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Dona dos cigarros Lucky Strike, Dunhill e Derby manda demitir 5 mil funcionários e motivo acende alerta econômico

A empresa dona dos cigarros Lucky Strike, Dunhill e Derby mandou demitir 5 mil funcionários.
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Dona dos cigarros Lucky Strike Dunhill e Derby
Dona dos cigarros Lucky Strike, Dunhill e Derby mandou demitir 5 mil funcionários. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de cigarros do mundo decidiu promover uma ampla redução de sua estrutura e eliminar milhares de empregos. O plano prevê 5.500 demissões diretas e ainda coloca outras 3.500 funções no caminho da terceirização.

Ao todo, cerca de 9 mil trabalhadores serão atingidos pelas mudanças. O número representa quase 20% do quadro global da companhia, que reúne aproximadamente 47 mil funcionários.

Por trás dos cortes está a British American Tobacco (BAT), multinacional responsável por marcas conhecidas como Lucky Strike, Dunhill e Derby. A companhia atravessa uma transformação profunda para reduzir despesas e diminuir a dependência dos cigarros tradicionais.

Além disso, a mudança chama atenção do mercado de trabalho porque envolve maior uso de tecnologia e transferência de determinadas atividades para empresas terceirizadas. Analistas apontaram que uma reorganização desse tamanho pode servir de alerta para outros setores que também buscam produtividade com estruturas menores.

Dona de Lucky Strike, Dunhill e Derby demite funcionários

A BAT pretende economizar cerca de 600 milhões de libras por ano até 2028 com a nova reorganização.

Esse objetivo se soma a um programa anterior que já previa aproximadamente 500 milhões de libras em redução de custos até 2027.

Portanto, a empresa tenta diminuir de forma significativa suas despesas enquanto direciona investimentos para áreas consideradas estratégicas para os próximos anos.

As mudanças alcançam diferentes operações da multinacional ao redor do mundo. Entretanto, as fábricas localizadas nos Estados Unidos ficaram fora dessa etapa do plano, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

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Parte das funções que deixarão de fazer parte diretamente da estrutura da BAT passará para prestadores externos. A Accenture está entre as empresas que deverão assumir atividades dentro desse processo.

Mudança no consumo do cigarro tradicional ajuda a explicar decisão

A transformação ocorre enquanto o mercado tradicional de cigarros enfrenta mudanças importantes em vários países.

O número de fumantes vem diminuindo em mercados relevantes para a companhia. Ao mesmo tempo, governos adotam regras mais rígidas para produtos derivados do tabaco e consumidores demonstram maior preocupação com os impactos do cigarro sobre a saúde.

Diante desse cenário, a BAT tenta ampliar sua presença em outras categorias de produtos contendo nicotina.

A companhia estabeleceu como objetivo obter metade de sua receita com produtos considerados “sem fumaça” até 2035.

Entre suas principais apostas aparecem a Vuse, voltada aos cigarros eletrônicos, a Glo, de dispositivos de tabaco aquecido, e a Velo, que comercializa bolsas de nicotina.

Assim, a empresa busca preparar seu negócio para um mercado no qual o cigarro convencional tende a representar uma parcela menor de suas vendas.

Tecnologia por trás da reorganização acende alerta para empregos

Outro ponto da decisão ganhou atenção fora do próprio mercado de tabaco.

O presidente-executivo da BAT, Tadeu Marroco, afirmou que a empresa pretende criar uma organização mais ágil, com maior uso de tecnologia e controle mais rígido sobre os custos.

Consequentemente, a reestruturação combina demissões, terceirização e mudanças tecnológicas.

Esse modelo preocupa parte dos analistas porque grandes companhias de outros setores também vêm usando tecnologia para automatizar atividades, reorganizar departamentos e operar com equipes menores.

Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, avaliou que a dependência crescente de tecnologia demonstrada pelo plano representa um sinal preocupante para o mercado de trabalho.

Já analistas do Barclays destacaram que a dimensão da redução surpreende, mesmo diante de uma expectativa anterior de aumento da produtividade dentro da companhia.

No mercado financeiro, as ações da BAT também reagiram ao anúncio e terminaram o dia com queda de aproximadamente 2,5% na Bolsa de Londres.

Estados Unidos ficam fora de parte dos cortes

Embora a reorganização tenha alcance mundial, as fábricas norte-americanas não entram nessa etapa de redução.

Os Estados Unidos representam o maior mercado individual da BAT. No país, a companhia atua principalmente por meio da Reynolds American.

Ainda assim, a operação norte-americana enfrenta outro desafio. As autoridades mantêm regras rigorosas para aprovar novos produtos de nicotina, o que pode atrasar lançamentos e limitar a expansão de determinadas categorias.

Portanto, mesmo sem participar diretamente dos cortes nas fábricas, o mercado dos Estados Unidos continua estratégico e, ao mesmo tempo, desafiador para os planos da multinacional.

Quantos funcionários a BAT vai demitir?

O plano prevê a eliminação de aproximadamente 5.500 postos de trabalho diretamente ligados à companhia.

Além disso, cerca de 3.500 funções passarão por terceirização.

Somadas, as duas medidas atingem aproximadamente 9 mil posições, quase um quinto da força de trabalho global da BAT.

Por que a dona de Lucky Strike, Dunhill e Derby está demitindo?

A companhia busca reduzir despesas, simplificar sua estrutura e acelerar a transformação do negócio.

Ao mesmo tempo, a BAT precisa enfrentar a redução do consumo de cigarros convencionais em diferentes mercados.

Por isso, a multinacional pretende direcionar uma parcela cada vez maior de sua operação para cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e bolsas de nicotina.

A meta financeira também é expressiva. A empresa espera alcançar uma economia anual de 600 milhões de libras até 2028, além das reduções de custos previstas anteriormente.

Com milhares de vagas eliminadas ou terceirizadas e maior presença da tecnologia na nova estrutura, a reorganização da gigante do tabaco reforça uma tendência que já aparece em diferentes multinacionais: buscar crescimento e produtividade com estruturas de pessoal menores.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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