Megaoperação prende chefão do crime na Serra e deixa três mortos

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Serra Chefão do crime
Luiz Fernando de Jesus Santos Brum foi preso pela Polícia Civil. Crédito: Divulgação

Uma operação da Polícia Civil do Espírito Santo, realizada na manhã desta quinta-feira (29), resultou na prisão de Luiz Fernando, considerado o principal braço armado do Primeiro Comando de Vitória (PCV) no município da Serra. A ação ocorreu na localidade conhecida como Pantanal, no bairro Serra Dourada II, e terminou em confronto armado, com cinco suspeitos baleados, sendo que três deles morreram.

Segundo o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, a operação foi fruto de trabalho intenso de inteligência e monitoramento estratégico iniciado de forma ininterrupta desde a última segunda-feira.

Monitoramento com drones e cerco tático

De acordo com o delegado, desde as 6h da manhã desta quinta-feira, equipes da DHPP monitoravam Luiz Fernando com o uso de drones. Por volta das 10h30, os policiais visualizaram o momento em que o suspeito entrou em uma residência usada como base do tráfico de drogas. No entorno do imóvel, cerca de 15 indivíduos armados faziam a escolta do alvo.

Diante do risco de fuga pela mata e da forte presença de criminosos armados, a Polícia Civil acionou o helicóptero do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), enquanto equipes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e da DHPP avançaram por rotas distintas, cercando o local.

“O bairro Serra Dourada II, especialmente a localidade do Pantanal, já é conhecido pela dificuldade de acesso e pelo alto poder bélico dos criminosos. Eles possuem olheiros que avisam a chegada das viaturas, o que exige operações muito bem planejadas”, explicou o delegado.

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Confronto armado na Serra

Ainda segundo Rodrigo Sandi Mori, ao chegarem ao imóvel, os policiais foram recebidos a tiros. Mesmo após ordens de rendição, os suspeitos optaram pelo confronto.

“Eles escolheram o confronto. O resultado foi esse: cinco baleados, três óbitos, o alvo número um da operação preso, mesmo após ser baleado na perna”, afirmou.

Entre os mortos está um homem conhecido como “Cara de Mulher”, oriundo de Cidade Pomar, que já era investigado por homicídios e possuía mandado de prisão em aberto. Também foram identificados dois irmãos gêmeos que atuavam na escolta armada de lideranças do tráfico do bairro Pantanal e de Luiz Fernando, um deles morreu e o outro foi preso.

Armamento pesado e drogas apreendidas

Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu um fuzil calibre 5.56, utilizado por Luiz Fernando em diversos ataques criminosos na Serra, além de pistolas Glock com seletor de rajada, mira laser e grande quantidade de munições calibres 9mm e 5.56.

Também foram apreendidos entorpecentes, radiocomunicadores e aparelhos celulares, que serão submetidos à extração de dados para aprofundar o mapeamento da estrutura da organização criminosa que atua na região do Pantanal.

“Todos os indivíduos presos hoje estavam envolvidos diretamente com o tráfico de drogas e já eram mapeados pela nossa delegacia”, destacou o delegado.

Histórico de crimes violentos

Luiz Fernando, também conhecido pelos apelidos “Barba” ou “Pezão”, era considerado o alvo número um da DHPP Serra. Inicialmente integrante do TCP, no bairro Jacaraípe, ele migrou para o PCV após desentendimentos internos, passando a atuar como linha de frente nos ataques da facção no município.

Entre os crimes atribuídos a ele estão homicídios em Balneário de Carapebus, incluindo o ataque que resultou na morte da criança Alice, em agosto do ano passado. Ele também é apontado como responsável por um duplo homicídio e uma tentativa de homicídio ocorridos em setembro, quando criminosos se passaram por policiais civis para executar vítimas dentro de uma residência.

Outro crime citado pela polícia foi a execução do antigo chefe do tráfico da Rua 15, além de um ataque ocorrido em janeiro deste ano, no bairro Santo Antônio, quando duas pessoas morreram e uma ficou ferida após disparos de fuzil.

Segundo o delegado, a prisão evitou novos ataques. “No deslocamento para a delegacia, ele mesmo afirmou que, se não fosse preso, um novo ataque de grandes proporções já estava sendo preparado para a noite de hoje”, relatou.

Recado da Polícia Civil

Rodrigo Sandi Mori ressaltou que a imensa maioria das operações da DHPP Serra ocorre sem disparos, graças ao trabalho de inteligência. No entanto, reforçou que confrontos terão resposta firme.

“O recado é claro: facção nenhuma vai se instalar no município da Serra. Os homicídios estão sendo mapeados e todos os envolvidos serão presos. Quando houver incursão policial, rendam-se. O confronto leva a esse tipo de desfecho”, afirmou.

A operação contou com apoio da Core e do Notaer. O atendimento à imprensa foi realizado na sede da DHPP da Serra, em Rosário de Fátima.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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