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Fato ou fake: Flávio Bolsonaro erra ao citar 11,5 mil obras paralisadas em 2026

Veja o que é fato e fake no debate da Globo
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou durante o debate da TV Globo nesta sexta-feira, 23 de outubro, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mais de 11,5 mil obras paralisadas. A declaração, porém, utiliza um número de 2025 e não corresponde ao levantamento mais recente do Tribunal de Contas da União (TCU).

A checagem dos dados mostra que o parlamentar citou uma informação verdadeira para o período a que ela se refere, mas desatualizada para apresentar a situação de 2026. Segundo o TCU, o painel registrava 11.469 obras paralisadas entre 22.621 empreendimentos mapeados em abril de 2025.

Em 2026, o cenário registrado pelo tribunal é diferente. O Painel de Obras Paralisadas contabilizava 4.215 obras paralisadas em uma carteira de 22.414 empreendimentos financiados com recursos da União.

Veredito: enganoso. O número de 11.469 obras paralisadas não foi inventado, mas pertence a um levantamento anterior. Ao apresentá-lo como resultado de um relatório recém-divulgado e como retrato da situação atual, Flávio Bolsonaro omitiu informações necessárias para contextualizar o dado.

O que Flávio Bolsonaro disse no debate?

Durante o confronto com Lula, Flávio afirmou que o governo de Jair Bolsonaro (PL) recebeu o país, em 2019, com cerca de 14 mil obras inacabadas e deixou a gestão com pouco mais de 8 mil. Em seguida, o senador citou o Tribunal de Contas da União para sustentar que o número de obras paralisadas teria voltado a crescer durante o governo petista.

“O TCU, o Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo”, declarou.

Na sequência, o candidato criticou a execução de investimentos federais e questionou a capacidade de Lula de concluir os empreendimentos pendentes.

“Ou seja, o Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras. Candidato, como é que você vai conseguir entregar toda essa infraestrutura que está aqui nesse mapa, se você, em quatro anos, não entregou as obras necessárias?”, afirmou.

Por que o número de obras paralisadas mudou?

A diferença entre os números de 2025 e 2026 não significa, por si só, que milhares de obras tenham sido retomadas. O TCU informou que houve uma mudança nos critérios de classificação dos empreendimentos paralisados.

A Portaria SEGES/MGI nº 10.874/2025 revogou o critério de classificação automática de obras sem boletim de medição por 90 dias. O procedimento passou a exigir uma avaliação administrativa para que o empreendimento fosse registrado como paralisado. A alteração reduziu o total contabilizado no painel.

Por isso, os dados de anos diferentes precisam ser analisados com cautela. A queda de 11.469 para 4.215 obras registradas não pode ser interpretada automaticamente como uma redução equivalente no número real de empreendimentos interrompidos.

O problema continua relevante. Segundo o levantamento do TCU de 2026, as áreas de educação e saúde concentram mais de 78% das obras paralisadas registradas no painel.

O que é verdade e o que é enganoso na declaração?

  • É verdade: o TCU registrou 11.469 obras paralisadas em um levantamento de 2025.
  • É enganoso: apresentar esse número como se fosse o resultado mais recente de 2026.
  • É verdade: o painel do TCU registrava 4.215 obras paralisadas em uma carteira de 22.414 empreendimentos em 2026.
  • Exige contexto: a diferença entre os números decorre, em parte, da mudança metodológica, e não comprova que todas as obras que deixaram de aparecer como paralisadas tenham sido retomadas.

A checagem, portanto, não permite afirmar que Flávio Bolsonaro inventou o número. O problema está em apresentar um dado antigo como atual e atribuir a ele um significado que não considera a mudança nos critérios de classificação do próprio tribunal.

Foto de Anny Malagolini

Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista e repórter com experiência em produção e edição de conteúdo. Ao longo da carreira, atuou em redações e na cobertura de notícias e na produção de reportagens para diferentes públicos e plataformas digitais.

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