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Fim dos cartões fáceis: bancos aumentam anuidade e limitam acesso a salas VIP apenas para os mais ricos

Cartões de crédito terão anuidade mais cara e acesso limitado a salas VIP.
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Cartões de crédito anuidade salas vip
Cartões de crédito terão anuidade mais cara e acesso limitado a salas VIP. Crédito: Divulgação
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A facilidade para conseguir cartões de crédito de alta renda e aproveitar benefícios exclusivos sem movimentar grandes valores está chegando ao fim. Grandes bancos começaram a elevar anuidades, exigir gastos recorrentes e restringir a entrada gratuita em salas VIP de aeroportos.

As mudanças atingem alguns dos cartões mais cobiçados do mercado brasileiro. Em determinados casos, a anuidade aumentou mais de 185%. Além disso, clientes precisam acumular até R$ 30 mil em compras durante três faturas ou gastar R$ 50 mil por mês para escapar completamente da cobrança.

Não existe uma determinação geral obrigando todos os bancos a adotar essas medidas. No entanto, alterações semelhantes anunciadas por Santander, Banco do Brasil, BRB e Bradesco mostram uma tendência de concentração dos melhores benefícios entre consumidores que movimentam valores elevados e mantêm relacionamento ativo com as instituições.

Na prática, os chamados “cartões de gaveta”, mantidos apenas para obter pontos, seguros de viagem e acessos a lounges, começam a perder espaço. Agora, não basta ter o cartão aprovado. O cliente precisa utilizá-lo de forma frequente e atingir as metas definidas pelo emissor, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Santander passa a exigir até R$ 30 mil em compras

Desde julho de 2026, o Santander considera os gastos acumulados nas três últimas faturas fechadas para liberar gratuitamente determinados acessos às salas VIP.

O maior valor vale para o Santander Unlimited. O cliente precisa somar pelo menos R$ 30 mil em compras nas três faturas anteriores. Portanto, a instituição não exige necessariamente R$ 10 mil em cada mês, mas o total acumulado deve alcançar o valor estipulado.

Nos cartões Unique, Santander AAdvantage Black e Gol Smiles Santander Infinite, a exigência fica em R$ 15 mil durante o mesmo período. Além disso, o cartão deve estar ativo, sem bloqueios e com os pagamentos em dia. Quem não alcançar a meta ainda poderá entrar nas salas participantes, mas terá que pagar a tarifa de visita.

As quantidades de acessos também variam. O Unique oferece duas visitas gratuitas por cartão a cada ano. O AAdvantage Black libera quatro. Já o Smiles Infinite concede uma entrada anual pelo Visa Airport Companion, além do acesso às salas próprias da Gol, conforme as condições do produto.

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O Unlimited continua oferecendo acessos ilimitados pelos programas correspondentes às bandeiras Mastercard e Visa. Entretanto, o benefício somente permanece gratuito quando o cliente alcança os R$ 30 mil exigidos nas três últimas faturas fechadas.

Banco do Brasil aumenta anuidade do Altus

O Banco do Brasil também reposicionou um de seus cartões mais exclusivos. Desde 13 de julho de 2026, a anuidade do BB Altus passou para R$ 4 mil, divididos em 12 parcelas de R$ 333,33.

Anteriormente, a cobrança anual era de R$ 1,8 mil. Dessa forma, o reajuste chegou a aproximadamente 122%.

Para zerar a anuidade, o titular precisa gastar pelo menos R$ 40 mil por mês. Quem movimentar a partir de R$ 25 mil mensais recebe desconto de 50%, mas ainda paga R$ 2 mil por ano.

Apesar do aumento, o Altus mantém acesso gratuito e ilimitado às salas VIP para o titular, cartões adicionais e acompanhantes. O produto pertence ao segmento BB Private e fica entre as opções mais exclusivas da instituição.

O movimento ocorreu depois de o banco ampliar sua linha premium com o Altus Liv, lançado para clientes com investimentos a partir de R$ 1 milhão ou média elevada de gastos. O novo produto também oferece acesso a lounges e pontuação de até quatro pontos por dólar, o que abriu espaço para o BB tornar o Altus tradicional ainda mais exclusivo.

BRB Dux terá anuidade de R$ 4,8 mil

A maior alta confirmada ocorre no BRB Dux Visa Infinite. A partir de 17 de julho de 2026, a anuidade passará de R$ 1.680 para R$ 4.800, divididos em 12 parcelas de R$ 400.

O aumento será de 185,7%. Assim, o cliente que não conseguir desconto pagará quase três vezes o valor anterior.

O BRB também endureceu as condições para conceder abatimento. Atualmente, gastos superiores a R$ 20 mil garantem desconto de 50%, enquanto despesas acima de R$ 35 mil eliminam a cobrança.

Com a nova regra, o cliente precisará gastar mais de R$ 25 mil para obter metade do desconto e superar R$ 50 mil por mês para conseguir anuidade gratuita. O limite mínimo do cartão também subirá de R$ 50 mil para R$ 80 mil.

Além disso, o BRB Dux é disponibilizado apenas para clientes convidados ou após análise feita pelo banco. Embora continue oferecendo LoungeKey, Priority Pass, Visa Airport Companion e salas próprias do BRB, o acesso às redes internacionais passou a depender de uma média mensal de R$ 10 mil em compras nos últimos três meses.

Bradesco concentra acessos no Visa Airport Companion

O Bradesco também alterou a oferta do Aeternum, um de seus cartões mais exclusivos. Na página oficial atual, o banco apresenta o Visa Airport Companion e as salas próprias do Bradesco como principais formas de entrada nos lounges.

O LoungeKey, que anteriormente fazia parte do pacote, não aparece mais entre os programas disponibilizados. Pelo Visa Airport Companion, o titular permanece com acessos gratuitos e pode levar até 12 convidados por ano, conforme as condições do aplicativo.

O Aeternum também mantém entrada em lounges próprios ou parceiros do Bradesco em aeroportos como Guarulhos, Congonhas, Santos Dumont, Curitiba, Brasília e Recife.

Por que os bancos estão restringindo as salas VIP?

Nos últimos anos, as instituições financeiras lançaram cartões premium e facilitaram o acesso a produtos que antes atendiam somente uma pequena parcela dos correntistas.

Como resultado, aumentou o número de pessoas utilizando salas VIP, programas de pontuação, seguros e outros serviços pagos pelos emissores. Os bancos passaram, então, a vincular esses benefícios à rentabilidade de cada cliente.

A estratégia segue dois caminhos. O primeiro consiste em cobrar uma anuidade maior de quem utiliza pouco o cartão. O segundo condiciona os benefícios mais caros a um volume mínimo de compras durante determinado período.

As instituições também tentam reduzir a superlotação dos lounges. Com menos clientes elegíveis, as salas podem oferecer filas menores, mais disponibilidade de assentos e uma experiência mais próxima da exclusividade prometida pelos cartões premium.

Consumidor precisa avaliar se cartão ainda compensa

Antes de concentrar compras somente para alcançar uma meta de isenção, o cliente deve comparar o custo da anuidade com o valor real dos benefícios utilizados.

Gastar alguns milhares de reais a mais por mês apenas para eliminar uma cobrança anual pode causar um prejuízo muito maior do que a própria tarifa. O cálculo deve considerar acessos efetivamente usados, pontos acumulados, validade das milhas, seguros, convidados e eventuais taxas cobradas pelos programas.

Também é importante consultar as regras atualizadas no aplicativo ou no site do banco antes de viajar. A posse do cartão, sozinha, não garante mais a entrada gratuita. Dependendo da instituição, o sistema verifica as últimas faturas, a situação do pagamento e a existência de compras recentes.

O cenário mostra que a fase de distribuir cartões de alta renda com poucas exigências perdeu força. Os produtos continuam disponíveis, mas os principais benefícios estão cada vez mais reservados a clientes que gastam, investem e concentram sua vida financeira no mesmo banco.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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