E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Seguro nega indenização após esposa sofrer acidente com carro do marido e não ter nome na apólice

Mulher dirigia carro do marido sem constar como condutora no seguro.
Compartilhe:
seguro esposa carro do marido indenização
A esposa dirigia o carro do marido sem constar como condutora no seguro. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Um acidente envolvendo um carro segurado terminou sem o pagamento da indenização após a seguradora identificar uma diferença entre as informações da apólice e quem estava dirigindo o veículo. No momento do sinistro, a esposa do proprietário estava ao volante, mas ela não aparecia no perfil de condutores declarado na contratação.

O episódio acendeu um alerta para motoristas que dividem o automóvel com marido, esposa, filhos ou outros familiares. Dependendo das regras da seguradora, omitir uma pessoa que utiliza o veículo com frequência pode provocar problemas justamente quando o proprietário precisar acionar o seguro.

O caso ganhou repercussão após uma publicação do portal O Antagonista, em 5 de agosto. A situação reforçou uma dúvida comum entre segurados: outra pessoa pode dirigir um carro segurado sem estar incluída na apólice?

A resposta depende do contrato, da frequência com que essa pessoa utiliza o automóvel e das informações fornecidas no momento da contratação.

Esposa dirigia carro, mas não estava declarada no seguro

As seguradoras utilizam diversas informações para calcular o risco e definir o preço da apólice. Entre elas estão idade dos motoristas, local onde o veículo circula, forma de utilização e quem costuma assumir a direção.

Por isso, informar apenas uma pessoa como principal condutora quando outra também utiliza o carro regularmente pode criar uma divergência entre o perfil contratado e a realidade, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Carlos Valle, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de Pernambuco (Sincor-PE), explica que muitas empresas consideram esse tipo de diferença durante a análise do acidente.

Segundo ele, a maioria das seguradoras pode negar a cobertura quando encontra uma divergência relevante nas informações fornecidas pelo cliente. Contudo, cada situação exige uma avaliação individual.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Isso significa que o simples fato de outra pessoa estar dirigindo o veículo não determina automaticamente a perda da cobertura em todos os seguros.

Marido e mulher que dividem carro precisam ficar atentos

Um dos casos que mais geram dúvidas acontece dentro da própria família.

Imagine, por exemplo, que o marido apareça como condutor principal, mas a esposa também use o veículo várias vezes durante a semana. Nesse cenário, o proprietário precisa verificar como a seguradora exige que esse segundo motorista apareça no contrato.

A mesma atenção vale quando filhos começam a utilizar o carro dos pais com frequência.

Idade, tempo de habilitação e perfil do novo motorista também podem alterar o risco considerado pela seguradora. Um jovem recém-habilitado, por exemplo, pode representar um perfil diferente de outro integrante da família com características semelhantes às do condutor principal.

Por isso, não existe uma regra única para todas as situações.

Emprestar o carro ocasionalmente é diferente de compartilhar todos os dias

Outro ponto importante envolve a frequência de utilização.

Uma pessoa assumir o volante excepcionalmente durante uma viagem pode representar uma situação diferente daquela em que ela dirige o veículo diariamente.

É justamente por isso que o segurado precisa responder corretamente às perguntas feitas durante a contratação.

As condições da própria apólice determinam quem precisa aparecer como motorista principal, secundário ou eventual.

Além disso, o cliente não deve considerar apenas quem dirigia o automóvel quando comprou o seguro. A rotina pode mudar durante os meses seguintes.

Mudança de motorista deve ser informada à seguradora

Se outra pessoa passar a utilizar o carro regularmente, o segurado deve comunicar a mudança.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando o motorista principal enfrenta algum problema e deixa de dirigir durante um período prolongado. Caso a esposa, marido ou outro familiar assuma o veículo com frequência, pode ser necessário atualizar a apólice.

Carlos Valle orienta que o cliente procure a seguradora para verificar a necessidade de incluir essa pessoa ou até mesmo cadastrá-la como nova condutora principal.

Essa atualização ajuda a evitar uma discussão sobre o perfil do motorista somente depois de uma colisão, roubo ou outro sinistro.

Informação errada pode pesar na hora de receber a indenização

O questionário preenchido na contratação do seguro não serve apenas para definir o preço pago pelo cliente.

As respostas ajudam a seguradora a calcular o risco assumido. Por isso, informações incorretas ou que deixaram de refletir a rotina do veículo podem ganhar importância durante a análise de um pedido de indenização.

Nesse momento, a empresa pode verificar as circunstâncias do acidente e comparar os fatos com os dados informados na proposta.

Porém, uma eventual negativa depende das regras da apólice e das particularidades do caso.

Seguro também precisa considerar danos causados a outras pessoas

Valle também chama atenção para outro erro comum: contratar o seguro pensando apenas no valor do próprio automóvel.

Um acidente pode envolver despesas muito maiores.

Além da cobertura para colisão, roubo ou furto, o motorista deve observar os valores destinados à responsabilidade civil, que podem cobrir determinados danos materiais ou corporais causados a terceiros, conforme o contrato.

Serviços como assistência, guincho e carro reserva também merecem atenção antes da assinatura.

Para o presidente do Sincor-PE, o corretor exerce papel importante nesse processo ao conhecer a rotina do cliente e identificar situações que podem exigir uma cobertura diferente.

Como evitar problemas com o seguro do carro?

Quem possui um veículo compartilhado deve conferir a apólice e observar quem aparece como condutor do automóvel.

Se marido, esposa, filho ou outro familiar começou a dirigir o carro com frequência depois da contratação, o ideal é comunicar a mudança e confirmar diretamente com a seguradora ou corretor se será necessário alterar o perfil.

O cuidado pode parecer apenas burocrático, mas uma informação sobre quem realmente utiliza o carro pode se tornar decisiva justamente na hora de pedir uma indenização.

Por isso, manter os dados atualizados e entender as condições do contrato reduz o risco de descobrir uma restrição somente depois que o acidente já aconteceu.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

Leia também