Enquanto Curitiba estreia a maior loja de supermercado sem caixa da América Latina, uma das maiores redes de supermercados dos Estados Unidos avisou aos funcionários que vai cortar cerca de 3 mil empregos. O motivo, segundo o próprio presidente da empresa, passa pelo avanço da inteligência artificial nos supermercados e pela promessa de fazer mais com menos gente.
A rede é a Kroger, com sede em Cincinnati, no estado americano de Ohio. O plano está num memorando que o CEO Greg Foran enviou aos funcionários na segunda-feira (12), revelado pela Bloomberg e pela agência Reuters. Para se ter uma ideia, a Kroger é a maior rede de supermercados dos Estados Unidos, com cerca de 2,7 mil lojas em 35 estados.
Corte atinge um em cada três funcionários do escritório
Os cortes vão acontecer ao longo dos próximos três anos e atingem a área corporativa, não as lojas. Na prática, a empresa vai eliminar cerca de 37% dos seus 8,2 mil funcionários de escritório.
No memorando, Foran foi direto: segundo ele, a Kroger tem camadas, repasses de tarefa e custos demais. Por isso, a empresa quer reduzir trabalho repetido e usar a tecnologia para ganhar eficiência.
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O dinheiro economizado, de acordo com o executivo, vai servir para baixar preços e investir nos funcionários das lojas. A Kroger disputa clientes com gigantes como Walmart, Costco e Amazon.
Foran, aliás, conhece bem esse jogo. Antes de assumir a Kroger, em fevereiro, ele comandou o Walmart nos Estados Unidos e ficou conhecido por dar novo fôlego à área de alimentos da rede.
Como a inteligência artificial entra nos supermercados da Kroger
O memorando não diz quantos cargos a IA vai substituir, nem quais setores serão atingidos. Mesmo assim, a aposta na tecnologia fica clara. A rede criou o cargo de diretor de dados e inteligência artificial e passou a oferecer treinamento na área para mais de 400 mil funcionários.
Além disso, a Kroger desenvolve assistentes de IA para ajudar as equipes das lojas a organizar as tarefas do dia.
Nem todo mundo, porém, enxerga a máquina como única culpada. O analista de varejo Neil Saunders avaliou à revista Fortune que a estrutura da empresa já estava inchada e que parte dos cortes viria de qualquer jeito, com ou sem tecnologia.
E no Brasil?
Por aqui, a inteligência artificial nos supermercados começa a aparecer na frente da loja, não no escritório. Em Curitiba, o Grupo Muffato abriu na quarta-feira (21) um supermercado sem caixa, com 587 câmeras e prateleiras com sensores que registram tudo o que o cliente pega.
A novidade reacende a dúvida sobre o futuro de quem trabalha no caixa. O cenário brasileiro, no entanto, tem uma diferença importante: hoje falta gente para trabalhar em supermercado. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estimou em cerca de 357 mil as vagas abertas no setor em todo o país. Em São Paulo, o operador de caixa lidera a lista de vagas sem preencher, segundo a associação paulista do setor.
Ou seja, enquanto lá fora a tecnologia corta cargos de escritório, aqui ela chega a um mercado de trabalho que ainda não consegue preencher as próprias vagas. Resta saber por quanto tempo essa diferença vai durar.