A Polícia Civil do Espírito Santo desarticulou duas associações criminosas formadas por funcionários e terceirizados da Vale, investigadas por furto de bobinas de cobre e baterias estacionárias que causou prejuízo milionário à mineradora. No esquema, sete pessoas foram presas e 13 foram indiciadas, entre autores e receptadores. Parte do material furtado era revendida em uma loja na Serra.
A operação foi conduzida pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), e os detalhes foram apresentados em coletiva nesta terça-feira (14), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória. Segundo os investigadores, o trabalho começou em maio deste ano e revelou dois grupos que agiam ao mesmo tempo dentro da empresa, de forma independente, mas com um funcionário em comum, responsável por cooptar terceirizados.
Como funcionava o furto de cobre na Vale
O primeiro grupo era especializado no furto de bobinas de cobre, material de alto valor econômico. As tarefas eram bem divididas: um líder interno identificava e separava as bobinas dentro da empresa, enquanto um líder externo falsificava e-mails e notas fiscais. Com os documentos falsos e o crachá de um funcionário com vínculo direto, um motorista entrava com um caminhão munck no galpão, onde outros três integrantes faziam o carregamento com guindastes.
Na portaria, o caminhão apresentava a documentação falsa e saía normalmente. Depois, o material era desviado para revenda. Pelo cerco eletrônico, a polícia identificou o veículo indo até Guarapari e voltando vazio. Quebras de sigilo autorizadas pela Justiça mostraram que o grupo agia desde novembro de 2025 e que, em algumas viagens, cada integrante chegava a lucrar R$ 20 mil.
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Quatro pessoas foram presas em flagrante no início de junho, ainda dentro da empresa, e confessaram participação. Outras três foram indiciadas, totalizando sete autores nesse núcleo. Eles vão responder por furto qualificado e associação criminosa. Pelo balanço patrimonial da mineradora, o prejuízo com as bobinas é estimado em R$ 1,5 milhão. A polícia agora tenta identificar quem comprava o material.
Baterias furtadas eram revendidas na Serra
Durante a investigação, o Deic descobriu a segunda associação criminosa, voltada ao furto de baterias estacionárias, usadas em locomotivas e sistemas de alarme de incêndio. Um funcionário responsável pela guarda do material separava as baterias que ainda funcionavam e, com apoio de terceirizados, retirava os itens da empresa sob a falsa alegação de manutenção.
De acordo com apuração, as baterias eram entregues a um receptador dono de uma loja na Serra, que revendia o material sem autorização, o que, segundo a polícia, poderia até oferecer risco à população. Em um único dia, o grupo furtou baterias avaliadas em cerca de R$ 20 mil, mas a investigação apontou que a prática ocorria desde 2022, o que indica prejuízo bem maior.
Três funcionários foram presos em flagrante, e uma busca e apreensão localizou 20 baterias com o receptador, que não estava no local e será indiciado por receptação qualificada, já que atuava no comércio.
Segundo a polícia, os funcionários diretos envolvidos tinham entre dois e cinco anos de empresa. Os donos das empresas terceirizadas não tiveram participação comprovada nos crimes. As investigações continuam para identificar os compradores das bobinas de cobre.
