Uma das grandes fabricantes de calçados esportivos encerrou uma operação industrial que funcionava havia quase duas décadas. Com a decisão, a companhia paralisou definitivamente as máquinas e demitiu os 150 trabalhadores que ainda atuavam na unidade.
No auge, a fábrica chegou a reunir aproximadamente 1.500 funcionários. Além disso, produzia cerca de 22 mil pares de calçados por dia para algumas das maiores marcas esportivas do mundo.
A unidade pertencia ao Grupo Dass, companhia brasileira que informa possuir mais de 26 mil colaboradores. A fábrica funcionava na cidade de Eldorado, na província de Misiones, na Argentina.
O encerramento definitivo ocorreu em 17 de julho de 2026. A decisão veio depois de uma longa redução das encomendas, da produção e do número de trabalhadores.
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A fábrica iniciou suas atividades em 2007 e ganhou importância rapidamente para a economia local.
No começo, apenas oito funcionários trabalhavam na operação. Entretanto, a expansão dos pedidos fez a estrutura crescer ao longo dos anos.
Por volta de 2015, aproximadamente 1.500 pessoas trabalhavam no complexo. Naquele período, a empresa mantinha três turnos de produção.
As máquinas também operavam em ritmo muito maior. A unidade chegou a fabricar aproximadamente 22 mil pares de calçados por dia.
Entre os produtos produzidos no local estavam tênis destinados a gigantes esportivas, como Nike e Adidas.
No entanto, o cenário começou a mudar nos anos seguintes.
Fábrica teve mudança nos pedidos
A queda das encomendas obrigou a empresa a diminuir gradualmente o tamanho da operação.
Primeiro, o Grupo Dass reduziu os turnos. Depois, começou a cortar postos de trabalho e adotou diferentes processos de desligamento.
Como resultado, o quadro de funcionários caiu de aproximadamente 1.500 trabalhadores no auge para apenas 150 antes do fechamento.
A produção sofreu uma redução ainda mais expressiva.
Nos últimos meses de funcionamento, a fábrica produzia cerca de 2.500 pares por dia. Portanto, operava com pouco mais de 10% do volume registrado em seu melhor momento.
Com menos pedidos, a companhia passou a considerar cada vez mais difícil manter a estrutura industrial funcionando.
Importação de calçados aumentou pressão sobre indústria
Além da redução dos contratos, outros fatores pressionaram a operação, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Representantes dos trabalhadores apontaram o crescimento das importações e a queda do consumo interno como elementos que agravaram a situação da fábrica.
Com isso, produtos fabricados no exterior ganharam mais espaço no mercado, enquanto a indústria local enfrentava dificuldades para manter sua capacidade de produção.
O Grupo Dass chegou a analisar alternativas para preservar a unidade. Porém, a companhia concluiu que não conseguiria sustentar a operação nas condições existentes.
Diante desse cenário, decidiu encerrar definitivamente as atividades industriais.
Fabricante de calçados demite trabalhadores
O fechamento atingiu diretamente os 150 funcionários que ainda permaneciam na unidade.
Todos perderam seus postos de trabalho após a paralisação definitiva da fábrica.
Embora o número seja muito menor que os cerca de 1.500 empregados registrados no período de maior produção, o encerramento provocou impacto na economia de Eldorado.
Isso porque a fábrica também movimentava outras atividades. Transportadoras, fornecedores, prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais mantinham relações direta ou indiretamente com a operação.
De acordo com informações divulgadas sobre o processo, os empregados desligados teriam direito ao pagamento das indenizações previstas pela legislação.
Assim, a cidade perdeu uma indústria que funcionava desde 2007.
Fabricante já havia fechado outra fábrica
O encerramento de Eldorado também marcou uma nova etapa da redução da estrutura industrial do Grupo Dass no país.
Antes disso, em janeiro de 2025, a empresa fechou outra fábrica localizada em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires.
A unidade também fabricava calçados esportivos e trabalhava, inclusive, com produtos destinados à Adidas.
Naquele fechamento, aproximadamente 330 a 360 trabalhadores perderam seus empregos.
Depois da decisão, Eldorado passou a concentrar a última operação industrial do Grupo Dass na Argentina.
Porém, a redução das encomendas continuou. Cerca de um ano e meio depois, a empresa encerrou também essa fábrica.
Somados, os dois fechamentos eliminaram aproximadamente 500 postos industriais.
Fabricante de calçados continua no mercado
O fim da produção não significa a saída completa do Grupo Dass do mercado argentino.
A companhia continuará atuando por meio de suas estruturas comerciais, administrativas e logísticas.
O grupo mantém um escritório de gestão de marcas em Buenos Aires. Além disso, centros de distribuição continuam funcionando em Coronel Suárez e Cañuelas.
Essas estruturas permitem receber mercadorias fabricadas em outros locais e distribuí-las posteriormente ao mercado.
Dessa maneira, o grupo mantém suas atividades comerciais mesmo depois de interromper a fabricação local.
Fabricante de calçados com 26 mil funcionários
O Grupo Dass surgiu no Brasil e cresceu até se transformar em uma das grandes companhias da cadeia de artigos esportivos.
Atualmente, a empresa informa possuir mais de 26 mil colaboradores em suas operações.
O grupo atua em diferentes etapas do setor. Entre elas estão desenvolvimento de produtos, fabricação de calçados e roupas, logística, distribuição e gestão de marcas.
Fila, Umbro, New Balance e Osklen aparecem entre as marcas ligadas às operações da companhia. Além disso, suas fábricas também trabalham na produção para empresas como Nike e Adidas.
No Brasil, entretanto, as unidades industriais continuam operando.
Em maio de 2026, o Grupo Dass afirmou que não planejava fechar suas fábricas brasileiras. A empresa também negou que pretendesse transferir toda a produção para o Paraguai.
Portanto, o encerramento de Eldorado não representa o fim das atividades industriais da companhia.
Ainda assim, a decisão encerrou uma trajetória de quase 20 anos na cidade. Durante seu melhor período, a fábrica empregou cerca de 1.500 trabalhadores e produziu aproximadamente 22 mil pares de calçados por dia.