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Pastores da Serra criam grupo para acolher dependentes de bets e tigrinho

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Pastores da comissão da APES reunidos para debater o combate ao vício em apostas online na Serra
Pastores da Associação de Pastores Evangélicos da Serra (APES) formam a comissão de combate ao vício em apostas online no município. Esquerda para direita: Pastores Elson Modesto, Romildo Modulo, Evandro Roque, Jean Morais, Marcelo Ferreira e Hermogenes Moura. Crédito: divulgação.
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Uma comissão de pastores evangélicos da Serra passou a combater o vício em apostas online. O grupo agiu depois de identificar um número alto de moradores endividados por causa das bets. A Associação de Pastores Evangélicos da Serra, a APES, criou a comissão em uma reunião realizada em 15 de julho. Desde então, a associação oferece atendimento psicológico gratuito para dependentes e famílias.

“A questão das bets se tornou um caso grave no Brasil e também no Espírito Santo”, afirma Marcelo Ferreira. Ele é formado em Teologia e preside a APES. Segundo ele, os pastores perceberam o problema dentro das próprias igrejas e em círculos de amizade em comum. “Diante desse cenário, decidimos agir. O pontapé inicial foi essa reunião, quando criamos a comissão”, explica.

Campanha da APES contra as bets e tigrinho ganha nova fase

Depois da reunião, a APES lançou uma campanha nas redes sociais para alertar moradores sobre os riscos das apostas online. Agora, a associação entra na segunda etapa da iniciativa: um canal direto de apoio para dependentes e famílias. O contato pode ser feito por WhatsApp, no número (27) 99254-7473, ou pelo direct das redes sociais da APES. Uma equipe de quatro terapeutas já está formada para atender apostadores e parentes envolvidos.

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Dívidas e pedidos de ajuda motivam ação das igrejas

A criação da comissão partiu de pedidos de apoio vindos de esposas, filhos e familiares de apostadores, segundo Ferreira. Para justificar a gravidade do problema, ele cita levantamentos nacionais. Segundo esses dados, as apostas online retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025. Além disso, o setor teria desviado mais de R$ 143 bilhões do comércio tradicional, aponta o pastor. Cerca de 270 mil famílias enfrentariam endividamento severo relacionado ao jogo, segundo os números citados pela comissão. Mais de 1,1 milhão de pessoas, ainda de acordo com esse levantamento, já pediram autoexclusão de sites de apostas por perda de controle financeiro.

Comissão reúne pastores de diferentes igrejas da Serra

A comissão da APES contra bets e jogos de azar reúne sete integrantes. Além de Marcelo Ferreira, participam os pastores Elson Modesto, Romildo Modolo, Evandro Roque, Jean Morais e Hermogenes Moura. Completa o grupo o terapeuta Cleber Valeriano.

A associação alerta que o vício em apostas pode levar à depressão e, em casos extremos, ao suicídio, além de destruir famílias e gerar dívidas. Por isso, a APES reforça que o canal de apoio está disponível. O atendimento vale tanto para quem aposta quanto para parentes que sofrem com a situação.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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