O governador Ricardo Ferraço usou as redes sociais nesta segunda-feira (13) para fazer um alerta sobre o clima: o Espírito Santo precisa se preparar para um “super El Niño”. Em vídeo, ele explicou o fenômeno, apontou os riscos de ondas de calor, secas prolongadas e pressão sobre o abastecimento de água, e anunciou que o Estado já colocou em prática um plano integrado de prevenção.
“Pessoal, olhem para este mar”, começa o governador, mostrando o Oceano Pacífico, onde nasce o fenômeno. Na sequência, ele explica de forma didática como o aquecimento anormal das águas, que podem ficar até 3 graus acima do normal, muda o movimento do ar e altera o padrão de chuvas e temperaturas em todo o planeta. “Esse é um assunto que merece sua atenção”, avisou, prometendo voltar ao tema nos próximos dias.
O alerta a respeito do clima tem base. Segundo o Centro de Previsão Climática da NOAA, agência climática dos Estados Unidos, há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, o que colocaria o evento entre os mais intensos registrados desde 1950. Os meteorologistas também identificaram sinais de que o fenômeno pode permanecer ativo até o início de 2027.
“Pode ser um El Niño histórico, em um nível de intensidade nunca registrado”, afirmou a meteorologista da MetSul, Estael Sias, em entrevista ao Metrópoles. Segundo ela, com os oceanos mais quentes do que no passado, a atmosfera ganha mais energia, o que aumenta tanto o risco de secas e ondas de calor recordes quanto de enchentes e tempestades severas.
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Por aqui, a Defesa Civil Estadual projeta temperaturas acima da média histórica e chuvas mal distribuídas. As regiões Norte e Noroeste devem enfrentar períodos secos mais longos, o que preocupa principalmente a agricultura familiar. Já o litoral e o Sul do Estado, incluindo a Grande Vitória e a Serra, podem registrar episódios pontuais de chuva intensa.
Os órgãos estaduais fazem questão de frisar que o fenômeno não determina a ocorrência de desastres, mas muda as probabilidades. Na prática, isso exige atenção redobrada do poder público e da população.
“O Espírito Santo não está diante de um cenário de pânico, mas de planejamento”, afirmou o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Victor Ricciardi. Segundo ele, o Estado trabalha de forma integrada, com base em dados científicos, para antecipar ações e proteger a população, os recursos hídricos e a produção rural.
As medidas do plano de prevenção
O plano citado pelo governador reúne Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, meio ambiente, saúde e agricultura. Entre as ações já em andamento estão o reforço dos sistemas de monitoramento e alerta, a mobilização de brigadas de prevenção e combate a incêndios florestais, a fiscalização do uso da água e o acompanhamento das bacias hidrográficas em tempo real. O trabalho envolve ainda Seama, Agerh, Iema, Incaper, Idaf e Polícia Militar Ambiental.
No campo, o Incaper vai intensificar as orientações aos produtores rurais sobre manejo da vegetação e uso racional da água. A Agerh, por sua vez, amplia o monitoramento das vazões dos rios e reservatórios.
O Estado também aposta na estrutura construída nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, o Fundo Cidades investiu mais de R$ 748 milhões em obras de adaptação climática, como barragens, sistemas de drenagem, contenção de encostas e desassoreamento de rios. As intervenções beneficiaram cerca de 783 mil capixabas.
O que a população deve fazer
A Defesa Civil orienta os moradores a acompanhar os canais oficiais de informação, usar a água de forma consciente, evitar queimadas e redobrar os cuidados com a saúde nos períodos de calor intenso. Como resumiu o governador no vídeo, “quando a população está bem informada, a gente se sente melhor e mais pronto para lidar com o futuro”.
