O Carrefour começou a ser substituído por novas redes de supermercados em diferentes cidades brasileiras após uma sequência de negociações envolvendo lojas e pontos comerciais que estiveram ligados ao grupo. Em vários endereços, unidades que durante anos carregaram as bandeiras Carrefour ou Nacional já ganharam, ou ainda ganharão, novos operadores.
O movimento reúne operações realizadas em momentos diferentes nos últimos anos. Uma das principais movimentações envolveu as bandeiras Nacional e Bompreço. O Grupo Carrefour Brasil anunciou oficialmente o plano de desinvestimento em dezembro de 2024.
Na ocasião, a companhia informou que pretendia vender ou encerrar 64 supermercados. Eram 47 unidades Nacional, concentradas no Sul, e 17 Bompreço, no Nordeste.
O Carrefour estimava levantar cerca de R$ 400 milhões com o conjunto das vendas. Esse valor, portanto, corresponde à expectativa divulgada pela própria empresa em 2024 e não representa uma nova negociação anunciada em 2026.
Leia também
Desde então, diversos pontos passaram para concorrentes, encerraram as atividades ou ganharam novos projetos. O resultado começa a aparecer nas fachadas de supermercados de diferentes cidades brasileiras.
Carrefour colocou dezenas de supermercados em negociação
Boa parte das lojas envolvidas nesse processo havia chegado ao controle do Carrefour depois da aquisição do Grupo BIG.
A compra do BIG foi concluída em 2022. Já a integração e a conversão de grande parte das operações ocorreram posteriormente, com 129 lojas convertidas até 2023, segundo informações fornecidas pelo Grupo Carrefour Brasil.
Portanto, a aquisição do BIG não representa um movimento novo em 2026, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Foi depois dessa integração que o grupo passou a rever parte de seu portfólio e decidiu se desfazer das bandeiras Nacional e Bompreço.
Em dezembro de 2024, o Carrefour comunicou oficialmente que o processo envolvia 64 supermercados.
Das unidades incluídas no plano, apenas 11 funcionavam em imóveis próprios da companhia. As outras 53 estavam em imóveis alugados.
Por isso, as operações ocorreram de maneiras diferentes. Houve venda de lojas e operações, negociações de pontos, encerramentos e outros modelos de transferência.
Negociações abriram espaço para concorrentes
As mudanças criaram uma oportunidade para redes regionais crescerem rapidamente.
Em vez de desenvolver uma operação completamente nova, empresas passaram a ocupar pontos comerciais já conhecidos pelos consumidores.
Esses locais normalmente possuem estrutura de supermercado, estacionamento, áreas de estoque e localização consolidada.
Em vários casos, as antigas fachadas foram substituídas por novas bandeiras depois de reformas.
Assim, supermercados anteriormente ligados ao Carrefour passaram a operar com marcas concorrentes.
Oito lojas passaram para Muffato e Festval
Curitiba foi uma das cidades onde a mudança ganhou força.
Em dezembro de 2024, o Carrefour anunciou a venda de oito lojas Nacional na capital paranaense.
O Muffato adquiriu quatro unidades. O Festval ficou com outras quatro.
A transação fazia parte do plano de simplificação das operações do grupo. Naquele momento, o Carrefour ainda pretendia concluir o processo envolvendo as 64 lojas Nacional e Bompreço.
O valor individual da negociação das oito unidades não foi divulgado oficialmente.
Portanto, a cifra de aproximadamente R$ 400 milhões se refere ao valor que o Carrefour esperava obter com o conjunto das alienações previstas no plano, e não especificamente com as lojas de Curitiba.
Antigos supermercados passaram para outras redes
O Rio Grande do Sul também concentrou uma parcela importante das mudanças.
Diversas unidades Nacional entraram em negociações com grupos regionais.
Uma delas envolveu o Grupo Nicolini.
Inicialmente, o Carrefour anunciou uma operação envolvendo 11 lojas da bandeira Nacional no estado. A negociação passou pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Posteriormente, questões relacionadas aos contratos dos pontos alteraram o número de unidades efetivamente incorporadas.
Atualmente, o próprio Nicolini informa ter incorporado oito antigas lojas.
Com isso, supermercados antes conhecidos pela bandeira Nacional passaram a funcionar com uma nova identidade.
Lojas foram reformadas e reabertas
Parte desses supermercados voltou a atender consumidores depois de reformas.
Em Santa Maria, por exemplo, uma antiga unidade Nacional passou para uma nova operação.
O supermercado recebeu mudanças estruturais e de identidade visual antes da reabertura.
A unidade passou a contar com cerca de 2,7 mil metros quadrados de área de vendas e aproximadamente 150 trabalhadores.
O caso mostra que a retirada de uma determinada bandeira nem sempre significa o desaparecimento definitivo do supermercado.
Em vários endereços, o ponto continua funcionando, mas sob o comando de outra empresa.
Outras cidades também tiveram troca de bandeira
A substituição apareceu em diferentes municípios do Sul.
Em Novo Hamburgo, uma antiga loja Nacional passou para o Supermercados Kern.
Em São Leopoldo, outra unidade foi assumida pelo Viezzer.
Outras redes regionais também ocuparam pontos anteriormente ligados às operações Nacional.
Dessa maneira, parte dos antigos supermercados do Grupo Carrefour passou a integrar redes locais ou regionais.
Antigo hipermercado Carrefour também ganhou novo destino
As mudanças não ficaram restritas à bandeira Nacional.
Em São Leopoldo, um antigo hipermercado Carrefour também passou para outro grupo do varejo.
O Grupo Andreazza adquiriu o ponto para ampliar sua presença na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Nesse caso, um endereço diretamente associado ao Carrefour passou a integrar a operação de um concorrente regional.
Carrefour do Center Norte é um caso separado
Outra substituição importante acontecerá no Shopping Center Norte, em São Paulo.
O Carrefour encerrou sua operação no empreendimento em 21 de dezembro de 2024.
Entretanto, esse fechamento não fez parte do plano de desinvestimento das 64 unidades Nacional e Bompreço.
Segundo o próprio Carrefour, o hipermercado encerrou suas atividades após um pedido da administração do empreendimento pela devolução do imóvel.
Portanto, embora o espaço também esteja sendo ocupado por uma nova operação supermercadista, a origem dessa mudança é diferente.
O Grupo Zaffari será uma das empresas que ocuparão a antiga área do Carrefour.
O caso reforça a substituição de bandeiras em antigos endereços do grupo, mas exige uma análise separada das vendas de Nacional e Bompreço.
Investimento no Center Norte não foi pago ao Carrefour
Também é importante separar o valor envolvido na reforma do espaço.
O investimento anunciado para a transformação da antiga área do Carrefour pertence ao projeto conduzido pelo próprio Shopping Center Norte.
Assim, esse dinheiro não deve ser apresentado como valor recebido pelo Carrefour pela saída da unidade.
O encerramento aconteceu após a retomada do espaço pelo empreendimento, enquanto a área passou a receber um novo projeto comercial.
Zaffari também ocupará antigo espaço do Nacional
Outra mudança envolve o Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre.
O local abrigava anteriormente uma unidade Nacional.
O Grupo Zaffari assumirá o espaço para instalar uma nova operação.
Nesse caso, a troca de bandeira está ligada à reorganização da antiga rede Nacional, incorporada pelo Carrefour após a compra do Grupo BIG.
Assim, consumidores que conheciam o local por outra marca passarão a encontrar um novo supermercado.
Carrefour projetou arrecadar R$ 400 milhões
Quando anunciou oficialmente o plano de desinvestimento em dezembro de 2024, o Grupo Carrefour Brasil informou que esperava levantar aproximadamente R$ 400 milhões com as vendas previstas.
Naquele momento, 15 operações já possuíam compromissos firmes: sete unidades Bompreço e oito supermercados Nacional.
O comunicado também deixava claro que as unidades possuíam estruturas imobiliárias diferentes.
Das 64 lojas, somente 11 eram propriedades do grupo.
Isso significa que o processo não pode ser resumido como uma simples venda de 64 imóveis.
O que houve foi uma negociação das operações e dos ativos relacionados a cada ponto, respeitando as características específicas de cada unidade.
Plano foi anunciado há alguns anos
Outro ponto importante é a cronologia.
O anúncio das alienações ocorreu em dezembro de 2024.
Naquele momento, a companhia previa concluir o plano durante o primeiro semestre de 2025.
Portanto, não existe no material oficial apresentado até aqui um anúncio de uma nova venda de 64 lojas realizada em 2026.
O que ocorre atualmente é que os efeitos das decisões tomadas anteriormente continuam aparecendo em diferentes pontos comerciais, com reformas, inaugurações e substituições de bandeiras.
Carrefour mantém diferentes formatos no Brasil
A reorganização também não significa que o Carrefour esteja deixando o mercado brasileiro.
Atualmente, o grupo continua operando com diferentes formatos, incluindo hipermercados Carrefour, Carrefour Bairro e Carrefour Express, além do Atacadão e do Sam’s Club.
A própria companhia afirma que trabalha com diferentes modelos para atender perfis variados de consumidores.
Por isso, o grupo não adota atualmente uma estratégia de converter de forma generalizada antigas unidades para Carrefour Bairro.
Segundo as informações fornecidas pela empresa, o plano atual envolve a modernização de hipermercados e o desenvolvimento de diferentes formatos.
Novas redes substituem antigas operações do Carrefour
Apesar de as negociações terem ocorrido em períodos distintos, o efeito para consumidores de várias cidades é semelhante.
Antigos pontos ligados ao Carrefour e ao Nacional passaram a receber novas bandeiras.
Muffato, Festval, Nicolini, Zaffari e outros grupos avançaram sobre locais anteriormente ocupados pelas operações do grupo.
Em alguns casos, as mudanças já aconteceram. Em outros, novos supermercados ainda estão sendo preparados.
O processo reúne vendas, transferências de operações, encerramentos e substituições realizadas ao longo dos últimos anos.
Assim, antigas lojas ligadas ao Carrefour estão dando espaço a novas redes de supermercados no Brasil depois de negociações que envolveram dezenas de unidades e um plano de desinvestimento que tinha expectativa oficial de movimentar cerca de R$ 400 milhões.