Grupo de oposição tenta destituir Mesa Diretora da Câmara da Serra

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Vereadores da Câmara da Serra durante sessão ordinária em que foi rejeitada a proposta de destituição da atual Mesa Diretora do Legislativo municipal.

Um movimento articulado por um grupo de vereadores para destituir a atual Mesa Diretora da Câmara Municipal da Serra acabou frustrado durante a sessão ordinária desta segunda-feira (9). A tentativa previa a abertura de processo para afastar os atuais dirigentes do Legislativo e convocar uma eleição suplementar para um mandato tampão.

O requerimento que daria início ao processo foi colocado em votação no plenário, mas acabou rejeitado. Para que a destituição avançasse, seriam necessários pelo menos dois terços dos votos dos vereadores, o equivalente a 15 votos favoráveis. No entanto, a proposta recebeu apenas nove votos.

Atualmente, a Câmara da Serra é presidida pelo vereador William Miranda (União Brasil).

Movimento na Câmara da Serra começou com pedido de regime de urgência

O movimento foi capitaneado pelo vereador Rodrigo Caldeira (Republicanos), ex-presidente da Casa. O primeiro passo da articulação foi a aprovação de um regime de urgência especial para leitura e votação da representação que pedia a destituição da Mesa Diretora e a convocação de novas eleições internas.

O pedido de urgência foi aprovado pelo plenário. No painel eletrônico da sessão, 18 vereadores votaram favoravelmente e 3 foram contrários.

O requerimento solicitava que fosse aberta uma representação para destituição dos membros da Mesa Diretora, com base no Regimento Interno da Câmara. O documento foi apresentado por parlamentares e formalizado na Casa Legislativa.

Entre os signatários estavam os vereadores:

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  • Antônio Carlos Aprijo (Republicanos)
  • George Queiroz Vieira – Guanabara (Podemos)
  • Henrique Lima dos Santos (Podemos)
  • Jefferson Fernandes Silva – Jeffinho do Balneário (Podemos)
  • Leandro de Oliveira Ferraço (PSDB)
  • Marcelo Silva Leal Anízio (MDB)
  • Rurdiney da Silva – Professor Rurdiney (PSB)
  • Rodrigo Márcio Caldeira (Republicanos)
  • Sérgio Peixoto (PDT)
  • Tiago Peixoto (PSOL)
  • Wilian Silvaroli – Wiliam da Elétrica (PDT)

Contra-movimento levou votação imediata

Segundo relatos de bastidores da sessão, a estratégia inicial do grupo que defendia a destituição seria aprovar apenas o regime de urgência e deixar a votação do mérito para uma sessão posterior. O objetivo seria ganhar tempo para ampliar a articulação política dentro da Casa.

No entanto, após movimentação da atual Mesa Diretora e de vereadores aliados, o plenário decidiu colocar a proposta em votação ainda na mesma sessão.

A avaliação de parte dos parlamentares era de que o grupo favorável à mudança ainda não havia consolidado apoio suficiente. Dessa forma, votar imediatamente poderia inviabilizar o movimento. Foi exatamente o que ocorreu.

Requerimento acabou rejeitado

Após um intervalo de cerca de cinco minutos na sessão, o requerimento foi votado rapidamente. O resultado foi:

  • 9 votos favoráveis
  • 13 votos contrários

Além disso, dois vereadores que haviam assinado o documento recuaram durante a votação e votaram contra a proposta: Henrique Lima e Jeffinho do Balneário, ambos do Podemos.

Com isso, o requerimento foi rejeitado e o movimento de destituição acabou encerrado ainda na mesma sessão.

Oposição votou pela destituição

Entre os parlamentares que defenderam a proposta e fizeram uso da palavra após a votação estavam:

  • Thiago Peixoto
  • Antônio Carlos Aprijo
  • Rodrigo Caldeira
  • Wiliam da Elétrica
  • Agente Dias
  • Marcelo Leal

Também chamaram atenção os votos favoráveis dos vereadores Pastor Dinho Souza e Agente Dias, que integram o grupo de oposição ao atual comando da Casa e ao Executivo municipal.

Pressão política vinha crescendo

Nas últimas semanas, o debate sobre mudanças na Mesa Diretora vinha ganhando força nos bastidores do Legislativo. O nome de Rodrigo Caldeira chegou a ser citado como possível candidato à presidência da Casa em caso de nova eleição.

A discussão ocorre em um contexto de instabilidade política no Legislativo municipal. Em setembro de 2025, a Justiça determinou o afastamento de quatro vereadores da Câmara da Serra, entre eles o então presidente Saulinho da Academia (PDT), em investigação relacionada a um suposto esquema de corrupção passiva.

Bastidores e suspeitas de interferência

Nos bastidores da sessão, vereadores comentaram a existência de indícios de que interlocutores ligados ao poder executivo teriam tentado influenciar o movimento político dentro da Câmara.

Ainda não está claro se essas articulações teriam ocorrido de forma coordenada ou se foram iniciativas isoladas de atores políticos que atuam no entorno do governo.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre essa eventual interferência.

Histórico político de Caldeira

Rodrigo Caldeira já presidiu a Câmara da Serra em legislaturas anteriores. Durante sua gestão, a Casa enfrentou um período de forte instabilidade política e jurídica.

Na época, o então prefeito Audifax Barcelos chegou a acusar a existência de um suposto “crime organizado” dentro da Câmara, afirmação que sempre foi negada por Caldeira.



Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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