As maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo decidiram fechar fábricas e transferir a produção de geladeiras para outras unidades. A reorganização envolve as marcas Electrolux, Brastemp e Consul, conhecidas por milhões de consumidores brasileiros.
As mudanças atingem linhas industriais completas. Além disso, exigem o transporte de máquinas, a transferência de fornecedores e a reorganização da distribuição dos produtos.
As empresas afirmam que pretendem diminuir custos e concentrar a fabricação em plantas maiores. Dessa forma, esperam produzir os eletrodomésticos com mais eficiência e competitividade.
Apesar do impacto das decisões, os fechamentos não ocorrem no Brasil. As fábricas atingidas ficam no México e na Hungria. Há ainda uma terceira unidade ameaçada na Itália.
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No caso de Brastemp e Consul, a decisão partiu da Whirlpool Corporation, multinacional responsável pelas duas marcas. Já a Electrolux confirmou o encerramento de uma fábrica de refrigeradores e discute uma nova redução industrial na Europa.
Electrolux fechará fábrica de geladeiras
A Electrolux confirmou que encerrará a produção de refrigeradores na cidade de Jászberény, na Hungria.
A fábrica produz geladeiras de embutir e modelos independentes. Entretanto, a multinacional decidiu retirar toda a fabricação da unidade até o fim de 2026.
Com isso, aproximadamente 600 trabalhadores poderão perder seus empregos ou participar de programas de transferência e desligamento.
A Electrolux pretende atender aos consumidores por meio de outras fábricas e fornecedores externos. Portanto, o fechamento não representa o fim da venda de geladeiras da marca.
A companhia manterá ainda suas áreas comerciais e de marketing em Budapeste, capital da Hungria.
Segundo a fabricante, a mudança responde à redução da demanda, à pressão sobre os preços e aos elevados custos industriais. A empresa também busca fábricas com maior capacidade de competir no mercado europeu.
A Electrolux calcula uma despesa de aproximadamente 600 milhões de coroas suecas com a reestruturação. O valor incluirá pagamentos trabalhistas, encerramento das linhas e transferência da produção.
Brastemp e Consul também terão fábrica encerrada
A Whirlpool seguirá uma estratégia semelhante com a produção de geladeiras das marcas Brastemp e Consul, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A multinacional encerrará as atividades da fábrica Supsa, localizada em Apodaca, no estado de Nuevo León, no México.
A unidade atua na fabricação de refrigeradores. No entanto, a empresa reduzirá gradualmente a produção até fechar completamente a planta no segundo trimestre de 2027.
Durante esse período, a Whirlpool retirará equipamentos, reorganizará fornecedores e transferirá as linhas industriais.
A maior parte da fabricação seguirá para a unidade de Ramos Arizpe, no estado mexicano de Coahuila. Outras fábricas e empresas contratadas também poderão assumir etapas da produção.
Assim, Brastemp e Consul continuarão oferecendo geladeiras aos consumidores. A principal mudança ocorrerá no local onde os produtos serão fabricados.
A transferência por etapas busca evitar atrasos, desabastecimento e falta de eletrodomésticos nas lojas.
Fechamento poderá custar US$ 165 milhões
A reorganização da Whirlpool poderá custar até US$ 165 milhões, conforme as estimativas apresentadas pela própria companhia.
Desse total, aproximadamente US$ 95 milhões correspondem à perda de valor de imóveis, máquinas e equipamentos industriais.
Outros US$ 30 milhões poderão ser destinados aos trabalhadores. O montante inclui rescisões, benefícios e outros pagamentos provocados pelo encerramento da unidade.
A empresa também calcula cerca de US$ 40 milhões em despesas operacionais. Esses gastos envolvem o transporte das máquinas e a adaptação das fábricas que receberão a produção.
A Whirlpool prevê desembolsar aproximadamente US$ 70 milhões durante a execução do projeto. Além disso, poderá reconhecer cerca de US$ 100 milhões em despesas ainda em 2026.
Os valores, contudo, poderão mudar conforme o avanço da transferência.
Número de demissões ainda não foi informado
A Whirlpool ainda não revelou quantos trabalhadores serão desligados com o fechamento da fábrica mexicana.
A multinacional também não esclareceu quantos profissionais poderão receber propostas para trabalhar em outras unidades.
Mesmo sem divulgar o número de cortes, a previsão de US$ 30 milhões em despesas trabalhistas indica que o encerramento provocará rescisões e pagamentos de benefícios.
A companhia declarou que prestará apoio aos funcionários durante a transição. Entretanto, ainda não apresentou publicamente todas as medidas previstas.
Electrolux também ameaça fechar fábrica na Itália
Além do encerramento confirmado na Hungria, a Electrolux apresentou um plano que poderá eliminar aproximadamente 1.700 empregos na Itália.
A proposta inclui o fechamento da fábrica de Cerreto d’Esi. Diferentemente das unidades da Hungria e do México, essa planta produz coifas e equipamentos para cozinhas.
Os cortes representam mais de 40% dos cerca de 4.500 trabalhadores mantidos pela empresa no país.
Sindicatos reagiram ao anúncio e organizaram paralisações. Além disso, representantes dos trabalhadores pediram ajuda ao governo italiano para impedir o encerramento.
Diante da pressão, a Electrolux suspendeu temporariamente a execução do plano. A decisão abriu espaço para novas rodadas de negociação.
Porém, a suspensão não significa que a multinacional desistiu do fechamento. A empresa ainda poderá modificar, cancelar ou retomar a proposta.
Assim, a fábrica italiana permanece funcionando enquanto governo, sindicatos e companhia procuram uma solução.
Mudanças podem atingir trabalhadores
Somente os planos da Electrolux envolvem cerca de 2.300 funcionários. O número reúne os 600 profissionais da Hungria e os 1.700 postos incluídos na proposta italiana.
Isso não significa, contudo, que todos esses trabalhadores já foram demitidos.
Na Hungria, o encerramento da produção está confirmado. Na Itália, por outro lado, os cortes ainda dependem das negociações.
Além disso, parte dos profissionais poderá receber indenizações, transferências, aposentadorias incentivadas ou propostas de desligamento voluntário.
O total de funcionários atingidos pela Whirlpool no México ainda não foi divulgado. Portanto, o impacto completo das reorganizações permanece indefinido.
Por que as fabricantes estão fechando fábricas?
Electrolux e Whirlpool enfrentam um mercado marcado pela mudança no consumo e concorrência internacional.
Fabricantes asiáticas ampliaram a presença em vários países. Como resultado, aumentaram a disputa por preços e consumidores.
Ao mesmo tempo, energia, matérias-primas, transporte e mão de obra ficaram mais caros em diferentes mercados.
Diante desse cenário, as multinacionais decidiram diminuir o número de fábricas e concentrar a produção em unidades consideradas mais competitivas.
A estratégia também permite aproveitar melhor as linhas de montagem que permanecerão em funcionamento.
Além disso, as companhias poderão contratar fornecedores externos para produzir componentes ou até assumir parte da fabricação dos eletrodomésticos.
Fábricas no Brasil continuam funcionando
Até agora, nenhuma das reorganizações anunciadas envolve fábricas brasileiras da Electrolux ou da Whirlpool.
A Whirlpool mantém unidades industriais em Joinville, Santa Catarina; Manaus, no Amazonas; e Rio Claro, no interior de São Paulo.
Essas fábricas produzem eletrodomésticos das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid. Portanto, a mudança no México não interrompe a fabricação nem a venda dos produtos no Brasil.
A Electrolux também não anunciou o fechamento de unidades brasileiras relacionado aos planos da Hungria e da Itália.
A companhia continua comercializando geladeiras, fogões, máquinas de lavar, aspiradores, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos no país.
Consumidores e trabalhadores brasileiros, portanto, não devem interpretar os anúncios como o encerramento das operações nacionais.
Mesmo assim, as decisões mostram uma transformação importante na indústria mundial de eletrodomésticos. Duas gigantes do setor estão reduzindo estruturas, fechando fábricas e mudando o local de produção de geladeiras e equipamentos para cozinhas.
Na prática, Electrolux, Brastemp e Consul continuarão presentes nas lojas. Porém, uma parcela desses produtos passará a sair de outras fábricas e de linhas industriais cada vez mais concentradas.
