Rombo ligado a Daniel Vorcaro é maior que o PIB da Serra

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Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, no centro das discussões após liquidações de instituições financeiras que devem gerar impacto bilionário no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Foto: divulgação.

O rombo bilionário provocado pela liquidação de instituições financeiras ligadas ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, ultrapassa o tamanho de toda a economia da cidade da Serra, município que possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado.

Segundo estimativas divulgadas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e citadas em reportagem do G1, apenas as liquidações dos bancos Master, Will Bank e Pleno devem gerar um impacto de R$ 51,8 bilhões no fundo.

Para efeito de comparação, dados oficiais do PIB dos municípios de 2023, divulgados no fim de 2025, mostram que toda a atividade econômica da Serra naquele ano somou R$ 37,6 bilhões.

Ou seja, o rombo provocado pelas instituições financeiras é cerca de R$ 14 bilhões maior que toda a economia anual do município capixaba.

Serra é a maior economia do Espírito Santo

Desde 2021, a Serra ocupa a primeira posição no ranking econômico do Espírito Santo, impulsionada principalmente pela força da indústria e do setor de serviços.

O município também é o mais populoso do estado, com quase 600 mil habitantes, e concentra uma das maiores bases industriais do Sudeste brasileiro.

A cidade abriga grandes empresas nacionais e multinacionais, entre elas:

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  • ArcelorMittal Tubarão, considerada a empresa mais lucrativa do Espírito Santo segundo o Anuário IEL 200 Maiores e Melhores Empresas do ES 2025
  • Fortlev, cuja matriz está localizada no município
  • Biancogres
  • Extrabom, rede varejista cuja matriz também está na cidade
  • Braspress
  • Cedisa
  • Perfilados Rio Doce
  • Fibrasa

Além disso, a Serra possui forte atividade logística e industrial, consolidando-se como um dos principais polos produtivos do Espírito Santo.

Economia forte e grande mercado de trabalho

Os números ajudam a dimensionar o peso econômico da Serra e também a dimensão do rombo associado ao caso do Banco Master. De acordo com dados do Caged, o município concentra 160.268 trabalhadores com carteira assinada.

Já os registros empresariais indicam a existência de mais de 86 mil CNPJs ativos em 2024, número que deve ter aumentado nos últimos meses.

Com esse conjunto de fatores, indústria pesada, logística, comércio e serviços, a cidade se consolidou como o principal motor econômico do Espírito Santo. Ainda assim, o valor estimado do rombo ligado ao Banco Master supera a soma de toda a atividade econômica anual gerada pela Serra.

PIB da Serra deve crescer ainda mais

A tendência é que a economia da Serra continue em expansão.

Projeções apresentadas pelo pesquisador Pablo Lira, presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), indicam que o PIB do município pode chegar a R$ 52,2 bilhões em 2026.

Mesmo com essa projeção de crescimento, o valor ainda fica muito próximo do tamanho do rombo estimado nas liquidações bancárias ligadas ao Banco Master de Daniel Vorcaro.

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma de todas as riquezas produzidas por uma cidade, estado ou país ao longo de um ano.

O indicador inclui atividades industriais, comércio, serviços e produção agropecuária. Por isso, ele é considerado a principal medida para avaliar o tamanho de uma economia.

Quando se compara um rombo financeiro com o PIB de um município, a ideia é dimensionar o impacto econômico envolvido.

Entenda o caso do rombo no sistema financeiro

O rombo está relacionado às liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central em instituições financeiras ligadas ao Banco Master do banqueiro Daniel Vorcaro.

Até agora, pelo menos sete instituições vinculadas ao conglomerado tiveram a liquidação decretada.

Segundo o FGC, já foram pagos R$ 38,4 bilhões em garantias a cerca de 675 mil credores.

O fundo também estima pagamentos adicionais de:

  • R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank
  • R$ 4,9 bilhões referentes ao Banco Pleno

Com isso, o impacto total estimado chega aos R$ 51,8 bilhões.

Bancos anteciparam contribuições ao fundo

Para reforçar o caixa do sistema de garantia, as instituições financeiras que integram o FGC decidiram antecipar cinco anos de contribuições ao fundo.

Ao todo, serão R$ 32,5 bilhões recolhidos no dia 25 de março, medida que busca preservar a estabilidade do sistema financeiro.

Antes da crise envolvendo o Banco Master, o fundo possuía mais de R$ 140 bilhões em caixa para cobrir emergências no sistema bancário.

Especialistas defendem que o episódio pode levar a mudanças no modelo de financiamento do FGC, principalmente para que instituições consideradas mais arriscadas passem a contribuir com valores maiores.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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