“Temos um governante que não liga para a miséria e a pobreza”, diz Coser em passagem pela Serra

O ex-prefeito de Vitória, João Coser é pré-candidato a deputado estadual. Foto: Leonardo Lucas.

Em visita pela Serra, o ex-prefeito de Vitória João Coser esteve na redação do jornal TEMPO NOVO para apresentar suas ideias e propostas como pré-candidato a deputado estadual. Na sala de entrevista, a primeira coisa que Coser lembrou em tom saudosista foi da sua eleição de 1994, quando se tornou deputado federal pela primeira vez: “devo muito a Serra”, disse, o ex-prefeito. Naquela eleição, a Serra creditou 6.250 votos a ele, o que para o quantitativo da época é muito significativo.

João Coser, que governou a capital por duas vezes, deixou escapar em vários momentos um tipo de admiração pela potencial e crescimento da Serra: “Eu fui prefeito e a gente conversava com outras lideranças. As pessoas falam da Serra com uma certa inveja, inveja positiva; a cidade tem muito potencial”, afirmou Coser, mas lembrou também que a crise inflacionária no Brasil atinge em cheio as cidades, especialmente municípios com características sociais como a Serra.

Como não poderia ser diferente, o ex-prefeito defendeu com veemência a volta de Lula para a Presidência da República. De acordo com ele, para o Brasil voltar a crescer, a base da sociedade precisa voltar a ter poder de compra. “As pessoas tinham perspectivas de melhorias de vida no passado, hoje se preocupam quase que exclusivamente em se alimentar. Acredito muito na eleição do Lula pela forma como ele olha para a sociedade e para as pessoas mais simples; ele vai fazer um programa muito voltado a isso. Hoje nosso governante [Jair Bolsonaro] não se preocupa com a miséria das pessoas, com a pobreza”, disparou o ex-prefeito.

Volta do Programa Mais Médicos

Coser ainda criticou o desmonte do Programa Mais Médicos implantado pelo Governo Lula; de acordo com ele a ideia nasceu dentro da Frente Nacional dos Prefeitos, da qual ele já presidiu, e foi modelado pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha:

“As cidades tinham carência de médicos. Então nós fizemos o pedido e ele [ministro Padilha] idealizou o programa. Tenho certeza de que com a volta do Governo do Lula, se Deus quiser nós teremos um programa arrojado na área da saúde, e o Mais Médicos, com certeza, será reintroduzido. Nas últimas décadas avançamos na oferta de formação de médicos brasileiros e acredito que com mais médicos brasileiros e menos estrangeiros, a proposta é levar um profissional da saúde qualificado para os locais periféricos do Brasil. A Serra foi muito beneficiada e isso vai voltar, eu só não posso te dizer com detalhes o modelo”, completou Coser.

Mais Brasil e Menos Brasília

Essa é uma frase emblemática que foi usada pelo presidente Bolsonaro em seu discurso de posse; entretanto, segundo Coser, o que ocorreu foi o inverso, a maioria dos recursos continuam com a União, enquanto os estados e municípios arcam cada vez mais com os desafios na ponta sem a cobertura financeira adequada. O ex-prefeito lembrou o recente caso do reajuste do piso salarial da categoria dos professores.

“Não se discute a importância dos professores e a necessidade de remuneração justa, mas esse debate precisa ser feito com responsabilidade. Se o Brasil estivesse crescendo nós teríamos mais reajustes, porque está vinculado a um processo de crescimento também, mas não é o caso. Essa norma é um desafio para qualquer governante. O Congresso ou o Governo Federal fez a Lei, mas quem paga é o município… aí o município não tem o crescimento de arrecadação na mesma proporção”, disse.

Completou de forma categórica: “O que tem que se debater não é se o professor merece não, pois é claro que ele merece. Mas sim, como é que a União vai distribuir melhor os recursos. Esse ponto é um dilema. Sempre que o Congresso faz uma lei e um piso [salarial] quem paga é aqui embaixo [municípios]. Porque quando foi feita a reforma, foi feita a distribuição dos recursos públicos e a União concentrou muito recurso, o Estado ficou com pouco e o município é o que menos fica. Como é que vai fazer para que cheguem mais recursos aos municípios?” finalizou.

Qualificação e trabalho

De acordo com Coser, uma de suas apostas é voltar para a qualificação profissional; dentro de um programa social de transferência de renda “responsável, vinculado à criança na escola” e vinculado à formação das pessoas; essa seria uma das alternativas para voltar a ter oportunidades normais no Brasil.

“Tem aquela história de dar o peixe e ensinar a pescar. Mas para você aprender a pescar, tem que estar de barriga cheia. Então tem que dar alguma coisa [referindo-se a um programa de transferência de renda] para o sujeito voltar à atividade econômica e ali na frente conseguir ficar de pé sozinho. A dignidade do homem e da mulher se dá pelo trabalho. As pessoas ficam muito mais felizes quando estão trabalhando, sustentando seus filhos. A gente pergunta para o Lula, porque ele quer voltar, ele está tão bem, foi presidente e saiu bem. Está curtindo a vida dele, casou de novo agora, está apaixonado, e ele responde: “quero voltar porque o Brasil tem jeito”. Agora tem que botar dinheiro na mão das pessoas que sabem produzir”, finalizou.

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