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Felino raro parecido com lontra é flagrado no pantanal

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Jaguarundi de pelagem cinza-escura e cauda longa encara a câmera em barranco de terra no Pantanal
Gato-mourisco surge em barranco à margem de rio no Pantanal: espécie agora está quase ameaçada de extinção
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Um jaguarundi, felino de corpo alongado que facilmente se confunde com uma lontra, apareceu diante das lentes do fotógrafo de vida selvagem Andrés Novales durante uma expedição pelo Pantanal. O registro viralizou nas redes nos últimos dias e chega em um momento delicado para a espécie: a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) acaba de reclassificar o animal como quase ameaçado de extinção.

Segundo publicação do portal Terra, o grupo procurava onças-pintadas quando o bicho surgiu na margem de um rio. À primeira vista, Novales achou que estava diante de uma lontra. Natural da Guatemala, ele trabalha como guia e fotógrafo na região, uma das mais procuradas do mundo para a observação de fauna.

Jaguarundi engana até quem conhece a mata

Também chamado de gato-mourisco, gato-preto ou gato-vermelho, o jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi) foge do padrão dos felinos. Tem pernas curtas, cabeça pequena, orelhas arredondadas e cauda comprida. Além disso, a pelagem não tem manchas e varia do cinza-escuro ao avermelhado. Por isso, quem o vê de longe raramente pensa em um gato.

Outro traço incomum chama a atenção: ao contrário da maioria dos gatos-do-mato, ele caça durante o dia. Na dieta entram pequenos roedores, aves, répteis, peixes e sapos.

Por que o jaguarundi ficou mais raro

Em julho, o Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN mudou o status global da espécie de “pouco preocupante” para “quase ameaçada”. A nova avaliação estima cerca de 13 mil jaguarundis adultos em toda a área de ocorrência, que vai do México à Argentina. Com esse número, o animal passa a figurar entre os felinos selvagens mais raros em boa parte do continente.

O pesquisador Tadeu de Oliveira, copresidente do grupo e responsável pela revisão, aponta uma armadilha de percepção. Como o jaguarundi anda de dia e circula por áreas abertas, as pessoas o veem com alguma frequência e concluíram que ele era abundante. Os dados, no entanto, mostram outra realidade.

No Brasil, o sinal amarelo já estava aceso. A última avaliação nacional classificou o gato-mourisco como vulnerável à extinção.

As ameaças ao gato-mourisco

A perda de habitat lidera a lista de problemas, principalmente no Cerrado, onde a expansão agrícola avança sobre as áreas naturais que restam. Atropelamentos em rodovias também reduzem as populações. Já no campo, o felino costuma morrer em retaliação de criadores, porque ataca galinheiros.

Diante desse quadro, os especialistas recomendam medidas simples, como galinheiros à prova de predadores e passagens de fauna sob estradas movimentadas que cortam o habitat da espécie.

Felino também vive na Mata Atlântica

O jaguarundi ocorre em todos os biomas brasileiros, inclusive na Mata Atlântica, que cobre o Espírito Santo. Ou seja, o flagrante do Pantanal fala de um animal que também pode estar mais perto do que o leitor imagina, e que pouca gente reconheceria se cruzasse com ele.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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