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sábado, 06 de junho de 2020

Greve dos rodoviários segue sem prazo para terminar

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Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há mais de quatro anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

Garagem da Unimar que fica em Laranjeiras Velha: nenhum ônibus saiu do local. Foto: Gabriel Almeida

A greve dos rodoviários que teve início nesta segunda-feira (12) segue sem previsão para terminar. Enquanto isso, o Governo do Estado está acionando a Justiça para tentar fazer com que a categoria acate a decisão Judicial que determina 75% dos ônibus do Transcol em circulação.

De acordo com o presidente do Sindirodoviários, José Carlos Salles, nenhum ônibus está circulando nas ruas desde a madrugada desta segunda. Ele afirmou ao TEMPO NOVO que o sindicato recebeu a decisão judicial na tarde do último domingo (11), mas foi uma decisão da categoria aderir a paralisação.

“Não tem nenhum ônibus circulando. A categoria aderiu ao movimento. Recebemos a decisão e nosso papel é obedecer, mas a categoria decidiu aderir ao movimento. Estamos apenas orientando”, afirma.

Está marcada para as 16h desta segunda-feira (12), uma assembleia onde a categoria vai decidir o futuro da greve. 

Em nota enviada ao TEMPO NOVO, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Semobi), disse que realizou mais um reunião com representantes da categoria na manhã desta segunda-feira e reforçou o compromisso assumido com a categoria  de que não haverá demissão de nenhum profissional  em função  da implantação dos novos coletivos.

Disse ainda que está aguardando o resultado da assembleia prevista para hoje a tarde e “apela para o bom senso da categoria para que a população  não  seja prejudicada”.

Governo quer multa de R$ 100 mil

O Governo do Estado ainda acionou a Justiça mais uma vez para que seja aplicada a multa de R$ 100 mil contra o Sindirodoviários. No último sábado (10), a Justiça expediu uma decisão para que pelo menos 75% da frota operasse durante a paralisação dos rodoviários, com previsão de multa  em caso de descumprimento.

Motivo da greve

A ameaça de greve já tinha sido anunciada na terça-feira (6) passada, mas o sindicato não tinha definido um dia para a greve acontecer. O motivo da manifestação é a implantação dos novos ônibus do Transcol que terão ar-condicionado, mas não haverá cabine para os cobradores.

Apesar do Governo do Estado afirmar que não haverá nenhuma demissão por conta dos novos coletivos, o Sindirodoviários diz que serão quatro mil postos de trabalho eliminados com a mudança.

Na tarde da última sexta-feira (9), através do seu perfil oficial do Facebook, o Sindirodoviários publicou um comunicado informando sobre a greve. “Sem cobrador não roda. Vamos parar tudo”, afirma os rodoviários na imagem publicada.

Em junho, o Governo do Estado anunciou os novos ônibus com ar-condicionado e sem a cabine dos cobradores, até o momento, foram entregues 20 destes novos veículos, mas nenhum deles está em circulação. Nesta sexta-feira (9), o Estado anunciou que os coletivos vão começar a circular na segunda-feira (12). 

Ainda em junho, após a entrega dos ônibus, o Sindirodoviários já tinha prometido uma greve contra a mudança, o que até agora não se concretizou. De acordo com o sindicato, a mudança do Governo do Estado irá desempregar cerca de quatro mil trabalhadores.

Vale destacar que o Sindirodoviários fez três manifestações em junho, mas a circulação dos coletivos não foi prejudicada. Os protestos foram realizados na Avenida Vitória, na capital capixaba.

“Estado já está comprometido para manter os empregos”, diz Semobi

A Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), classificou o movimento dos rodoviários como “injustificável”. Por meio de nota, disse que a paralisação é “uma ação despropositada  por parte de alguns dirigentes sindicais” e que a população não pode ser prejudicada mais uma vez por conta de um “movimento injustificável”.

A secretaria ainda garantiu que “não haverá demissões”. O órgão informou que o Governo do Estado já está comprometido em atuar junto as empresas para manter o empregos de todos os trabalhadores do sistema. “A Semobi esclarece que não haverá demissão por conta dos novos coletivos e que vem realizando reuniões semanais com a categoria. A secretaria destaca ainda que a cobrança exclusivamente por meio do CartãoGV visa trazer mais agilidade no embarque e mais segurança, já que retira o dinheiro do ônibus, além da possibilidade de integração”, disse por meio de nota. 

A Semobi ainda informou em razão da implantação do CartãoGV, haverá maior oferta de emprego no Sistema. “Isso vai permitir que os profissionais que atuam como cobradores atualmente dentro coletivos passem a exercer novas funções, até mesmo fora dos coletivos. As empresas operadoras vão incentivar os funcionários para que participem de cursos de requalificação, por meio de parcerias com o Sest Senat, para aprimoramento profissional e aperfeiçoamento para novas atividades como motorista, mecânico, eletricista, entre outros”. 

Novos ônibus

Os coletivos com ar-condicionado que foram lançados no mês passado não terão a cabine para os cobradores. Com isso, somente passageiros que tiverem o cartão de bilhetagem eletrônica poderão utilizar os novos ônibus, já que não será permitido o pagamento da tarifa em dinheiro.

No dia 26 de junho, o governador Renato Casagrande, juntamente com o secretário de Estado dos Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno, e o diretor-presidente da Ceturb-ES, Raphael Trés, apresentaram os novos coletivos e entregaram 20 ônibus. A previsão é que até o final do ano sejam 100 ônibus com ar-condicionado.

Os coletivos iniciais irão operar nas linhas troncais – que fazem a viagem de terminal a terminal – e a meta é que até 2022 sejam 600 ônibus com ar-condicionado. O Governo do Estado ainda não divulgou quais a linhas serão contempladas com a novidade.

Os ônibus com ar-condicionado, assim como a implantação de wi-fi nos coletivos, faz parte do pacote de medidas que Casagrande prometeu no início do ano como a “recuperação do sistema” Transcol, que é alvo de muitas reclamações por parte dos capixabas que precisam utilizar o transporte público para se locomoverem: calor, insegurança e superlotação são algumas das queixas dos usuários.

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