A crescente utilização das canetas emagrecedoras transformou o tratamento da obesidade e do sobrepeso, mas também trouxe uma dúvida frequente entre os pacientes: o emagrecimento acelerado pode causar flacidez e excesso de pele?
Segundo a cirurgiã plástica Patrícia Lyra, é importante esclarecer que as medicações não provocam flacidez. O que ocorre é que toda perda significativa de peso reduz o volume do tecido gorduroso, enquanto a pele nem sempre consegue se retrair na mesma proporção.
“Gosto de explicar aos pacientes utilizando a analogia entre conteúdo e continente. A gordura funciona como o conteúdo e a pele como o continente que a envolve. Quando ocorre uma perda importante de peso, o conteúdo diminui rapidamente, mas o continente nem sempre acompanha essa redução. Essa desproporção faz com que a pele fique excedente e a flacidez se torne evidente. Portanto, não é a medicação que causa a flacidez, mas a redução do volume corporal associada à capacidade limitada de retração da pele de cada indivíduo”, explica a médica.
Esse comportamento, segundo Patricia, não é exclusivo das canetas emagrecedoras. O mesmo fenômeno pode ser observado após cirurgia bariátrica, dietas restritivas ou qualquer método que resulte em emagrecimento expressivo.
A capacidade da pele de se adaptar ao novo contorno corporal depende de diversos fatores, como idade, genética, qualidade das fibras de colágeno e elastina, exposição solar, tabagismo, histórico de efeito sanfona e preservação da massa muscular durante o emagrecimento. Quanto maior a perda de peso e mais rápida ela ocorrer, maior tende a ser a desproporção entre o volume corporal reduzido e a pele remanescente, aumentando a probabilidade de flacidez em diferentes graus.
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As regiões mais acometidas costumam ser abdômen, braços, coxas, mamas e face. Além do impacto estético, o excesso de pele pode provocar assaduras, dificuldade para a prática de atividades físicas, limitações na higiene e prejuízo importante na qualidade de vida.
A cirurgiã ressalta, ainda, que, embora não seja possível impedir completamente a flacidez em todos os pacientes, algumas medidas podem minimizar esse processo. “A prática regular de exercícios, especialmente os de fortalecimento muscular, alimentação rica em proteínas, hidratação adequada e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar durante todo o processo de emagrecimento ajudam a preservar a composição corporal e favorecem uma melhor adaptação dos tecidos”.
Tratamento deve ser individualizado
A cirurgiã plástica Patrícia Lyra ressalta que a escolha do tratamento depende da intensidade da flacidez, da quantidade de pele excedente e das características individuais de cada paciente.
Nos casos leves, em que predominam alterações na qualidade da pele e discreta frouxidão, tecnologias que estimulam a produção de colágeno e bioestimuladores costumam proporcionar melhora da firmeza e da textura cutânea.
Quando a flacidez é moderada, a associação de diferentes tecnologias permite atuar em camadas mais profundas da pele, promovendo retração tecidual e melhora do contorno corporal. Em muitos pacientes, essa estratégia pode retardar ou até evitar a necessidade de cirurgia.
Já nos casos avançados, quando há excesso importante de pele, a cirurgia plástica permanece como o tratamento mais eficaz para remover o tecido excedente e restaurar o contorno corporal. Mesmo nessas situações, tecnologias podem ser associadas ao procedimento cirúrgico para potencializar a retração da pele e proporcionar resultados ainda mais refinados.
“O tratamento deve ser sempre personalizado. Nem toda flacidez exige cirurgia, assim como nem todos os casos podem ser resolvidos apenas com tecnologias. A melhor abordagem depende do grau de flacidez, da quantidade de pele excedente, da qualidade dos tecidos e dos objetivos de cada paciente. Uma avaliação individualizada é fundamental para indicar a estratégia mais adequada”, conclui Patrícia Lyra.