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Após 81 mil votos e ficar de fora, Serginho Vidigal retoma a medicina: “missão continua”

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Serginho Vidigal sorri ao lado de um refrator, aparelho de exame de vista, em consultório médico
Após ficar fora da Câmara, Serginho Vidigal retomou o trabalho como médico nesta terça-feira (6)
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Dois dias depois de ficar fora da Câmara dos Deputados, Serginho Vidigal (Podemos) anunciou nesta terça-feira (6) que retomou o trabalho como médico. Em publicação nas redes sociais, ele agradeceu aos 81.162 eleitores que votaram nele e afirmou que volta “de cabeça erguida, coração em paz”. Com o resultado final, a Serra fica sem um deputado federal com base na cidade.

Na mensagem, Serginho não fala em derrota e sinaliza que segue disposto a servir. “A eleição terminou, mas a missão continua. Sempre acreditei que servir é cuidar de gente”, escreveu. Ele também deixou um agradecimento especial aos pacientes, pela compreensão e pela paciência durante o período em que esteve afastado.

Dos votos de Serginho Vidigal, três em cada quatro vieram da Serra

Na cidade, Serginho foi o candidato a deputado federal mais votado, com 60.835 votos. O número representa cerca de 75% de tudo o que ele recebeu no Espírito Santo. Além disso, equivale a aproximadamente um em cada quatro votos dados na Serra para o cargo, num universo de 137 candidatos.

Em relação aos votos dos serranos, logo atrás aparecem Lucas Polese (PL), com 46.112 votos, e Jack Rocha (PT), com 27.216, ambos eleitos. Já Gilson Daniel, colega de partido de Serginho, teve só 1.648 votos na cidade, mas construiu a votação no restante do Estado e ficou com a única vaga do Podemos.

Por que Serginho Vidigal ficou fora da Câmara

O desempenho é inegável, mas o resultado desceu amargo. A eleição para deputado federal segue o sistema proporcional: primeiro, a Justiça Eleitoral define quantas cadeiras cada partido ou federação conquista, a partir da soma dos votos dos candidatos e da legenda. Só depois as vagas vão para os mais votados de cada sigla.

O Podemos alcançou o quociente eleitoral uma única vez e garantiu apenas uma das 10 cadeiras capixabas. A vaga ficou com Gilson Daniel, que passou de 107 mil votos. Por isso, Serginho terminou como o mais votado do Estado entre aqueles que não se elegeram.

Enquanto isso, candidatos com bem menos votos chegaram à Câmara porque seus partidos fizeram mais cadeiras. Lucas o Federal da Direita (PL), por exemplo, se elegeu com pouco mais da metade da votação de Serginho, puxado pelos quase 420 mil votos de Lucas Polese.

Família Vidigal sofre o mesmo revés de 2022

Não é a primeira vez que a regra pesa contra a família Vidigal. Em 2022, Sueli Vidigal, mãe de Serginho, fez boa votação, mas o PDT, partido pelo qual concorreu, não teve desempenho suficiente para garantir a vaga.

Na política, a quase-vitória não tem valor prático. Para Serginho, o caminho agora passa de volta pelo consultório. “Seguimos em frente. Com fé, gratidão e a mesma disposição de sempre para servir”, concluiu.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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