Uma das lojas arrombadas em Laranjeiras: prejuízo com paralisação da PM. Foto: Arquivo TN
Pelo menos dezesseis lojas que foram arrombadas e saqueadas durante a greve da PM fecharam as portas na Serra. No total, 48 lojas sofreram saques ou tentativas no polos comerciais de Laranjeiras, Jardim Limoeiro, Feu Rosa, Jacaraípe, Porto Canoa e Serra-Sede. Tudo isto em fevereiro, quando o movimento dos policiais e seus familiares mergulhou o ES numa crise de segurança pública sem precedentes.
O bairro com maior prejuízo no comércio foi Feu Rosa. Um comerciante local que só topou falar sob a condição de não ter o nome divulgado, disse que foram 18 lojas arrombadas. Destas, 11 fecharam.
Em Laranjeiras, o comerciante Pedro Tozetti, o Dim Dom, diz que foram arrombadas cerca de oito lojas e uma delas fechou. “O comércio já vinha fraquejando por conta da economia, o que foi agravado pela crise na segurança pública. Uma loja de produtos importados fechou porque levaram todo o estoque e o dono não tinha mais condição de abrir. Outras 10 lojas fecharam por conta da crise econômica”, conta.
Em Porto Canoa, uma das seis lojas que foram arrombadas também fechou. O corretor imobiliário e comerciante Raul Gomes da Fonseca Júnior disse que o motivo não foi o arrombamento. “Apenas uma das seis que foram arrombadas fechou, mas por conta do aumento no aluguel. Mas o comércio vem sofrendo com a sensação de insegurança que ficou desde então e juntando à crise econômica, 10 lojas já fecharam na região”, afirma.
Na Sede, ninguém fechou, mas quatro lojas foram arrombadas, segundo a presidente da Associação de Moradores da Serra Centro, Regina Celia Ramos.
Em Jacaraípe, foram seis arrombamentos. Uma delas, a loja Bahamas, acabou fechando as portas recentemente. A invasão da loja foi uma das mais emblemáticas, pois aconteceu durante o dia, com o uso de uma caminhonete e foi filmada. O vídeo viralizou na internet. As informações são do comerciante Thiago Menezes Carreiro, da Associação dos Comerciantes de Jacaraípe.
Em Jardim Limoeiro foram seis arrombamentos na região e uma loja de celulares fechou, segundo a comerciante Paula Rosane.
Solidariedade ajuda casal a se reerguer
O casal Paula Rosane Félix e Rodrigo Silva Fernandes, da Relojoaria do Paulinho, em Jardim Limoeiro, viram toda sua história se apagar na primeira noite de paralisação da polícia e se hoje continuam trabalhando é por conta da solidariedade e apoio de amigos e desconhecidos que se comoveram com a história.
“Levaram tudo: móveis, joias e relógios de clientes, computadores, material de trabalho, documentos da contabilidade e até nossa história pessoal, como fotos que estavam no computador, documentos nossos. Não tínhamos nada para recomeçar, mas a iniciativa de meu irmão puxou uma onda de solidariedade e conseguimos voltar uma semana depois. Ele doou uma televisão para fazer uma rifa e vieram outras doações. O prêmio ficou em R$ 9mil”, relata.
O casal ainda não sabe se vai conseguir continuar, pois teve um prejuízo de mais de 200 mil e tem muitas contas a pagar, mas segue otimista.
“Somos privilegiados com toda ajuda que recebemos. Alguns clientes abriram mão de seu prejuízo e até nos ajudaram com dinheiro. Recebemos apoio jurídico gratuito e também de um deputado. Mas ainda serão uns quatro anos para recuperar o prejuízo”, salienta.
