Mesmo com forte presença nas redes sociais, muitos lojistas ainda enfrentam dificuldades para transformar audiência em vendas no ambiente digital, especialmente em datas sazonais como o Dia das Mães. O alerta é do especialista em marketing digital e tráfego pago João Victor Brandão, que aponta ao Jornal Tempo Novo que a falta de estratégia e comunicação eficiente como um dos principais problemas do varejo.
Segundo ele, muitos empresários confundem presença online com posicionamento digital. “Ter um Instagram ou um WhatsApp não significa estar no digital. Isso é apenas estar visível. O digital exige estratégia, propósito e uma comunicação pensada para conduzir o consumidor até a compra”, afirma.
De acordo com o especialista, o erro se torna ainda mais evidente em períodos de alta concorrência, como o Dia das Mães. Para João Victor, boa parte do varejo aposta apenas em promoções e descontos, deixando de explorar o apelo emocional da data.
“O varejo fala de preço quando deveria falar de significado. Todo mundo entra na mesma lógica de promoção e acaba produzindo uma comunicação genérica. O consumidor não se conecta com isso”, explica.
Leia também
Ele cita o conceito de “Vaca Roxa”, criado pelo autor e empreendedor Seth Godin, para ilustrar o cenário. “Em um campo cheio de vacas marrons, a única que chama atenção é a roxa. O varejo brasileiro, em datas comemorativas, virou um grande campo de mensagens iguais”, diz.
Outro ponto destacado pelo especialista é a dificuldade das empresas em converter o interesse do consumidor em compra efetiva. Segundo ele, fatores simples acabam afastando clientes no momento da decisão.
“Hoje a janela de conversão é muito curta. Se o consumidor manda mensagem e não recebe resposta rapidamente, ele vai embora. Além disso, qualquer atrito — catálogo desatualizado, link quebrado ou falta de informação sobre entrega — vira motivo para abandono”, pontua.
João Victor também chama atenção para a diferença entre engajamento e faturamento. Para ele, curtidas e visualizações não garantem vendas.
“O varejo foi condicionado a comemorar métricas de vaidade porque elas são imediatas. Mas faturamento exige funil, estratégia e continuidade. Não adianta ter um post bonito se o atendimento não converte e a oferta não está clara”, afirma.
Além da comunicação, o especialista destaca a importância do planejamento antecipado das campanhas. Segundo ele, ações comerciais eficientes começam semanas antes da data comemorativa.
“Existe uma janela de pré-aquecimento de cerca de 15 a 21 dias antes da data. Quem começa antes constrói presença e relevância. Quem aparece apenas na véspera disputa atenção em um ambiente saturado e paga mais caro para anunciar”, explica.
Para João Victor, embora problemas operacionais também prejudiquem os resultados, a principal dificuldade do varejo ainda está na falta de posicionamento estratégico.
“Sem posicionamento, público definido e proposta de valor clara, a execução vira algo aleatório. O lojista posta quando lembra, impulsiona quando sobra dinheiro e responde quando tem tempo”, conclui.
