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Fabricante de calçados com 26 mil trabalhadores fecha fábrica histórica e demite funcionários

A fabricante de calçados com 26 mil trabalhadores fechou uma fábrica histórica.
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Fabricante de calçados
A fabricante de calçados com 26 mil trabalhadores fechou uma fábrica histórica. Crédito: Divulgação
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Uma grande fabricante de calçados e artigos esportivos encerrou definitivamente as atividades de uma fábrica que funcionava havia cerca de 20 anos. O fechamento atingiu 150 funcionários e colocou fim à produção industrial da companhia no país.

A decisão veio depois de um período de forte redução das encomendas. Nos meses anteriores, a empresa já havia diminuído o ritmo de fabricação, suspendido temporariamente contratos e adotado medidas para reduzir sua estrutura.

Além disso, a concorrência com produtos importados aumentou a pressão sobre a unidade. Com menos pedidos e custos industriais elevados, a fábrica passou a operar em um cenário considerado insustentável pela companhia.

Por trás do fechamento está o Grupo Dass, fabricante brasileira que reúne cerca de 26 mil trabalhadores e possui forte presença no mercado esportivo das Américas.

A planta encerrada fica em Eldorado, na província de Misiones, na Argentina. Após aproximadamente duas décadas de funcionamento, a unidade deixou de produzir e desligou os últimos 150 trabalhadores.

Fabricante de calçados encerra fábrica

A fábrica de Eldorado ocupava uma posição importante na estrutura industrial do Grupo Dass na Argentina.

Durante anos, a unidade produziu calçados esportivos e participou da fabricação de produtos destinados a grandes marcas internacionais, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Entre elas aparecem nomes como Nike e Adidas. Entretanto, a situação da planta começou a mudar à medida que o volume de pedidos mudou.

Com menos encomendas, as linhas passaram a trabalhar abaixo da capacidade. Consequentemente, manter toda a estrutura industrial ficou cada vez mais difícil.

Antes do encerramento, o Grupo Dass tentou adaptar a operação ao novo cenário. A companhia reduziu jornadas, aplicou suspensões temporárias de contratos e também promoveu programas de desligamento voluntário.

Mesmo assim, as medidas não impediram o fechamento.

A empresa definiu o fim definitivo da produção para julho de 2026. Com isso, os 150 funcionários que ainda permaneciam na fábrica perderam seus postos de trabalho.

Fechamento encerra produção

A decisão possui um impacto ainda maior porque Eldorado representava a última fábrica de calçados mantida pelo Grupo Dass na Argentina.

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Portanto, o fechamento não significa apenas a perda de uma unidade industrial. Ele também encerra toda a fabricação local de calçados da companhia no território argentino.

Apesar disso, o grupo não abandonará completamente o mercado do país.

A empresa continuará vendendo seus produtos aos consumidores argentinos e manterá estruturas destinadas às atividades comerciais, administrativas e logísticas.

Dessa forma, o modelo de atuação muda. Em vez de fabricar localmente, o Grupo Dass passa a concentrar sua presença argentina principalmente na distribuição e comercialização.

Importações aumentaram pressão sobre a fábrica

A queda das encomendas aparece entre os principais fatores que levaram ao encerramento.

Além disso, o avanço das importações aumentou a competição dentro do mercado argentino.

Calçados produzidos em outros países passaram a ocupar mais espaço nas lojas e chegaram ao consumidor com preços considerados mais competitivos.

Ao mesmo tempo, a fábrica de Eldorado precisava manter despesas relacionadas a funcionários, equipamentos, instalações e toda a estrutura necessária para sustentar uma operação industrial.

Assim, quanto menor era o volume produzido, maior se tornava o peso desses custos sobre cada produto fabricado.

Segundo a empresa, diferentes alternativas chegaram a ser analisadas antes da decisão final. No entanto, nenhuma delas ofereceu condições suficientes para garantir a continuidade da unidade.

Fabricante de calçados já havia mudado produção

O encerramento não aconteceu de maneira repentina.

Antes de fechar a fábrica, o Grupo Dass passou por meses de ajustes na operação de Eldorado.

Primeiramente, a companhia reduziu o ritmo das linhas. Depois, adotou suspensões temporárias de contratos de trabalho e buscou diminuir o quadro de funcionários.

Essas iniciativas pretendiam adequar a fábrica ao volume menor de pedidos.

Entretanto, as encomendas não retornaram ao patamar necessário para sustentar a operação.

Por isso, a fabricante decidiu avançar para a etapa mais drástica da reorganização e encerrar completamente a produção.

Fabricante negou transferência da produção

O fechamento também acontece depois de rumores envolvendo uma possível transferência das operações industriais do Grupo Dass para o Paraguai.

Na ocasião, circularam informações de que a fabricante poderia encerrar unidades no Brasil e na Argentina para concentrar sua produção no território paraguaio.

O grupo, entretanto, negou essa versão.

Embora possua atividade industrial no Paraguai, a companhia afirmou que essa estrutura não substituiria todas as demais fábricas mantidas pelo conglomerado.

Além disso, o Grupo Dass segue com uma ampla operação no Brasil.

Portanto, o encerramento de Eldorado representa especificamente o fim da produção industrial da empresa na Argentina, e não uma retirada completa da fabricante da região.

Fabricante de calçados continua vendendo produtos

Mesmo depois do fechamento da fábrica, a companhia continuará presente no mercado argentino.

O escritório responsável pela gestão de marcas em Buenos Aires seguirá funcionando.

Da mesma forma, os centros de distribuição instalados em Coronel Suárez e Cañuelas permanecerão ativos.

Essas estruturas cumprem funções importantes no armazenamento, na organização dos estoques e no abastecimento dos pontos de venda.

Assim, os produtos administrados pelo Grupo Dass continuarão chegando aos consumidores argentinos.

A principal mudança ocorrerá na origem dessas mercadorias, já que a empresa deixou de produzi-las dentro do país.

Outra fábrica havia fechado

Eldorado não foi a primeira unidade argentina encerrada pelo Grupo Dass nos últimos anos.

Em janeiro de 2025, a empresa também fechou sua fábrica localizada em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires.

Naquela ocasião, estimativas divulgadas pela imprensa argentina indicaram a perda de aproximadamente 330 a 360 empregos.

Depois do fechamento de Coronel Suárez, a planta de Eldorado tornou-se a última fábrica mantida pela companhia na Argentina.

Agora, com o segundo encerramento, o número de postos industriais eliminados nas duas unidades chega perto de 500.

O impacto se torna ainda mais relevante porque essas fábricas tinham participação importante na geração de empregos das cidades onde funcionavam.

Fabricante de calçados com 26 mil trabalhadores

Apesar da saída da produção argentina, o Grupo Dass continua entre as maiores companhias do setor esportivo nas Américas.

A empresa nasceu no Rio Grande do Sul e mantém sua sede em Ivoti.

Ao longo de mais de quatro décadas, ampliou seus negócios e passou a trabalhar em diferentes etapas da cadeia esportiva.

Atualmente, o grupo atua no desenvolvimento de produtos, fabricação de calçados e roupas, gestão de marcas, distribuição e prestação de serviços industriais.

A companhia informa possuir mais de 25 mil colaboradores. Considerando suas diversas operações, o quadro de trabalhadores se aproxima de 26 mil pessoas.

Em períodos anteriores, a estrutura chegou a ultrapassar 28 mil funcionários.

Entre as marcas ligadas à atuação do conglomerado estão Fila, Umbro, New Balance e Osklen. Além disso, a fabricante mantém relações comerciais e industriais com outras grandes empresas internacionais do segmento esportivo.

Para Eldorado, entretanto, o encerramento representa uma mudança definitiva. Depois de cerca de 20 anos de atividade, a cidade perde uma fábrica que empregou centenas de trabalhadores e ocupou espaço importante na indústria.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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