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Fábrica da Nike, Adidas e Fila é fechada de vez e calçados deixam de ser produzidos

A fábrica foi fechada e os calçados da Nike e Adidas deixaram de ser produzidos na unidade.
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Fábrica da Nike e Adidas
A fábrica foi fechada e os calçados da Nike e Adidas deixaram de ser produzidos na unidade. Crédito: Divulgação
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Uma grande fabricante do setor esportivo decidiu encerrar uma de suas operações industriais após anos de redução na produção. A unidade já colocou milhares de pares de tênis no mercado diariamente e chegou a reunir cerca de 1,5 mil trabalhadores.

Nos últimos anos, porém, o cenário mudou. As encomendas diminuíram, o quadro de funcionários encolheu e boa parte da capacidade instalada deixou de ser utilizada. Como resultado, a empresa decidiu interromper definitivamente as atividades.

A fábrica pertencia ao Grupo Dass, companhia brasileira que trabalha há décadas com algumas das maiores marcas esportivas do mundo. Entre elas estão Nike e Adidas. Além disso, o grupo administra marcas como Fila, Umbro, New Balance e Osklen em diferentes mercados.

A unidade fechada ficava em Eldorado, na província de Misiones, na Argentina. As atividades terminaram definitivamente em 17 de julho de 2026. Com isso, os últimos 150 funcionários perderam seus postos de trabalho.

Fábrica produzia tênis para Nike e Adidas

A história da operação começou em 2007. Inicialmente, apenas oito pessoas trabalhavam na fábrica. Entretanto, a produção avançou rapidamente e transformou a unidade em uma importante fonte de empregos para Eldorado.

Nos melhores anos, o complexo funcionava durante três turnos. Além disso, aproximadamente 1.500 trabalhadores ocupavam diferentes funções na operação.

A capacidade produtiva também impressionava, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. No período de maior atividade, cerca de 22 mil pares de calçados saíam das linhas diariamente.

Na fase mais recente, Nike e Adidas estavam entre as principais marcas atendidas pela fábrica.

Contudo, a quantidade de pedidos começou a diminuir. Dessa forma, a empresa perdeu o volume necessário para manter toda a estrutura funcionando.

Últimos 150 trabalhadores foram demitidos

O fechamento aconteceu depois de uma longa redução no quadro de funcionários.

A fábrica passou de aproximadamente 1.500 empregados no auge para apenas 150 trabalhadores em julho de 2026. Portanto, cerca de 90% dos postos existentes no melhor momento da unidade desapareceram ao longo dos anos.

Somente em janeiro de 2026, outros 43 profissionais já tinham deixado a empresa.

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Na ocasião, representantes dos trabalhadores alertaram que os pedidos disponíveis garantiam produção apenas até a metade do ano. Meses depois, a previsão se confirmou.

Em 17 de julho, os últimos funcionários cumpriram a jornada final. Depois disso, a fábrica encerrou definitivamente suas atividades.

O Grupo Dass informou que faria o pagamento integral das indenizações devidas aos trabalhadores.

Importações pressionaram produção local

A perda de encomendas não foi o único fator que pesou sobre a unidade.

Com mudanças nas regras comerciais argentinas, produtos fabricados fora do país ganharam espaço. Em determinadas situações, importar o tênis pronto passou a representar um custo menor do que produzi-lo dentro da Argentina.

Ao mesmo tempo, Nike e Adidas reduziram os volumes destinados à unidade de Eldorado.

Assim, a fábrica enfrentou dois problemas simultaneamente: menos pedidos para suas linhas e maior concorrência de produtos importados.

Para a empresa, manter instalações, equipamentos e mão de obra com uma produção cada vez menor deixou de ser economicamente sustentável.

Representantes dos trabalhadores também relacionaram o encerramento ao crescimento das importações e à retração do mercado interno de calçados.

Produção chegou a 22 mil pares por dia

Os números do auge mostram a dimensão que a fábrica alcançou.

Em 2015, aproximadamente 1.500 pessoas trabalhavam no complexo industrial. A unidade operava em três turnos e conseguia fabricar perto de 22 mil pares de tênis diariamente.

Registros daquele período apontavam produção próxima de 20 mil pares por dia e planos para ampliar ainda mais a capacidade.

Depois disso, entretanto, os pedidos começaram a oscilar.

Entre 2018 e 2019, a companhia adotou cortes e programas de desligamento voluntário. Posteriormente, a operação recebeu novos investimentos e algumas linhas voltaram a ganhar força.

A recuperação, porém, não conseguiu impedir uma nova queda no volume produzido.

Fábrica da Adidas já havia sido fechada

O encerramento em Eldorado completou um processo iniciado anteriormente pelo Grupo Dass na Argentina.

Em janeiro de 2025, a companhia fechou outra fábrica localizada em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires.

A unidade produzia calçados da Adidas e empregava aproximadamente 360 trabalhadores.

Após aquele fechamento, o grupo concentrou sua fabricação argentina em Eldorado. Contudo, pouco mais de um ano depois, a última operação industrial também encerrou as atividades.

Considerando as duas unidades, aproximadamente 510 postos diretos foram atingidos pelos fechamentos.

Com isso, o Grupo Dass deixou de fabricar calçados dentro da Argentina.

Fila faz parte dos negócios da fabricante

Além de produzir para grandes companhias esportivas, o Grupo Dass também administra marcas.

Fila, Umbro, New Balance e Osklen aparecem no portfólio de gestão da empresa. A companhia atua ainda no desenvolvimento de produtos, distribuição, varejo e produção industrial.

Por isso, o nome da Dass está ligado a várias das marcas esportivas mais conhecidas pelos consumidores.

No entanto, existe uma diferença importante em relação à fábrica de Eldorado.

Na etapa final da unidade, a fabricação estava concentrada principalmente em produtos para Nike e Adidas. A Fila integra os negócios administrados pelo Grupo Dass, mas não aparece como uma das marcas produzidas pela fábrica argentina no momento do encerramento.

Nike e Adidas continuarão sendo vendidas

O fim da produção industrial não significa que as marcas ligadas ao grupo deixarão o mercado argentino.

A Dass continuará com atividades comerciais e logísticas no país. Entre as marcas mantidas nessa operação estão Fila, Umbro e Asics.

Além disso, estruturas localizadas em Coronel Suárez e Cañuelas permanecem envolvidas no recebimento e na distribuição das mercadorias.

Portanto, a principal mudança está na origem dos produtos.

Antes, parte dos calçados saía diretamente das fábricas argentinas. Agora, os produtos poderão chegar prontos de unidades instaladas em outros países.

Nike e Adidas também continuarão presentes no mercado. O encerramento de Eldorado não representa o fim da relação dessas marcas com o Grupo Dass.

Fabricante mantém mais de 26 mil trabalhadores

Apesar de encerrar a produção na Argentina, o Grupo Dass continua com uma grande estrutura industrial.

A companhia informa possuir mais de 26 mil colaboradores e mais de quatro décadas de experiência no setor esportivo.

O grupo mantém operações de desenvolvimento e fabricação de calçados, roupas e acessórios. Além disso, trabalha com gestão de marcas e varejo.

No Brasil, a Dass mantém fábricas e continua atuando como fornecedora de companhias internacionais.

Dessa forma, o fechamento argentino representa uma reorganização dentro de uma operação muito maior.

Para Eldorado, porém, o impacto é significativo. Uma fábrica que começou com oito trabalhadores, chegou a empregar aproximadamente 1.500 pessoas e produziu até 22 mil pares de calçados por dia encerrou sua trajetória depois de quase duas décadas.

Com o fechamento, os últimos 150 funcionários foram desligados e a produção que antes movimentava a cidade passou a ser substituída por calçados fabricados fora do país.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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