Um novo tipo de radar que já começa a ganhar espaço em rodovias brasileiras promete mudar a forma como o excesso de velocidade é fiscalizado. Diferente dos equipamentos tradicionais, que registram apenas a velocidade em um ponto específico da via, a tecnologia calcula a velocidade média do veículo ao longo de todo um trecho monitorado.
O sistema funciona por meio de dois radares instalados em locais diferentes. Ao passar pelo primeiro equipamento, o horário é registrado. Quando o veículo cruza o segundo ponto, o sistema calcula quanto tempo foi gasto no percurso e determina a velocidade média mantida durante o trajeto.
A tecnologia está sendo testada na BR-101, no Espírito Santo, pela concessionária Ecovias Capixaba. Logo nos primeiros dias de monitoramento, um caso chamou a atenção. Em um trecho de Sooretama, no Norte do Estado, onde o limite permitido é de 60 km/h devido à proximidade com área de preservação ambiental, um motorista foi identificado trafegando com velocidade média de 124 km/h.
Segundo o diretor-superintendente da Ecovias Capixaba, Roberto Amorim, a proposta é combater uma prática comum entre alguns condutores: reduzir a velocidade apenas ao passar pelo radar e acelerar novamente logo em seguida.
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“Sabemos que hoje as pessoas chegam no radar, diminuem a velocidade, passam pelo radar e aceleram de novo. Então, estamos com um projeto em Sooretama onde são dois radares, que calculam a velocidade média. Só para ter noção, em Sooretama temos 60 km/h, por conta da Reserva. Flagramos um usuário da rodovia que estava a 124 km/h na velocidade média. E ele não ultrapassou a velocidade nos dois radares, mas manteve a média de 124 km/h”, afirmou.
Radar de velocidade média ainda está em fase de testes
Apesar do monitoramento já estar em funcionamento, os testes ainda têm caráter educativo e não resultam em multas. Isso porque a legislação brasileira atualmente não prevê autuação com base no cálculo de velocidade média entre dois pontos da rodovia, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
“Hoje não se pode multar, mas acho que isso mostra um pouco essa questão do trânsito e da ética, o cuidado que temos que ter. Não adianta só a fiscalização, temos que ter a noção do impacto que causa na vida dos outros quando eu me coloco em risco e coloco outras pessoas em risco”, completou Amorim.
Motorista teria sido multado em R$ 880
Caso um motorista fosse flagrado por um radar convencional trafegando a 124 km/h em uma via limitada a 60 km/h, a infração seria considerada gravíssima, com multa de R$ 880,41 e suspensão do direito de dirigir, já que a velocidade estaria mais de 50% acima do permitido.
A Ecovias é responsável pela operação dos equipamentos e pelo fornecimento da tecnologia utilizada nos testes. Já a fiscalização oficial e a aplicação de penalidades continuam sendo atribuições dos órgãos competentes, como a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A própria PRF reforça que, atualmente, não existe previsão legal que permita a emissão de multas utilizando exclusivamente o sistema de velocidade média.
