolve a tentativa de recuperação do dinheiro. No entanto, especialistas ouvidos pela imprensa americana afirmam que o episódio também pode levantar questões na esfera criminal.
O advogado trabalhista Charles Bridgers explicou ao Atlanta News First que uma pessoa pode enfrentar consequências ao permanecer com uma quantia recebida por engano, dependendo das circunstâncias do caso.
Até o momento, porém, as autoridades não acusaram formalmente o ex-funcionário de nenhum crime.
Segundo o advogado, o trabalhador não retirou originalmente o dinheiro da agência de forma ilegal. No entanto, a situação jurídica muda quando alguém permanece com um valor que sabe que não lhe pertence.
Bridgers também afirmou que nunca havia encontrado um caso de pagamento indevido envolvendo uma quantia tão elevada.
Justiça pode mandar gari devolver os R$ 3 milhões
Caso consiga uma decisão favorável, a MARTA poderá cobrar judicialmente a devolução dos US$ 620 mil.
Ainda assim, uma sentença não garante que a agência consiga recuperar todo o dinheiro imediatamente.
Na etapa seguinte, a MARTA poderá adotar medidas de cobrança e tentar localizar recursos ou patrimônio do ex-funcionário para quitar a dívida.
Esse processo, segundo o especialista ouvido pela reportagem americana, pode se transformar em um dos principais desafios da agência.
Valor pagaria salários de vários funcionários
A dimensão do erro também chama atenção quando o montante entra em comparação com os gastos do próprio sistema de transporte.
Segundo cálculos apresentados pelo Atlanta News First, os US$ 620 mil bancariam aproximadamente um ano de salário de quase 15 trabalhadores responsáveis pela limpeza das estações.
A mesma quantia também cobriria o salário-base anual de cerca de dez policiais da agência.
Outra comparação feita pela reportagem mostra que o dinheiro permitiria à MARTA comprar um ônibus novo ou financiar aproximadamente 250 mil viagens de ônibus e trem.
Agência reforçou controles depois do pagamento milionário
Depois de descobrir a falha, a MARTA reforçou os procedimentos usados no processamento dos pagamentos.
A agência também iniciou um novo treinamento com integrantes da equipe responsável pelos processos internos para tentar impedir outros depósitos indevidos.
O episódio ocorre enquanto a administração financeira da MARTA também enfrenta atenção pública por outros motivos. Recentemente, a agência chegou a um acordo de US$ 52 milhões com a cidade de Atlanta após questionamentos sobre o uso de recursos destinados a projetos de infraestrutura de transporte.