Uma das maiores fabricantes de bens de consumo do planeta iniciou uma transformação que já começa a mudar sua estrutura, reduzir equipes e retirar produtos conhecidos das prateleiras de alguns países.
A Procter & Gamble (P&G), responsável por marcas como Oral-B, Gillette, Pampers, Ariel, Pantene e Head & Shoulders, colocou em prática um plano que prevê a eliminação de aproximadamente 7 mil postos de trabalho.
Ao mesmo tempo, a multinacional começou a abandonar determinadas categorias de produtos e até encerrou sua estrutura própria de fabricação em um de seus mercados.
As mudanças fazem parte de uma reorganização anunciada em 2025. A companhia pretende executar a maior parte do programa até o encerramento do ano fiscal de 2027.
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Apesar do tamanho da operação, a decisão não significa o fim mundial de marcas como Gillette, Oral-B ou Pampers. A P&G concentra os cortes em produtos, formatos e mercados específicos.
Dona da Oral-B, Pampers e Gillette prepara demissão de 7 mil funcionários
A redução de pessoal representa uma das partes mais importantes da reestruturação.
A P&G anunciou a eliminação de aproximadamente 7 mil empregos ao longo de dois anos. Quando apresentou o plano, esse contingente correspondia a cerca de 6% de toda a força de trabalho global da companhia.
O impacto, porém, não ficará concentrado nas linhas de produção.
Segundo a empresa, os cortes equivalem a aproximadamente 15% dos funcionários que atuavam fora das áreas industriais. Dessa forma, a redução alcança principalmente funções corporativas, administrativas e de suporte.
Com equipes menores, a multinacional busca simplificar sua estrutura, acelerar decisões e diminuir despesas.
Além disso, a companhia revisa sua cadeia de abastecimento e avalia quais produtos ainda fazem sentido em cada mercado.
Demissões já geraram centenas de milhões de dólares em custos
O programa deixou de ser apenas uma promessa e já aparece nas contas da empresa.
Nos nove meses encerrados em março de 2026, a P&G contabilizou US$ 455 milhões em despesas relacionadas à saída de funcionários.
Quando entram na conta outros gastos ligados à reestruturação, incluindo ativos e diferentes ajustes operacionais, o valor alcançou US$ 782 milhões no período.
Em julho de 2026, a companhia informou que já havia reconhecido mais da metade dos custos estimados para todo o programa durante o exercício fiscal anterior.
A expectativa é registrar boa parte das despesas restantes ao longo do ano fiscal de 2027.
Produtos famosos começam a deixar alguns mercados
O plano da P&G não envolve somente funcionários.
A empresa também decidiu reduzir o próprio portfólio e abandonar determinadas marcas, apresentações de produtos e formas de comercialização em regiões nas quais pretende operar de maneira mais enxuta.
Algumas dessas mudanças já aconteceram.
Nas Filipinas, categorias associadas a Pampers, Whisper e Tide entraram em processo de retirada.
A reorganização começou a ganhar força no fim de 2025 e avançou durante 2026.
Assim, consumidores daquele mercado passaram a encontrar menos produtos de marcas que durante anos tiveram presença relevante nas lojas.
Pampers tem produção e venda encerradas em mercado
Entre as decisões mais significativas está a retirada de Pampers nas Filipinas.
A P&G decidiu interromper a produção e a comercialização da categoria no país.
A própria marca comunicou que faria uma retirada gradual dos produtos.
A decisão chama atenção porque Pampers está entre os nomes mais conhecidos do portfólio mundial da Procter & Gamble.
No entanto, a mudança não representa o encerramento global da marca.
A empresa continua comercializando Pampers em diferentes partes do mundo e mantém a marca entre seus principais negócios internacionais.
Ariel e Tide também tiveram produtos descontinuados
As mudanças alcançaram ainda o segmento de limpeza de roupas.
A companhia decidiu abandonar o negócio de detergentes e sabões em barra para roupas em mercados como Índia e Filipinas.
Nas Filipinas, a medida alcançou apresentações das marcas Tide e Ariel.
Nesse caso, novamente, a P&G não encerrou as marcas mundialmente.
A empresa apenas decidiu deixar de fabricar ou comercializar determinados formatos nesses mercados.
Enquanto reduz algumas linhas, a multinacional mantém outros produtos das mesmas marcas em países considerados estratégicos.
Outra marca deixa as prateleiras
A Whisper também entrou na reorganização.
A marca de cuidados femininos deixou o mercado filipino dentro do mesmo movimento que atingiu Pampers e algumas apresentações destinadas à lavagem de roupas.
A retirada ocorreu gradualmente.
Comerciantes começaram a perceber redução na disponibilidade dos produtos depois do início do processo, ainda no fim de 2025.
A estratégia mostra que a P&G está disposta a abrir mão até mesmo de nomes conhecidos quando entende que determinado negócio não oferece o retorno esperado naquele mercado.
Outros produtos ainda podem deixar de existir em determinados países
A revisão do portfólio continua.
Nos resultados divulgados em julho de 2026, a companhia reconheceu que novas descontinuações devem influenciar seu desempenho durante o exercício fiscal de 2027.
A empresa calcula que retiradas de marcas, apresentações e modelos de comercialização podem reduzir entre 0,3 e 0,5 ponto percentual o crescimento orgânico previsto para o período.
Isso indica que outras mudanças poderão aparecer.
Entretanto, a P&G não divulgou uma relação completa das próximas marcas ou produtos que pretende retirar.
Portanto, não há confirmação de encerramento de Gillette, Oral-B, Pantene ou Head & Shoulders, por exemplo.
Dona da Oral-B, Pampers e Gillette também encerrou produção própria em um país
Outra mudança importante aconteceu no Paquistão.
Em outubro de 2025, a P&G decidiu encerrar suas próprias atividades de fabricação e comercialização no país.
A decisão também alcançou a estrutura da Gillette Pakistan.
Nesse caso, a multinacional mudou a forma de trabalhar no mercado em vez de simplesmente retirar todas as suas marcas.
A companhia passou a utilizar distribuidores terceirizados, que podem abastecer consumidores com produtos fabricados em outras operações.
Dessa forma, itens de marcas como Gillette, Ariel, Pampers, Pantene, Head & Shoulders e Oral-B podem continuar disponíveis mesmo sem uma estrutura industrial própria da P&G no país.
O movimento revela outra frente da estratégia da multinacional: reduzir custos fixos em determinados mercados e manter presença comercial por meio de parceiros.
Oral-B e Gillette não serão encerradas
Apesar de Oral-B e Gillette estarem entre as marcas mais famosas da companhia, não existe anúncio de encerramento global dessas linhas.
As duas continuam fazendo parte do portfólio da Procter & Gamble.
O mesmo ocorre com Pampers, Ariel, Pantene, Head & Shoulders e Tide.
Portanto, a reestruturação não representa uma retirada generalizada das principais marcas da empresa.
A multinacional analisa cada mercado separadamente e decide quais produtos, formatos ou operações devem continuar.
O que acontece com Oral-B, Gillette e Pampers no Brasil?
No Brasil, até o momento, não existe anúncio de encerramento de marcas como Oral-B, Gillette, Pampers ou Ariel em decorrência desse programa.
Também não há informação de que os 7 mil postos anunciados pela companhia estejam concentrados no país.
A P&G não apresentou uma divisão completa das demissões por mercado.
Os principais encerramentos de produtos conhecidos anunciados até agora envolvem outros países, especialmente as Filipinas.
Já no Paquistão, a companhia encerrou sua estrutura própria e adotou um novo modelo de distribuição.
Portanto, consumidores brasileiros continuam encontrando normalmente as principais marcas da multinacional.
P&G continua sendo uma empresa bilionária
Os cortes de empregos e produtos também não significam que a Procter & Gamble esteja entrando em falência.
A companhia terminou o exercício encerrado em junho de 2026 com aproximadamente US$ 87 bilhões em vendas.
O faturamento avançou cerca de 3% na comparação anual.
Além disso, a multinacional registrou aproximadamente US$ 16,1 bilhões em lucro líquido e gerou US$ 19,6 bilhões em fluxo de caixa operacional.
Dessa forma, a reestruturação ocorre em uma empresa que continua altamente lucrativa.
A P&G busca melhorar margens, reduzir despesas e concentrar recursos nos negócios que considera mais promissores.
Aumento de custos pressiona a dona da Oral-B, Pampers e Gillette
Mesmo com lucros bilionários, a multinacional enfrenta um cenário mais desafiador.
Para o exercício fiscal de 2027, a companhia estima um impacto de aproximadamente US$ 1 bilhão após impostos relacionado ao aumento de custos com matérias-primas, transporte e energia.
Ao mesmo tempo, o consumidor passou a buscar alternativas mais baratas em vários mercados.
Isso aumenta a disputa entre marcas tradicionais e produtos de fabricantes locais ou marcas próprias de grandes redes varejistas.
Nesse cenário, a P&G decidiu trabalhar com uma estrutura mais enxuta e direcionar investimentos para categorias capazes de entregar maior retorno.
Reestruturação continuará em 2027
O programa ainda não chegou ao fim.
A Procter & Gamble calcula que toda a reorganização custará entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão antes dos impostos ao longo de aproximadamente dois anos.
Durante esse período, a companhia seguirá reduzindo equipes, revendo operações e analisando quais produtos devem permanecer em cada mercado.
Na prática, uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo combina a demissão de 7 mil funcionários com uma ampla redução de portfólio.
Pampers e Whisper já tiveram categorias retiradas de um mercado importante. Ariel e Tide perderam determinadas apresentações. Além disso, a P&G encerrou sua estrutura própria de produção em outro país.
Por enquanto, porém, Gillette, Oral-B, Pampers, Ariel e outras marcas conhecidas continuam no portfólio global da empresa e seguem normalmente no mercado brasileiro.
