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Secretário de Serviços da Serra não conhece a cidade e “faz trabalho de preguiçoso”, dizem vereadores

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Mari Nascimento
Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 18 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

A esquerda, Secretário de Serviços Ênio Bergoli; a direita o vereador Saulinho Neves. Foto: montagem web

O secretário de Serviço da Serra, Ênio Bergoli, está na mira de um bloco de vereadores. Isso porque a pasta da qual ele é o titular está dragando apenas parte do Córrego Doutor Robson, ao invés de desassorear toda a sua extensão, que compreende boa parte da região de Serra Sede e desagua na Lagoa Juara em Jacaraípe. Vereadores relataram à reportagem que esse fato foi à gota d’água para que o secretário fosse cobrado pela sua postura que demonstra ‘falta de diálogo e de humildade’.

O bloco de vereadores faz parte do grupo governista do prefeito Sérgio Vidigal, e tem os vereadores Saulinho Neves e Wellington Alemão como os mais críticos. Na semana passada, Saulinho subiu na tribuna da Câmara e trouxe o assunto à tona; ele reclamou que a limpeza e dragagem que está sendo feita são inadequadas e não vão impedir os alagamentos – problema que atinge historicamente as regiões de Vista da Serra e Cascata em épocas de chuvas fortes.

O vereador se referiu diretamente ao secretário de Serviços, Ênio Bergoli, pedindo que revisse a dragagem que neste momento está sendo feita na altura de Planalto Serrano, trecho do córrego que fica abaixo de Vista da Serra. Como resposta, a Sese disse que as críticas do vereador ‘não acrescentam em nada’ e tem viés político’, fato que irritou ainda mais os parlamentares.

Novamente na tribuna da Câmara, Saulinho subiu o tom contra Ênio, e disse que ele caiu de paraquedas na cidade.

“Secretário, eu cresci e sempre vivi nas ruas dessa comunidade e sei o que estou cobrando, ao contrário do senhor que caiu nessa cidade de paraquedas. Em março, quando fomos atingidos pelas fortes chuvas, eu estava lá, de perto dando atenção a população, enquanto você estava no seu condomínio… não sei se era em Vitória ou Vila Velha, só sei que não é na Serra […] então secretário eu não vivo por aí pelas ruas falando igual a você, que seu desejo é ser candidato […] esse secretário precisa ter mais humildade, que ele ‘seja o pai da criança’, mas que não deixe a população sofrer”, disse Saulinho.

E completou: “Sou aliado da gestão [Sérgio Vidigal], mas, jamais taparei meus olhos para a necessidade da população serrana, sugiro que ao senhor reveja seus conceitos e faça uma nova avaliação sobre a dragagem do córrego Doutor Robson… já se passaram 9 meses de gestão, tempo suficiente para se licitar e contratar esse serviço que ajudará o município a prevenir os alagamentos da cidade”, disse Saulinho.

Em seguida, o vereador Wellington Alemão pediu um aparte e disse que o secretário faz um trabalho de preguiçoso. “Eu também sou aliado da gestão e estou aqui para o bem da população, o que não podem é o morador ficar esperando. Será que vai esperar vir à enchente e para depois pegar uma máquina e colocar em Cascata e Vista da Serra? Está fazendo um trabalho de preguiçoso, porque está fazendo somente uma parte. Da onde começa a enchente que se inicia lá em Cascata, ele nem mexeu […] talvez ele não conheça a Serra, se chamar a gente, nós vamos lá e mostramos para ele”, disse.

O que o vereador Saulinho defende:

Na quarta-feira passada (01), o vereador conversou com a reportagem e aumentou o tom das críticas. “Eles chegaram  a limpar um pouquinho em Vista da Serra e Cascata, mas deixaram várias partes para trás e agora foram para Planalto Serrano. Além de estar fazendo a dragagem pela metade, a Prefeitura nem tem contrato para esse serviço, estão usando uma máquina emprestada pela Secretaria de Obras”, afirmou.

Saulinho foi além nas críticas. “O correto seria ter contrato específico para serviços de limpezas de canais. Por isso apresentei Projeto de Lei nessa direção, que acabou virando o Projeto Indicativo 179/21, que obriga a Prefeitura a fazer limpeza de todos os canais da cidade a cada seis meses. É bem mais barato que depois custear os efeitos das enchentes”, alfinetou.

O que disse a Sese:

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Serviços rebateu as críticas feitas pelo vereador. Disse que a limpeza e dragagem do córrego Doutor Róbson seguem diretrizes técnicas, sendo executadas com duas máquinas e equipes que também fazem remoção manual de detritos. Confira  íntegra da nota.

A Prefeitura da Serra lançou em janeiro de 2021 o Programa Serra Cidade Limpa e Saudável, em que uma das diversas ações é a limpeza de córregos, canais e valões no sentido de dar mais segurança às populações do município que residem nas proximidades dessas estruturas hídricas.

A gestão atual ampliou o quantitativo de equipes atuando nessa ação, contando com duas máquinas específicas e outras duas equipes manuais de limpeza. Nesse sentido, a atuação ocorre em quatro locais ao mesmo tempo, e toda a transparência é garantida por meio do Cronograma Semanal de Serviços, publicado no site www.serra.es.gov.br todos os domingos.

Nesta semana, por exemplo, as equipes manuais atuam no córrego Dr. Robson, em Planalto Serrano, e no canal de Nova Carapina I.  As máquinas atuam no Córrego Laripe, em Vila Nova de Colares, e no valão de Taquara II. Todos os trabalhos são agendados dentro de uma lógica técnica, substanciada em critérios que levam em consideração os serviços já realizados nessas estruturas hídricas, o grau de risco à população, a dimensão da bacia de contribuição, o grau de assoreamento, dentre outros.

Os trabalhos desenvolvidos no Córrego Dr. Robson seguem uma sequência técnica. Na região de Cascata já foram realizadas duas limpezas de vegetação neste ano, sendo a última em agosto. Registra-se que tecnicamente, o Córrego Dr. Robson, na região de Cascata, não comporta, neste momento, intervenção com máquina.

Na região de Vista da Serra I e II, também já foi realizada, somente neste ano, três intervenções de limpeza manual no Córrego Dr. Robson. Em uma ocasião recente, de forma mecanizada, foi realizado o desassoreamento do final da galeria, que se constituía em ponto crítico, impedindo a vazão total da água em períodos chuvosos. Também, neste momento, não há necessidade de desassoreamento com máquina nessa região, sob risco de danificar as bordas do canal e causar erosão, fatos que levam ao assoreamento, ao invés de desassorear.

Na região urbana de Planalto Serrano, as operações também ocorrem de forma manual pela terceira vez no ano. Após o perímetro urbano, já foi iniciado de forma inédita um desassoreamento com máquina, objetivando-se chegar até a Lagoa Juara, escoamento final do Córrego Dr. Robson.  Devido a acidente recente na BR 101, com derramamento de óleo, os órgãos ambientais estão atuando nesse trecho do Córrego e suspenderam, momentaneamente, o desassoreamento. Contudo, estima-se que essa operação retorne nas próximas semanas.

A Secretaria de Serviços atua em todas as microbacias hidrográficas do município da Serra com o objetivo maior de proteger as comunidades que vivem em risco nas margens de canais, córregos e valões. As ações serão ampliadas ainda mais sempre seguindo critérios e propósitos com fundamentação técnica, tendo em vista que esse assunto é muito impactante para grande parcela da população Serrana e que debates apenas sob viés político, não contribuem em nada para qualificar os trabalhos.

Mari Nascimento
Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 18 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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