A Polícia Civil do Espírito Santo investiga uma possível ameaça em escola na Serra e decidiu, pela primeira vez, falar abertamente sobre esse tipo de caso. A corporação apresentou a investigação em coletiva nesta quarta-feira (26), em Vitória, pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). Segundo os delegados, tudo começou quando uma adolescente de 14 anos publicou mensagens em tom ameaçador em uma rede social.
Como surgiu a ameaça em escola na Serra
A jovem estudava antes em uma escola municipal de Vila Velha e hoje frequenta uma unidade estadual na Serra. Em uma publicação, ela usou a foto de uma sala de aula e escreveu que sofria bullying havia muito tempo, que não aguentava mais e que os colegas “pagariam para ver”. Depois, a polícia constatou que a imagem tinha sido tirada da internet e não mostrava a escola dela. Ainda assim, os investigadores levaram o caso a sério.
No curso da investigação, a jovem afirmou que havia baixado a imagem da internet e que a publicação seria uma “brincadeira”. A polícia, porém, não trata esse tipo de justificativa como um fato isolado. “Foram uma série de frases que, pela metodologia com que trabalhamos, baseada no Serviço Secreto dos Estados Unidos, poderiam escalar para algo mais grave. Por isso, a gente atuou antes”, destacou o delegado.
Como a investigação chegou até a adolescente
A apuração sobre a ameaça em escola na Serra nasceu de um relatório técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (CiberLab), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Pelo monitoramento das próprias redes sociais, a publicação chegou ao órgão federal e, em seguida, à Polícia Civil no Espírito Santo. Por causa da urgência, os delegados foram até a casa da adolescente em vez de pedir mandado de busca. Na quarta-feira anterior, dia 20, a mãe e a filha atenderam à intimação e prestaram depoimento. A mãe entregou o celular da menor, e a equipe lacrou o aparelho e o encaminhou à Polícia Científica para perícia.
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Por que a polícia mudou de postura
Durante anos, a Polícia Civil evitava divulgar casos de ameaça em escola na Serra e no restante do estado. O receio era provocar o chamado efeito copycat, quando outra pessoa vê a notícia e tenta repetir o ato. Com o tempo, porém, os delegados perceberam um efeito contrário. O silêncio passou a criar uma falsa sensação de tranquilidade, principalmente depois do ataque em Aracruz (25 de novembro de 2022).
Por isso, a corporação decidiu comunicar as ações de forma educativa, sem expor a identidade dos envolvidos. O delegado Brenno Andrade, titular da DRCC, reforçou que a polícia nunca trata esses episódios como brincadeira. A metodologia acompanha sinais de comportamento que podem se acumular e, no futuro, desencadear algo mais grave.
O recado para escolas e famílias
Mais do que relatar o caso, os delegados quiseram deixar um alerta. Para eles, campanhas pontuais de um ou dois meses não resolvem o problema do bullying e do cyberbullying. O combate precisa ser contínuo e fazer parte do programa das escolas o ano inteiro. A polícia também cobrou mais atenção das famílias. Segundo os investigadores, quando os pais não acompanham o que os filhos veem nas redes, alguém acaba ocupando esse espaço, muitas vezes um criminoso. Ainda assim, a orientação é priorizar o diálogo e o acolhimento antes da punição, tanto em casa quanto na escola. A punição imediata, avaliam, pode afastar o adolescente e dificultar novos relatos.
Como próximo passo, a Polícia Civil vai ouvir a direção e a equipe pedagógica da escola, sem intenção de punir, apenas para entender melhor o caso. Os delegados lembram ainda que o trabalho policial chega quando o problema já está avançado. Antes disso, dizem, o acompanhamento de pais, escolas e profissionais de saúde mental é o que pode evitar que a situação chegue a esse ponto.

