A estreia de A Casa do Patrão na Record TV na segunda, 27, era cercada de expectativas. Afinal, tratava-se do primeiro grande projeto de Boninho após sua saída da Globo, prometendo trazer o “toque de Midas” do entretenimento para a emissora da Barra Funda. No entanto, o que se viu nas telas, e o que ecoou nas redes sociais, foi um balde de água fria tecnológico. E um detalhe chamou a atenção do público: a qualidade das imagens.
Mas por que, em pleno 2026, um reality de alto investimento parece ter sido gravado com câmeras de duas décadas atrás?
Qualidade da imagem da Casa do Patrão gera críticas na web
Um dos maiores erros da produção reside na coloração e na baixa fidelidade visual. Enquanto o público acabou de sair de um BBB 26 com imagens cristalinas, HDR e um color grading que valoriza cada detalhe do cenário, a Casa do Patrão entregou uma estética que muitos internautas compararam aos primórdios dos reality shows no Brasil.
O problema não é apenas a resolução, mas o processamento. A imagem da Record carece do tratamento de cor cinematográfico que a Globo domina. O resultado é uma luz “chapada”, sem profundidade, que faz o cenário parecer artificial e a pele dos participantes assumir tons lavados ou excessivamente avermelhados. Como citou a usuária Carol Carolina no X: “Uma zona sem fim, câmera de qualidade baixa… Boninho desceu pro fundo do poço”. “Até a câmera do meu celular é melhor”, disse outra telespectadora.
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A parceria com o Disney+ para o sinal 24 horas, que deveria ser um diferencial, se tornou um pesadelo logístico. Relatos de telas congeladas e travamentos constantes (os famosos buffering) indicam que a infraestrutura de codificação do sinal não está suportando a demanda ou não foi devidamente otimizada.
“A tela congela o tempo todo, precisam resolver isso”, reclamou uma internauta, marcando os perfis oficiais.
Além disso, a interface de usuário foi duramente criticada. A dificuldade em trocar de câmeras, algo que no Globoplay é intuitivo, na nova plataforma exige que o espectador saia e volte ao menu, quebrando a imersão que um reality 24h exige.
A comparação com a Globo é inevitável e cruel. A emissora carioca utiliza uma taxa de bits (bitrate) muito superior, garantindo que mesmo em cenas de grande movimentação a imagem não se desfaça em “quadradinhos”. Na Casa do Patrão, a sensação é de que a compressão do vídeo é agressiva demais, sacrificando a nitidez em prol de um custo de banda menor.
Para que o programa de Boninho saia do “flop” e alcance o sucesso esperado, a Record precisará lapidar pontos essenciais de sua engenharia de imagem. No jogo da audiência, a primeira impressão é a que fica, e a imagem da Casa do Patrão precisa urgentemente de um banho de tecnologia para não ser lembrada apenas como uma “cópia de baixa resolução” do que o diretor costumava entregar.
