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Gigantes dos supermercados e farmácias anunciam fim da escala 6×1 para todos os funcionários

Grandes redes começaram a anunciar o fim da escala 6x1 para todos os funcionários.
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Escala 6x1 Funcionários Supermercados Farmácias
Grandes redes começaram a anunciar o fim da escala 6x1 para todos os funcionários. Crédito: Divulgação
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A escala 6×1 começou a ser eliminada em algumas das maiores empresas do varejo brasileiro. Redes de supermercados e farmácias decidiram reorganizar os turnos para permitir que funcionários trabalhem cinco dias e tenham duas folgas por semana.

A mudança mais ampla ocorreu na RD Saúde, responsável pelas farmácias Drogasil e Raia. A companhia implantou a escala 5×2 em todas as suas mais de 3,5 mil lojas espalhadas pelo Brasil. Com isso, todos os funcionários da operação das farmácias passaram a trabalhar cinco dias por semana.

Além disso, uma gigante do setor supermercadista anunciou um calendário para acabar com a escala 6×1 em todas as unidades. O Grupo Supernosso pretende concluir a implantação do novo modelo em agosto, alcançando aproximadamente 4,8 mil trabalhadores.

As decisões chamam atenção porque supermercados e farmácias costumam funcionar durante todos os dias da semana. Portanto, a adoção de duas folgas exige mudanças nos horários das lojas, nos turnos e na distribuição das equipes, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Apesar do avanço entre grandes empresas, a escala 5×2 ainda não se tornou obrigatória no Brasil. Cada companhia pode adotar o modelo por decisão própria ou por meio de negociação coletiva.

Rede de farmácias adota escala 5×2

A RD Saúde começou a testar a nova jornada no segundo semestre de 2025. Inicialmente, a companhia ofereceu duas folgas semanais para gerentes, lideranças e profissionais farmacêuticos.

Posteriormente, a empresa ampliou o formato para os demais trabalhadores das lojas. Atualmente, a escala 5×2 está presente em toda a rede de farmácias Raia e Drogasil.

A companhia reúne mais de 70 mil colaboradores no Brasil, considerando lojas, centros de distribuição, escritórios e outras áreas. A mudança nas farmácias buscou reduzir a saída de profissionais, aumentar a atratividade das vagas e melhorar a organização da rotina dos funcionários.

No entanto, a adoção da escala 5×2 não reduziu automaticamente a jornada semanal. Os empregados continuam cumprindo até 44 horas por semana, mas trabalham durante cinco dias, com expedientes diários mais longos.

Segundo informações divulgadas pela empresa, a reorganização ocorreu sem aumento significativo nos custos da operação. Ainda assim, a companhia avalia que uma futura redução obrigatória da jornada para 40 horas semanais exigiria novos ajustes.

Rede de supermercados anuncia fim da escala 6×1 para todos os funcionários

O Grupo Supernosso também decidiu ampliar a escala 5×2 depois de realizar um projeto-piloto em três lojas da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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O teste começou em março de 2026 e envolveu aproximadamente 500 empregados. Após avaliar os primeiros resultados, a empresa anunciou que levaria o modelo para todas as 45 unidades das bandeiras Supernosso e Apoio Mineiro.

A expansão ocorre em etapas. O planejamento estabeleceu a entrada de mais lojas em junho e julho. Por fim, as 18 unidades restantes devem adotar a escala 5×2 em 3 de agosto. Assim, todos os 4,8 mil trabalhadores das lojas serão alcançados pelo novo modelo.

A rede manteve as 44 horas semanais. Por isso, a jornada diária passou de aproximadamente 7 horas e 20 minutos para 8 horas e 48 minutos.

Por outro lado, os empregados passaram a contar com duas folgas por semana. O trabalho aos domingos ocorre por meio de rodízio, enquanto algumas lojas reduziram o horário de atendimento.

De acordo com a empresa, a mudança melhorou a retenção de funcionários e tornou as vagas mais atrativas. Além disso, as vendas não diminuíram, embora parte dos clientes tenha mudado o horário das compras.

Supermercado também amplia duas folgas semanais

No Espírito Santo, o Grupo Coutinho iniciou um projeto semelhante nas redes Extrabom, Atacado Vem e Extraplus.

A experiência começou em três lojas do Extrabom, localizadas em Laranjeiras, na Serra; Praia das Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória. Mais de 400 trabalhadores dessas unidades já passaram a atuar no formato 5×2.

Depois dos primeiros resultados, o grupo anunciou a implantação gradual do novo modelo nas lojas capixabas. A expectativa é alcançar mais de 5 mil empregados, o equivalente a aproximadamente 80% dos 6,8 mil funcionários da companhia.

Nesse caso, portanto, a mudança não alcançará necessariamente todos os trabalhadores. Algumas funções administrativas, logísticas ou com jornadas específicas podem permanecer em outros modelos.

Mesmo assim, o plano representa uma das maiores mudanças de escala já anunciadas pelo setor supermercadista no Espírito Santo.

Supermercados fechados aos domingos

Outra transformação importante começou em março de 2026. Supermercados, mercados e atacarejos do Espírito Santo deixaram de abrir aos domingos por causa de uma convenção coletiva firmada entre representantes dos trabalhadores e das empresas.

O acordo vale inicialmente entre 1º de março e 31 de outubro de 2026. Durante esse período, os empregados do setor supermercadista não podem ser escalados para trabalhar aos domingos.

A regra alcança grandes empresas, como Supermercados BH, Carrefour, Atacadão, Assaí, Extrabom e outras redes que atuam no estado.

No caso do Supermercados BH, a empresa informou que a folga fixa aos domingos ajudou a diminuir a rotatividade dos funcionários nas unidades capixabas. A rede possui mais de 40 lojas no Espírito Santo.

Entretanto, fechar aos domingos não significa, obrigatoriamente, adotar a escala 5×2. Cada empresa ainda precisa distribuir os demais dias de trabalho e respeitar os limites previstos nos contratos e nas convenções coletivas.

Por que as empresas estão acabando com a escala 6×1?

A dificuldade para contratar e manter profissionais tornou-se um dos principais desafios do varejo. Supermercados, farmácias, restaurantes e lojas precisam preencher vagas operacionais, mas muitos candidatos passaram a priorizar oportunidades com mais tempo de descanso.

Nesse cenário, a escala 5×2 virou uma ferramenta para atrair trabalhadores. Ao oferecer duas folgas, as empresas tentam diminuir faltas, afastamentos e pedidos de demissão.

A folga adicional também permite que o funcionário tenha mais tempo para compromissos pessoais, estudos, cuidados com a saúde e convivência familiar.

Para as empresas, porém, a mudança exige planejamento. As redes precisam reorganizar equipes, ampliar turnos ou reduzir o horário das lojas para manter o atendimento sem elevar excessivamente os custos.

Fim da escala 6×1 já virou lei?

O fim da escala 6×1 ainda não se tornou uma regra nacional. Portanto, empresas brasileiras continuam autorizadas a utilizar esse modelo, desde que respeitem a jornada máxima, os períodos de descanso e os acordos coletivos.

A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, uma proposta que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso, sem diminuição salarial.

O texto seguiu para o Senado, onde permanece em tramitação. Até a conclusão da análise e uma eventual promulgação, nenhuma mudança automática será aplicada aos contratos de trabalho.

A proposta prevê uma transição. Primeiro, a carga máxima passaria de 44 para 42 horas semanais. Posteriormente, o limite chegaria a 40 horas, mantendo dois dias de repouso remunerado.

Além da proposta constitucional, o Congresso analisa outros projetos relacionados à redução da jornada e à organização do descanso semanal.

Escala 5×2 pode avançar para outras redes de supermercados e farmácias

A implantação do modelo por empresas de grande porte aumenta a pressão sobre concorrentes. Quando uma rede oferece duas folgas, outras companhias do mesmo setor podem enfrentar dificuldades para contratar trabalhadores mantendo apenas um dia de descanso.

Por esse motivo, novas empresas podem anunciar projetos-pilotos ou ampliações da escala 5×2 nos próximos meses.

A transformação, contudo, deve ocorrer de forma diferente em cada setor. Algumas redes manterão as 44 horas semanais e aumentarão o expediente diário. Outras poderão reduzir a carga horária ou contratar mais funcionários.

Por enquanto, o fim da escala 6×1 não alcança todos os brasileiros. No entanto, a decisão de gigantes das farmácias e dos supermercados mostra que a mudança já saiu do debate político e começou a alterar a rotina de milhares de trabalhadores.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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