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Serra, 28 de dezembro de 2018 às 9:08

“De todos, Gerson Camata foi o melhor governador para a Serra”

Por Yuri Scardini
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O ex-prefeito da Serra Motta e o ex-governador Gerson Camata foram chefes do Executivo no mesmo período e juntos fizeram obras no município. Foto: Roosevelt Pinheiro/ Divulgação

A poucos dias de acabar o ano, os capixabas recebem uma notícia entristecedora. O ex-governador Gerson Camata foi assassinado. O culpado confesso é o ex-assessor Marcos Venício, e a motivação do crime seria um caso na Justiça que envolvia os dois. Nesta entrevista o ex-prefeito da Serra, João Batista da Motta, amigo de longa data de Camata, fala sobre as realizações do ex-governador no município. Lembra o legado deixado pelo político, explicitado em diversas obras importantes realizadas pelo seu Governo, como a implantação do sistema Transcol, construção de mais de 40 escolas, pontes, viadutos, ligação de água e energia elétrica para dar suporte à expansão populacional, entre outros.

O senhor e Gerson Camata chefiaram o Executivo no mesmo período, o senhor prefeito e ele governador. Como foi essa relação?

Fui prefeito da Serra pelas mãos dele. Na campanha de 1982 colei meu nome ao dele e fazia campanha dizendo que na Serra o voto era ‘Camotta’ (Camata e Motta). Vivemos uma das melhores fases do Espírito Santo. A Serra praticamente não tinha nada; só para se ter ideia , fui eleito com apenas 7 mil votos. A Serra tinha uns 25 mil habitantes. E daí eu e Camata iniciamos juntos um trabalho jamais visto na história do município.

O ex-governador tem uma reputação de ter feito muitas obras com pensamento desenvolvimentista. Quais realizações são possíveis destacar?

De todos, Camata não só foi o melhor governador para a Serra, como também para o Espírito Santo. Não teve um governo igual ao dele. Por exemplo, a Terceira Ponte começou com Élcio Álvares (governador entre 1975 e 1979), mas foi Camata que arrumou dinheiro com o Governo Federal e quando deixou o Governo do Estado, faltava apenas 5% para sua inauguração. Camata inaugurou a Segunda Ponte; levou asfalto a quase todos os municípios do Estado.

E na Serra, houve muitas coisas…

Na Serra fez a ponte de Nova Almeida, a meu pedido. Nessa parceria com Camata, construímos no município umas 40 escolas; teve época de estarmos construindo em apenas um bairro, três escolas, como por exemplo em Barcelona. Fomos nós que idealizamos o Transcol por exemplo.

Pode detalhar como foram os bastidores da implantação do Transcol, que foi na gestão do Camata?

O Transcol começou com US$9 milhões que eu e Camata arranjamos através de Moacir Dalla, que era presidente do Senado na época, e com a ajuda de Arlindo Villaschi, que era da Empresa Brasileira de Transportes (IBTU), que o Camata botou na Serra, em Cariacica, Vila Velha e Vitória. Todos os prédios da Vila Rubim foram desapropriação feita com esse dinheiro, para fluir o trânsito. O prefeito de Vila Velha era Vasco Alves; de Cariacica era Vicente Santório; de Vitória era Barredo de Menezes e na Serra eu. Então começamos a fazer a obra do Transcol. Só que na Serra estava mais adiantado porque comecei primeiro com o Terminal de Laranjeiras. Depois eu consegui mais R$ 1 milhão e fizemos a Norte Sul. A esta altura eu já tinha começado também a estrada de Jacaraípe para Laranjeiras, a Talma Ribeiro, tudo com ajuda do governador Gerson Camata.

Camata esteve à frente do Governo em um momento de expansão populacional da Serra no início dos anos 80. Como que o governo deu suporte durante esse período?

No governo de Camata, com Sérgio Borges na Cesan, colocamos água em 48 bairros da Serra. Rincões como Nova Almeida nem sonhavam em ter água da Cesan. A gente arrumava dinheiro de todas as maneiras junto ao Governo Federal, junto a financiamentos, e colocamos água em todos os bairros da Serra. É uma dívida que a Serra tem com Camata. Além disso, ele ajudou com a energia elétrica.

Estamos falando de quantos bairros e quantas pessoas?

Tínhamos 100 loteamentos, com 100 mil lotes, todos sem infraestrutura, sem água e luz. Cascata, Vista da Serra, São Marcos, Bela Vista, qualquer bairro que fosse você não tinha água e nem luz e ele colocou. Jardim Tropical era a pior favela. Eu fazia mutirão para limpar as ruas para fazer o esgoto, e Camata estava lá, vinha pessoalmente. Vinha de carro e ficava no meio da gente. A gente aterrando o Sossego, que hoje é Central Carapina, e o governador estava lá presente, junto com a população carente; nunca aconteceu isso na história desse Estado. Todos ficam nos seus palácios, nos seus helicópteros. Camata não tinha disso; Camata nunca usou helicóptero.

E como senador? Camata representou o ES em três mandatos e teve fama de trazer muitos investimentos para os capixabas. O que veio para a Serra pelas mãos dele?

Muita coisa. Com Camata e Zé Inácio no Senado arrancamos toda duplicação da BR 101 e a construção dos viadutos que tem na Serra. Era um projeto que arranquei de dentro do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), que hoje é o Dnit. Eles não queriam a duplicação do jeito que está hoje. Eles tinham um sistema de caixa, que era prender os carros para poder soltar aos poucos de Vitória. Na época eu briguei muito com o DNER e Camata encampou a briga e vencemos. Hoje está aí uma BR duplicada de Serra Sede até a entrada de Vitória. Mesmo no Senado, Camata sempre esteve presente em tudo. Era responsável pelo desenvolvimento do café no ES; um protetor do produtor de café. Brigava por tudo o que era do Espírito Santo. Um dos melhores senadores.

Quer deixar uma mensagem pública ao Camata e sua família?

Lamento profundamente essa perda porque Camata foi um dos melhores cidadãos que o Espírito Santo já produziu; a falta dele será irreparável. Foi o governador amigo; era trabalho, amizade; com carinho, dedicação. Nunca usou a caneta para prejudicar qualquer cidadão que fosse; a não ser para ajudar; a não ser para proteger os capixabas. Estou sem dormir, chorando sem parar, porque nunca imaginei que pudesse acontecer um fato desses com Camata, exatamente por se tratar daquele homem bom, amigo, que ele sempre foi. É um caso inexplicável, uma coisa incompreensível, a gente não tem como qualificar. Era um homem que compartilhava o cigarro com todo mundo. Ele chegava perto de todo mundo, enfiava a mão no bolso e tirava o cigarrinho; era a característica dele, a forma que tinha de mostrar ao seu interlocutor que estava integrado com a pessoa; a maneira que expressava o seu carinho a todas as pessoas com quem conversava. Agradeço de coração à Rita e à família de Camata por deixarem ele descansar agora na Serra com a gente.

 

 




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