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Gêmeas idênticas têm resultados diferentes em concurso da Polícia Civil

Irmã é aprovada e outra reprovada em cotas de concurso da Polícia Civil do ES
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Duas irmãs gêmeas idênticas tiveram resultados diferentes na avaliação de cotas raciais do concurso da Polícia Civil do Espírito Santo. Natália Mendes Ferreira foi considerada inapta na etapa de heteroidentificação, enquanto sua irmã, Naiara Mendes Ferreira, teve a autodeclaração racial aceita pela comissão.

Conforme apurado pelo Tempo Novo, as duas disputam uma vaga para o cargo de oficial investigador de polícia e se autodeclaram negras. O resultado preliminar foi divulgado em 27 de outubro, cerca de dez dias depois da avaliação presencial, realizada em 17 de outubro. Naturais de Vitória e moradoras de Vila Velha, na Grande Vitória, as irmãs ficaram surpresas com a decisão. Segundo Natália, ambas já haviam sido aprovadas em procedimentos semelhantes em outros processos seletivos.

Gêmeas passaram por bancas diferentes

Embora tenham comparecido ao local no mesmo dia e horário, Natália e Naiara foram encaminhadas para comissões diferentes. Cada banca era responsável por analisar individualmente a autodeclaração das candidatas.

De acordo com Natália, o procedimento foi realizado diante de uma câmera. As participantes precisavam informar nome, CPF, número de inscrição e declarar sua identificação racial. Não houve perguntas ou comentários dos avaliadores sobre as características físicas das candidatas.

A candidata contou que ficou sabendo da reprovação por meio de uma mensagem enviada pela própria irmã. Inicialmente, acreditou que poderia ter ocorrido algum erro no sistema ou na análise.

“Primeiro, eu achei que pudesse ser um erro de digitação, depois um erro de critério da banca, mas foi um choque!”, relatou Natália.

O resultado preliminar do concurso registrou 201 candidatos considerados inaptos na avaliação de heteroidentificação. Outros 377 foram considerados aptos, enquanto 51 candidatos constaram como ausentes.

Irmãs já tinham sido aprovadas em outras avaliações

A diferença de resultado chamou ainda mais a atenção porque as duas já haviam passado por avaliações de heteroidentificação em seleções anteriores.

Natália e Naiara tiveram suas autodeclarações aceitas em outros processos seletivos, incluindo concursos da Polícia Penal do Espírito Santo e da Justiça Eleitoral, além de uma seleção do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

Por isso, a reprovação de Natália no concurso da Polícia Civil foi recebida com surpresa.

A candidata entrou com um recurso administrativo para tentar modificar a decisão. Entre os argumentos apresentados, mencionou que a irmã gêmea, com características físicas semelhantes, foi considerada apta pela comissão.

“Além de eu não ter dúvidas de que eu sou uma pessoa negra, tem uma cópia minha lá!”, afirmou.

Natália espera que a revisão leve em consideração a diferença de resultado entre as duas e os reconhecimentos obtidos em avaliações anteriores.

O que diz a banca organizadora?

O concurso da Polícia Civil do Espírito Santo é organizado pelo Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo (Ibade).

Em resposta aos questionamentos sobre o procedimento, a instituição informou que a heteroidentificação foi realizada conforme as regras estabelecidas no edital. As avaliações foram individuais, conduzidas por bancas compostas por cinco integrantes e registradas em vídeo.

Apesar disso, o instituto não apresentou uma explicação específica sobre os motivos que levaram à aprovação de Naiara e à reprovação de Natália. Também não disponibilizou as gravações das avaliações realizadas com as irmãs.

O prazo para apresentação de recursos contra o resultado preliminar terminou em 29 de outubro. A divulgação das respostas e do resultado definitivo da etapa está prevista para 11 de novembro.

Quantas vagas são oferecidas no concurso da Polícia Civil do ES?

O concurso para oficial investigador de polícia prevê 1.052 vagas, distribuídas entre diferentes modalidades de concorrência:

Ampla concorrência: 684 vagas;

Candidatos negros: 210 vagas;

Pessoas com deficiência: 105 vagas;

Candidatos indígenas: 53 vagas.

A prova objetiva foi aplicada em fevereiro de 2026. Depois, os participantes passaram por outras fases eliminatórias, como teste de aptidão física, exames de saúde, avaliação psicológica, investigação social e heteroidentificação.

A avaliação racial é destinada a verificar se as características fenotípicas dos candidatos são compatíveis com a autodeclaração apresentada para concorrer às vagas reservadas.

O resultado definitivo do concurso está previsto para 11 de novembro, conforme o cronograma da seleção.

Foto de Anny Malagolini

Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista e repórter com experiência em produção e edição de conteúdo. Ao longo da carreira, atuou em redações e na cobertura de notícias e na produção de reportagens para diferentes públicos e plataformas digitais.

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