O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde-ES) intensificou uma mobilização para incentivar profissionais da enfermagem a denunciarem casos de violência física, agressões verbais, assédio moral e outros abusos sofridos no ambiente de trabalho.
A iniciativa é direcionada a enfermeiras e enfermeiros, técnicos e técnicas de enfermagem, auxiliares de enfermagem e auxiliares de serviços médicos que atuam em unidades públicas estaduais e municipais de saúde, como hospitais, UPAs e postos de atendimento.
Segundo o sindicato, a campanha ganhou força após a repercussão nacional do caso de uma técnica de enfermagem de Brasília que denunciou agressões físicas e verbais em um episódio envolvendo um senador do Espírito Santo. O caso trouxe visibilidade para situações de violência e assédio que, segundo a entidade, fazem parte da rotina de muitos profissionais da saúde.
De acordo com o Sindsaúde-ES, o objetivo é estimular trabalhadores a romperem o silêncio diante de episódios de abuso praticados por pacientes, acompanhantes, gestores ou chefias.
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Evento debate saúde mental e condições de trabalho
A mobilização faz parte das ações da Semana da Enfermagem, celebrada em maio. O calendário inclui o Dia Internacional da Enfermagem, em 12 de maio, e o Dia Nacional do Técnico, da Técnica e da Auxiliar de Enfermagem, em 20 de maio.
Como parte da programação, o sindicato realizará no próximo dia 20 de maio um evento voltado à valorização da categoria e à discussão sobre saúde mental e condições de trabalho. A atividade acontecerá das 8h30 às 12 horas, no auditório da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), em Santa Lúcia, Vitória.
O encontro será exclusivo para profissionais da enfermagem e contará com debates sobre precarização dos ambientes de trabalho, sobrecarga profissional e impactos emocionais enfrentados pela categoria.
Para a presidenta do Sindsaúde-ES, Geiza Pinheiro, o momento será importante para fortalecer a confiança dos profissionais na formalização de denúncias.
“Romper o silêncio é fundamental para enfrentar a violência institucional e garantir ambientes de trabalho mais seguros, dignos e saudáveis para quem está diariamente na linha de frente cuidando das pessoas”, afirmou.
Medo de retaliações dificulta denúncias
Segundo Geiza Pinheiro, muitos profissionais deixam de denunciar situações de violência e assédio por medo de perseguições internas, processos administrativos, retaliações e até perda do emprego.
O sindicato alerta que os ambientes de trabalho nas unidades de saúde têm se tornado cada vez mais exaustivos e adoecedores. Entre os fatores apontados estão a sobrecarga de tarefas, pressão psicológica, metas rigorosas, falta de estrutura e episódios frequentes de violência.
De acordo com a entidade, esse cenário tem provocado impactos diretos na saúde mental dos trabalhadores e também na qualidade do atendimento prestado à população.
As inscrições para o evento podem ser feitas por profissionais da enfermagem por meio de formulário online disponibilizado pelo sindicato no link: forms.gle/bd7UnLoTHvD1Z5TG7