Serra retoma Orçamento Participativo e moradores definem obras nos bairros

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AMO e Prefeitura da Serra convocam a população para decidir e opinar sobre obras na cidade. Foto: Divulgação.

A participação popular voltou ao centro das decisões públicas na Serra. A Assembleia Municipal do Orçamento (AMO) iniciou o calendário das plenárias regionais de 2026, marcando a retomada efetiva do Orçamento Participativo no município.

A primeira plenária aconteceu na quinta-feira (19), reunindo representantes de 14 bairros da região da Serra A. Além disso, o encontro marcou oficialmente o início do novo ciclo do Orçamento Participativo no município. Segundo Jean Cassiano, subcoordenador-geral da AMO e liderança da Federação das Associações de Moradores da Serra, a reunião contou com participação expressiva de delegados e presidentes de associações, o que demonstra o engajamento das comunidades.

“Conseguimos alinhar duas obras prioritárias e cinco obras suplentes, todas viáveis, que não dependem de desapropriação e podem ser executadas. Assim, o Orçamento Participativo retorna com o compromisso de resgatar a credibilidade e trabalhar com obras reais, que de fato ajudem a população”, afirmou.

Além das obras regionais, a AMO também irá conduzir a discussão sobre a chamada “Obra da Cidade”, que representa o maior investimento previsto no Orçamento Participativo deste ano. Nesse sentido, a definição ainda passará pelas plenárias, onde os delegados irão deliberar de forma democrática e transparente.

Por outro lado, nos bastidores há especulações de que a proposta possa envolver a obra da Terceira Ligação entre Serra e Vitória, considerada estratégica para a mobilidade urbana. No entanto, a decisão oficial dependerá da votação nas plenárias da Assembleia Municipal do Orçamento, reforçando o caráter participativo do processo.

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Obras reais, prioridades definidas pelos bairros

De acordo com Jean Cassiano, o foco desta edição não está na discussão de valores, mas sim na definição de obras executáveis e de interesse direto da população.

“Não vamos discutir galpão ou coisas superficiais. Estamos tratando de obras que possam ser realizadas e que impactem diretamente a vida das pessoas”, reforçou.

A escolha das prioridades ocorre de forma democrática e transparente. Cada bairro conta com três delegados, devidamente credenciados, que votam nas propostas apresentadas durante as plenárias.

Além das discussões nas plenárias, algumas obras já foram aprovadas dentro do Orçamento Participativo. Entre elas estão a construção da Unidade de Saúde de Vista da Serra, a UBS Cascata e intervenções de drenagem e pavimentação nos bairros Agro Vila Ribeiro, Jardim Bela Vista e Belvedere. As intervenções fazem parte das prioridades definidas pelas comunidades e consideradas viáveis para execução.

Segunda plenária reúne 20 bairros e 70 delegados

Nesta sexta-feira (20), por sua vez, aconteceu a segunda plenária, contemplando a região de Serra B. Dessa forma, o encontro reuniu 20 bairros e cerca de 70 delegados, novamente na Secretaria de Educação, ampliando a participação popular no processo.

Entre os temas em pauta, esteve a possibilidade de construção de uma unidade de saúde. Além disso, outras demandas apresentadas pelas comunidades também serão discutidas, conforme as prioridades indicadas pelos bairros.

A organização do processo está sob coordenação de Osmar Pimenta (coordenador-geral da AMO), Jean Cassiano (subcoordenador-geral), Danilo Mattos (secretário-executivo) e Jessé Ferrari (secretário administrativo). Assim, a condução das plenárias ocorre de forma estruturada e com divisão clara de responsabilidades.

Calendário segue até março

As plenárias regionais seguem até março e, ao longo das próximas semanas, passarão por bairros como Castelândia, Praia, Anchieta, Laranjeiras e Carapina. Com isso, o objetivo é ouvir todas as regiões da cidade, garantindo que as decisões sobre investimentos públicos tenham participação direta da população.

Participação que fortalece a cidade

Mais do que uma reunião formal, as plenárias representam um instrumento de cidadania ativa. Na prática, ao permitir que moradores definam prioridades, o Orçamento Participativo aproxima a gestão pública da realidade dos bairros. Consequentemente, a população passa a ter voz direta na definição das obras que impactam o dia a dia.

Com o apoio da gestão do prefeito Weverson Meireles, segundo os organizadores, o processo busca fortalecer o diálogo entre poder público e comunidade. Por fim, a expectativa é de que as próximas plenárias mantenham o mesmo nível de participação registrado na abertura do calendário.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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