O deputado licenciado e atual secretário de Estado, Bruno Lamas (PSB), afasta especulações e confirma que é pré-candidato a prefeito da Serra em 2020. Desinibido e arrojado, ele narra o “compromisso” firmado com o prefeito Audifax Barcelos (Rede) em 2016, que selou o apoio do PSB para a campanha bem sucedida daquele ano. E agora cobra: “Seria um apoio a quem foi apoiado”.

Além disso, o deputado afirma que o partido não “tem nenhum compromisso” com Sérgio Vidigal (PDT), já que os pedetistas chegaram “aos 49 minutos do segundo tempo” na campanha de governador em 2018, que elegeu Renato Casagrande. E completou afirmando que a cidade quer uma nova opção, pois “já cansou pra valer” da dualidade Audifax-Vidigal.

Seu nome é colocado no mercado político como pré-candidato a prefeito da Serra. Qual será o seu futuro em 2020?

O PSB terá candidatura própria na Serra; isso é fato. E tem bons quadros para isso. O partido tem solicitado, e eu coloco meu nome à disposição. Fico feliz por ser lembrado em todos os momentos em que a cidade discute a sucessão do prefeito Audifax.

Falando em Audifax e sua relação com o prefeito… No passado recente, você era tido como ‘o cara’ de Audifax para 2020; no entanto, atualmente, observamos que vocês podem seguir rumos diferentes.

Audifax tem compromisso com o PSB. Nosso partido foi importante na reeleição dele em 2016. Fomos o segundo partido mais votado da cidade. Com a atuação nas ruas, tanto de Casagrande (atual governador), da Márcia (vice-prefeita), de mim e de nossa militância, inclusive da Juventude Socialista Brasileira. E naquela ocasião, nós firmamos alguns compromissos.

“Audifax sofreu fortes influências do ex-governador [Paulo Hartung], que no meu ponto de vista jogou gasolina, mexeu no tabuleiro, falando em 2022”

Que tipo de compromissos?

Em um diálogo muito republicano, Audifax me convenceu de que era melhor naquele momento (em 2016) continuar com o mandato de deputado estadual, que era importante para a cidade. E nós juntamos forças. Naquela ocasião, percebemos que dividíamos o mesmo público, e o concorrente (referindo-se a Sérgio Vidigal – PDT) nadaria de braçada em um público diferente do nosso. E aí o PSB aceitou uma composição. Inclusive, Casagrande participou, é testemunha ocular. Foi oferecida ao PSB a vice-prefeitura, com Márcia Lamas, e apoio para 2020, de forma que o PSB poderia então disputar a cabeça de chapa, com o partido do prefeito [Rede] fazendo uma composição. Seria, então, um apoio a quem foi apoiado.

Qual é seu sentimento atual? Você acredita que esse compromisso, sobre o qual você narrou, será desfeito?

Essa parceria é totalmente possível. Eu confesso a você que gosto do Audifax e confio nele. Temos uma sintonia muito bacana. Nos afastamos, não na relação humana, mas cada um tocando o seu trabalho; ele sofreu fortes influências do ex-governador [Paulo Hartung], que no meu ponto de vista jogou gasolina, mexeu no tabuleiro, falando em 2022… Sendo que nós estávamos no ano de 2018 e, depois, saiu para dar palestras pelo Brasil e deixou o prefeito quase que falando sozinho. É momento, agora, de externar para os serranos que estivemos juntos e pretendemos ficar juntos. Eu tenho conversado isso muito com o prefeito; o apoio dele é fundamental para a eleição de qualquer candidato aqui na nossa cidade.

Houve estremecimento da relação, especialmente naquele assunto sobre os convênios?

O meu papel não foi destrutivo. Muito pelo contrário, foi de fazer a ligação dele com o governador Casagrande, que pode não ser a melhor, mas é respeitosa. Audifax apresenta resultados positivos. É um prefeito que tem 42 obras na cidade e vai entregar todas, sendo muitas com apoio financeiro do Governo do Estado. É o caso do Hospital Materno Infantil, da Upa de Castelândia, das melhorias na Norte Sul, a obra da Talma Rodrigues Ribeiro – que são R$ 8 milhões e nós teremos uma nova rodovia, moderna, segura para pedestres e ciclistas, entre tantas outras obras.

Qual é o futuro para PSB e Audifax, caso o prefeito faça opção por um outro nome em 2020?

Audifax está focado na gestão, entregar todas as obras e, aí sim, continuar sendo o principal cabo eleitoral no processo 2020. Audifax projeta passos maiores para sua carreira. Eu tenho certeza de que ele reúne condições de ser governador do Estado; quem sabe, pode ser senador da República em uma aliança com o próprio governador Casagrande ou voltar para a Câmara dos Deputados. Nós precisamos ouvi-lo, e eu estou aqui externando a minha vontade, pedindo o apoio dele, e agora vamos ouvir e ver os próximos passos do prefeito Audifax. Uma coisa é certa: o PSB se prepara para o processo eleitoral, independentemente de qualquer cenário ou circunstância.

Como estão as conversas partidárias? O PSB tem aliados para chegar inteiro em 2020?

O PSB terá candidatura própria aqui e nós vamos aguardar o Calendário Eleitoral. Mas certamente o PSB vem forte, tendo na sua base os partidos que formam a aliança do Governo do Estado. Todos eles são do nosso diálogo: o PV, o PP, o Avante, o DEM, o PTB, o Pros, todos eles. Então, há muita conversa. O próprio PPS, que depende de um ajuste em Vitória; mas pode ser que tenhamos no arco de aliança.

Há especulações de que sua candidatura poderia ser suplantada por uma candidatura de Vidigal, uma vez que vocês estão inclusos no mesmo arco de alianças liderado pelo governador…

Se Casagrande votasse na Serra, ele votaria em mim. Vidigal tem um capital político muito forte. Mas a verdade é que Vidigal chegou ao palanque de Casagrande aos 49 minutos do segundo tempo, no último dia. Chegou em cima da desistência da candidatura do então candidato à reeleição, Paulo Hartung. E eu participei, inclusive, desse momento na sede do PSB; não há nenhum compromisso por parte do PSB regional e de Casagrande com a candidatura de Vidigal. Pode acontecer um diálogo, mas compromisso não há. Eu já ouvi isso do próprio governador.

“Sei que a cidade cansou dessa briga (Vidigal x Audifax) pra valer, e as ruas falam e pedem uma nova opção”

Você acha que a polarização entre Audifax e Vidigal se esgotou?

Eu já tentei entender essa briga entre Vidigal e Audifax. Confesso que não consigo achar um fundamento para isso. Sei que a cidade cansou dessa briga pra valer, e as ruas falam e pedem uma nova opção. E o PSB apresentará uma opção, sem deixar de reconhecer as contribuições dessas duas grandes lideranças para a nossa cidade.

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