Um dos grandes sucessos recentes do teatro brasileiro vai ganhar uma nova temporada. “A Última Sessão de Freud”, estrelada por Odilon Wagner e Marcello Airoldi, já ultrapassou a marca de 420 apresentações desde a estreia, em 2022.
Agora, o espetáculo chega novamente ao Espírito Santo. A peça terá três apresentações no Teatro Universitário da Ufes, em Vitória, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2026.
Na sexta-feira (30) e no sábado (31), as sessões começam às 20 horas. Já no domingo (1º), a apresentação será às 17 horas.
Os ingressos custam entre R$ 25 e R$ 180. O público pode comprar as entradas pela internet.
Leia também
Peça coloca Freud e C.S. Lewis frente a frente
Com direção de Elias Andreato, a peça imagina um encontro entre dois dos grandes intelectuais do século XX: Sigmund Freud, interpretado por Odilon Wagner, e o escritor C.S. Lewis, vivido por Marcello Airoldi.
No palco, os personagens travam uma intensa conversa sobre a existência de Deus. No entanto, o diálogo rapidamente avança para outros temas.
Entre eles estão vida, morte, sexo, natureza humana, fé e relações pessoais.
Freud aparece como um crítico da religião. Por outro lado, C.S. Lewis surge como um antigo ateu que se tornou um dos mais conhecidos defensores do cristianismo.
Dessa forma, a peça coloca visões de mundo bastante diferentes frente a frente. Ao mesmo tempo, usa humor, ironia e sarcasmo para conduzir o embate.
Encontro fictício acontece em meio à Segunda Guerra Mundial
O dramaturgo estadunidense Mark St. Germain escreveu o texto com inspiração no livro Deus em Questão, do professor de psiquiatria Armand M. Nicholi Jr.
Além disso, o autor colocou o encontro fictício em um momento histórico decisivo. A conversa ocorre em 1939, justamente quando a Inglaterra entra na Segunda Guerra Mundial.
Naquele período, Freud vivia no país depois de fugir da perseguição nazista na Áustria.
Enquanto os dois personagens discutem suas convicções, a ameaça da guerra cresce do lado de fora. Assim, o espetáculo também aborda medo, intolerância e a capacidade de pessoas com pensamentos opostos manterem um diálogo.
Segundo Odilon Wagner, essa característica ajuda a explicar a atualidade da montagem. “Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, afirma o ator.
Espetáculo já passou de 420 apresentações
“A Última Sessão de Freud” estreou há quatro anos e, desde então, manteve temporadas e turnês pelo país.
Ao todo, a montagem já soma mais de 420 apresentações.
Odilon Wagner afirma que interpretar Freud se tornou uma das experiências mais marcantes de seus 56 anos de carreira.
Para o ator, o interesse do público também demonstra como as discussões levantadas pela peça continuam atuais. Além disso, ele destaca que o espetáculo incentiva a reflexão sobre diálogo, paz e convivência entre pessoas que pensam de maneira diferente.
Marcello Airoldi também destaca a resposta das plateias.
Segundo o ator, mesmo em um cenário marcado pelo consumo rápido de conteúdo, o espetáculo encontrou um público interessado em discussões mais profundas, humor e personagens históricos.
Cenário reproduz gabinete de Sigmund Freud
Outro destaque da montagem é o cenário assinado por Fábio Namatame, trabalho que recebeu indicação ao Prêmio Shell.
A estrutura reproduz o gabinete onde Freud desenvolvia estudos e atendia seus pacientes.
Por sua vez, o diretor Elias Andreato adotou uma encenação focada principalmente no texto e na atuação dos dois protagonistas.
Assim, a palavra ocupa o centro do espetáculo. As diferenças entre Freud e Lewis conduzem toda a narrativa.
Segundo Andreato, o encontro criado por Mark St. Germain permite colocar lado a lado crenças e visões de mundo completamente distintas. No entanto, mesmo nos momentos mais intensos, os dois personagens continuam conversando.
Para o diretor, justamente aí está uma das principais forças da peça.
Serviço – A Última Sessão de Freud em Vitória
- Espetáculo: A Última Sessão de Freud
- Texto: Mark St. Germain
- Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi
- Direção: Elias Andreato
- Datas: 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2026
- Horários: sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 17h
- Local: Teatro Universitário da Ufes
- Endereço: Avenida Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória
- Ingressos: de R$ 25 a R$ 180
- Classificação: 14 anos
- Duração: 90 minutos
- Capacidade: 615 lugares
- Acessibilidade: espaço acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
- Vendas: site oficial do espetáculo e plataforma Sympla
Ficha técnica
- Texto: Mark St. Germain
- Tradução: Clarisse Abujamra
- Direção: Elias Andreato
- Assistente de direção: Raphael Gama
- Idealização: Ronaldo Diaféria
- Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi
- Cenário e figurino: Fábio Namatame
- Assistente de cenografia: Fernando Passetti
- Desenho de luz: Gabriel Paiva e André Prado
- Designer de som: André Omote
- Operação de luz: Nádia Hinz
- Operação de som: Gabriel Fernandes
- Trilha sonora: Raphael Gama
- Arte gráfica: Rodolfo Juliani
- Fotografia: João Caldas
- Produtor executivo: Adolfo Barreto
- Cenotécnica e contrarregragem: Vinicius Henrique e Kauã Nascimento
- Produtores associados: Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner