Seis anos de atraso: obra do ABL demonstra descaso do poder público e desperdício de dinheiro

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Construção da escola Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, no ano de 1979. Ainda dá para ver os tijolos amontados para o término da obra. Foto: Arquivo TN

Cansados de tantas promessas não cumpridas e muito desperdício de dinheiro público com as obras do Aristóbulo Barbosa Leão, em Laranjeiras, os moradores da Serra e os 1.125 alunos da unidade escolar começaram o mês de agosto com uma nova esperança: o Governo do Estado prometeu entregar uma nova escola pronta em 2023. Se a obra será concluída? Ninguém sabe! Mas o histórico nos demonstra o descaso do poder público com o dinheiro dos contribuintes.

Na solenidade de assinatura para início das obras, realizada na manhã desta segunda-feira (3), as lideranças políticas fizeram uma festa. Foi quase uma hora de comemorações e muitas promessas, mas uma coisa passou despercebida: os R$ 9 milhões de reais gastos para reformar um prédio que anos depois foi demolido. Para piorar, são mais de R$ 78 mil por mês de aluguel para manter a escola num local improvisado e cheio de problemas.

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Tudo começou em 2012, quando ainda na gestão anterior do governador Renato Casagrande (PSB), foi iniciada a tão esperada reforma, já que a escola se encontrava em péssimas condições. O custo divulgado na época era de R$ 9 milhões e a reforma deveria ter sido entregue em julho de 2014, o que não aconteceu. A partir daí, foi decepção atrás de decepção para quem tanto esperava o fim das obras.

Para piorar, o prédio do ABL, em Laranjeiras, ficou abandonado por quatro anos. Após isso, na gestão do ex-governador Paulo Hartung em 2018, foi demolido pelo Governo do Estado no final daquele ano. Na ocasião, o então secretário da Educação, Haroldo Rocha, afirmou que o espaço estava sem ‘boas condições’ para continuar a reforma. A demolição custou R$ 290,7 mil. Questionado sobre o dinheiro gasto, Haroldo pediu para “pensar positivo e seguir em frente”.

E de fato, quando a obra for concluída, muitos vão seguir em frente e esquecer os valores perdidos. Mas para o morador mais atento, que acompanha para onde vai o seu dinheiro, o péssimo histórico ficará guardado na memória. Afinal, R$ 12 milhões é dinheiro para realizar muitas obras em favor da população.

Pelo menos, o dinheiro “jogado no ralo” mostra o descaso de alguns gestores com a população, que luta diariamente para garantir o próprio pão e paga muito imposto. Aos contribuintes, a lição que o ABL pode deixar é a necessidade da população acompanhar mais de perto “os investimentos” e cobrar do Poder Público uma atitude contra os gastos desnecessários e o desperdício de verba pública.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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