A Coca-Cola sem cafeína e o Guaraná Antarctica com fibras chegam às prateleiras do Brasil com fórmulas novas. As bebidas vêm de empresas concorrentes, mas têm um ponto em comum: ambas são zero açúcar. Cada uma aposta em um argumento diferente para ganhar espaço na geladeira do consumidor.
Coca-Cola sem cafeína chega com foco no consumo noturno
A Coca-Cola Company confirmou o lançamento da Coca-Cola Zero Cafeína Zero Açúcar no Brasil. Segundo a empresa, a chegada às gôndolas está prevista para a segunda ou terceira semana de setembro. Trata-se da primeira versão sem cafeína da marca vendida no país. A lata reúne zero açúcar, zero cafeína e zero calorias.
O produto chega inicialmente em embalagens de até 350 ml, distribuídas em todas as regiões do país. Embalagens maiores só aparecem em 2027, conforme a diretora de Marketing da marca. A aposta da empresa é ampliar as ocasiões de consumo, sobretudo à noite. Nesse horário, parte das pessoas evita cafeína para não atrapalhar o sono.
Por isso, a versão ganhou embalagem preta e dourada, com identidade visual própria. A companhia associa as cores a jantares, encontros com amigos e momentos de relaxamento no fim do dia. Raquel Ribeiro, diretora de Marketing da Coca-Cola Brasil, contou ao Valor Econômico que a bebida nasceu de uma pesquisa. O estudo apontou alta intenção de experimentação e baixa rejeição entre os brasileiros. A ideia de trazer o produto ao país existe desde 2025.
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Pré-lançamento no Rio e estreia na América Latina
Antes de chegar ao varejo, a novidade passa por um pré-lançamento no Rio Gastronomia. O festival é promovido pelo jornal O Globo e acontece no Jockey Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro. Nos três fins de semana do evento, entre 17 de setembro e 4 de outubro, o público poderá provar a bebida no espaço da marca. Já a campanha publicitária, assinada pela WPP, só chega em outubro. Ela terá mídia OOH e ações com criadores de conteúdo.
O Brasil abre a estreia da Coca-Cola sem cafeína na América Latina, 16 anos depois do lançamento na Espanha. Chile e México recebem o produto ainda em 2026, enquanto Argentina e Uruguai ficam para 2027. A escolha tem motivo: o país lidera as vendas globais de Coca-Cola Zero e é o quarto maior mercado da Coca-Cola Company no mundo.
Guaraná Antarctica com fibras avança pelo país
Do lado da Ambev, o Guaraná Antarctica Zero com Fibras ampliou a distribuição em setembro. A bebida já chega a todo o Sudeste, além do Sul e do Centro-Oeste. Até o fim de 2026, a empresa prevê cobertura nacional completa.
O guaraná mantém o sabor da versão zero açúcar tradicional, mas ganha 4,4 gramas de fibras por lata. Segundo a Ambev, é a maior quantidade entre os refrigerantes vendidos no país. A fórmula não leva açúcar e tem baixo valor calórico. Já a fibra usada é a polidextrose, que colabora com o funcionamento do intestino.
Antes da expansão, o produto passou por um piloto iniciado no fim de 2025, restrito a cidades de São Paulo. Depois disso, a bebida entrou entre as cinco latas não alcoólicas mais vendidas da Ambev no segundo trimestre. Além disso, o número de compradores na plataforma BEES, usada no relacionamento com o varejo, quase triplicou no último trimestre.
Antes de fechar a receita, a Ambev fez mais de cem testes com consumidores. O objetivo foi preservar o sabor conhecido da marca. A bebida integra a divisão Beyond Beer, criada para reunir produtos de diferentes estilos de vida e ocasiões de consumo. Por fim, o preço fica próximo ao da versão zero açúcar comum.
Fibra da lata não substitui a do prato
Especialistas em nutrição costumam lembrar que a polidextrose complementa o consumo diário de fibras. No entanto, ela não substitui fontes naturais, como aveia, feijão, legumes e frutas com casca. Mesmo na versão com fibras, o guaraná continua sendo um refrigerante ultraprocessado.
As duas novidades mostram que os refrigerantes tradicionais também entram na disputa por versões com propostas específicas. Uma mira o consumo noturno; a outra, o reforço de fibras. Enquanto isso, cresce no país o interesse por bebidas com ingredientes funcionais, e o movimento já não fica restrito a marcas independentes.