E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Líder de vendas no Brasil, Heineken demite 6 mil funcionários e para de produzir cerveja em fábrica histórica

A Heineken demitiu 6 mil funcionários e vai parar de produzir cerveja em fábrica histórica.
Compartilhe:
Heineken Cerveja Fábrica
A Heineken demitiu 6 mil funcionários e vai parar de produzir cerveja em fábrica. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Uma das cervejas mais vendidas pelos brasileiros entrou em uma profunda reestruturação mundial. A Heineken colocou em andamento um programa para eliminar até 6 mil postos de trabalho e, paralelamente, decidiu encerrar a produção em larga escala de cerveja em uma fábrica ligada a mais de 90 anos de história de uma de suas principais marcas.

Os primeiros efeitos já apareceram. Somente no primeiro semestre de 2026, aproximadamente 3 mil postos de trabalho desapareceram das operações da companhia. Portanto, a cervejaria já executou cerca da metade do plano anunciado para os próximos dois anos.

Ao mesmo tempo, a multinacional decidiu retirar a produção em larga escala de sua fábrica de Tuas, em Singapura. A unidade está diretamente ligada à trajetória da Tiger Beer, cerveja que nasceu no país em 1932 e posteriormente passou a integrar o portfólio global da Heineken.

A mudança ocorrerá gradualmente e deverá terminar até o fim de 2027. Depois disso, a empresa transferirá grande parte da fabricação atualmente realizada em Singapura para cervejarias localizadas na Malásia e no Vietnã.

Heineken anuncia corte de até 6 mil funcionários

A Heineken anunciou o programa mundial de redução de pessoal em fevereiro de 2026, ao divulgar seus resultados financeiros referentes ao ano anterior.

Inicialmente, a companhia informou que pretende eliminar entre 5 mil e 6 mil posições em um período de dois anos. Esse número corresponde a quase 7% da força de trabalho global que a empresa mantinha quando anunciou a medida.

No fim de 2025, a Heineken possuía 87.160 funcionários em todo o mundo. Desse total, 13.039 trabalhavam no Brasil, segundo o relatório anual da própria companhia.

Entretanto, a redução avançou rapidamente. Em agosto, a empresa informou que aproximadamente 3 mil empregos já haviam sido eliminados no primeiro semestre de 2026.

Os cortes atingiram diferentes áreas. Entre elas estão cervejarias, operações da cadeia de suprimentos e escritórios administrativos. A Europa concentra uma parcela importante da reestruturação, embora outros mercados também façam parte do processo.

A companhia não informou quantos dos até 6 mil postos serão eliminados especificamente no Brasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Por isso, não é possível afirmar que as operações brasileiras receberão uma quantidade determinada desses cortes.

Por que a Heineken está demitindo funcionários?

A decisão faz parte da estratégia EverGreen 2030. Com ela, a cervejaria pretende reduzir custos, simplificar sua estrutura e direcionar mais recursos para marcas e mercados considerados estratégicos.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Além das demissões, o plano inclui digitalização de cervejarias, mudanças na cadeia de produção, redução da estrutura administrativa e até fechamento ou reorganização de unidades.

Segundo a própria Heineken, essas ações poderão gerar uma economia bruta anual entre 400 milhões e 500 milhões de euros.

A queda no consumo mundial de cerveja também pressionou a empresa. Em 2025, o volume vendido pela Heineken caiu 1,2%. A retração atingiu principalmente alguns mercados importantes da Europa e das Américas.

Ainda assim, a cervejaria conseguiu aumentar seu lucro operacional orgânico em 4,4% naquele ano. Já no primeiro semestre de 2026, o lucro operacional orgânico avançou 6,7%, resultado acima das expectativas dos analistas.

Fábrica histórica vai parar produção de cerveja em larga escala

Outra mudança importante acontece em Singapura. A Heineken decidiu encerrar gradualmente a fabricação em larga escala na cervejaria de Tuas até o final de 2027.

A unidade pertence à Asia Pacific Breweries Singapore (APBS), subsidiária integral da Heineken. Atualmente, o local produz marcas como Tiger e outras cervejas do grupo.

A história da operação cervejeira da empresa em Singapura começou muito antes da construção da atual fábrica.

Em 1931, executivos da Heineken e da Fraser & Neave criaram a Malayan Breweries. No ano seguinte, em 1º de outubro de 1932, saiu da fábrica original localizada na Alexandra Road o primeiro lote da Tiger Beer.

A produção permaneceu naquela região durante décadas. No fim dos anos 1980, a companhia construiu uma nova fábrica em Tuas, com investimento de aproximadamente 200 milhões de dólares de Singapura.

Assim, a produção da Tiger migrou para a nova unidade entre 1989 e 1990. Desde então, Tuas tornou-se o principal centro industrial da marca no país.

Cerca de 130 funcionários serão afetados na fábrica

O fim da produção cervejeira em larga escala também terá impacto direto sobre os trabalhadores da unidade.

A Asia Pacific Breweries Singapore informou que aproximadamente 130 posições deverão ser afetadas durante os dois anos de transição.

A operação possui cerca de 540 funcionários. Dessa forma, aproximadamente um quarto da força de trabalho local poderá deixar os atuais postos devido à transformação do modelo industrial.

No entanto, a Heineken não abandonará completamente o local.

Depois da retirada da fabricação em grande escala, a companhia pretende transformar parte da estrutura em um centro dedicado a logística, inovação e desenvolvimento de produtos. Além disso, uma cervejaria-piloto continuará funcionando para testes e desenvolvimento.

Portanto, a fábrica não será simplesmente fechada. O que termina é a produção industrial de cerveja em larga escala que atualmente abastece mercados a partir de Singapura.

Produção será transferida para outros países

Com a mudança, a Heineken passará a abastecer Singapura principalmente com cervejas fabricadas em outras unidades asiáticas.

A produção de grande escala atualmente concentrada em Tuas será redistribuída principalmente para fábricas da Malásia e do Vietnã.

Apesar disso, Singapura continuará como sede global da Tiger Beer. A estratégia da marca, atividades comerciais, inovação e outras funções permanecerão no país.

Ou seja, a Tiger continua sendo tratada como uma marca de origem singapuriana. Entretanto, depois de mais de nove décadas de produção local, a fabricação comercial em grande escala deixará o país.

Tiger Beer nasceu há mais de 90 anos

A decisão possui um peso histórico justamente por envolver uma das cervejas mais antigas e importantes do portfólio asiático da Heineken.

A Tiger Beer surgiu em Singapura em outubro de 1932. Posteriormente, a marca começou a conquistar outros mercados e passou a ser exportada para diferentes regiões do mundo.

Décadas depois, a Heineken ampliou sua participação na Asia Pacific Breweries e, em 2012, assumiu o controle da companhia.

Em 2014, a fábrica de Tuas chegou a uma capacidade de produção de 2 milhões de hectolitros. Mais tarde, a unidade também recebeu investimentos tecnológicos, inclusive para fabricação da Heineken 0.0.

Agora, entretanto, a companhia aposta em uma cadeia produtiva regional, concentrando a fabricação em outras plantas e utilizando Singapura principalmente para logística, inovação e gestão.

Heineken aparece na liderança das vendas em reais no varejo

Enquanto enfrenta uma reestruturação internacional, a marca Heineken mantém uma posição de destaque no mercado brasileiro.

Um levantamento da Web Jasper em parceria com a Varejo 360 colocou a Heineken na primeira posição entre as marcas analisadas quando o critério é a participação das vendas em reais no varejo.

Entre janeiro e novembro de 2025, a marca alcançou participação de 13,3%, contra 12,4% no mesmo período de 2024. A Skol apareceu na sequência, com 8,5%, enquanto a Amstel chegou a 8,4%.

Por isso, a liderança mencionada se refere especificamente à marca Heineken e às vendas em valor analisadas pelo levantamento. Quando o critério considera o volume total vendido pelas empresas no mercado brasileiro, a Ambev continua se apresentando como líder, tendo o Grupo Heineken como principal concorrente.

No Brasil, o grupo Heineken também possui marcas como Amstel, Eisenbahn, Sol, Kaiser e Bavaria, além da cerveja que leva o nome da própria companhia.

Portanto, o contraste chama atenção. Enquanto a Heineken ocupa uma posição privilegiada entre as marcas vendidas no varejo brasileiro, sua controladora acelera uma das maiores reestruturações recentes da indústria mundial de bebidas, com milhares de empregos eliminados e mudanças profundas em sua estrutura de produção.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

Leia também