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Após morte de peixes, Prefeitura da Serra interdita lagoa por causa de esgoto sem tratamento

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Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há seis anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

Lagoa ficou tomada por peixes mortos durante o último domingo (24). Foto: Clesio Galego

Após milhares de peixes aparecerem mortos na Lagoa de Carapebus, na Serra, durante o último fim de semana, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente decidiu classificar o manancial como ‘impróprio para banho’ por tempo indeterminado. A interdição ocorre após o Município encontrar sinais de lançamento ilegal de esgoto in natura nas águas e iniciar uma investigação para saber quem é o responsável pela mortandade.

No último domingo (24), a lagoa amanheceu tomada por peixes de diversas espécies mortos nas águas e também na margem. A cena assustou moradores de Balneário de Carapebus e também turistas que circulavam pelo local.

Na manhã da segunda-feira (25), uma equipe da Prefeitura da Serra foi até o manancial e fez a retira dos animais mortos. Além disso, interditou a área, onde agora é proibido o uso para banho ou outros fins.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento e Meio Ambiente, Cláudio Denicoli, o Município acionou o Ministério Público para discutir ações que solucionem o problema juntamente com a Cesan/Ambiental Serra – responsáveis pela coleta e tratamento de esgoto d cidade.

“Nossa equipe técnica identificou as altas taxas de matéria depositada na lagoa e já produziu os relatórios. Assim, vamos nos reunir com o MPES e identificar esses lançamentos de esgoto clandestinos que estão ocorrendo”, declarou.

O TEMPO NOVO questionou a Prefeitura da Serra sobre a balneabilidade da praia de Balneário Carapebus. De acordo com o Município, a região está própria para banho, pois a água da lagoa, que está poluída por esgoto, “dilui ao chegar ao mar e a balneabilidade se refere ao número de coliformes fecais para considerar um ponto como impróprio”.

Mortandade de peixes

Conforme informado pelo TEMPO NOVO na tarde deste domingo, a cena trágica da morte dos peixes foi registrada por moradores que frequentavam o balneário, onde o manancial deságua. Vídeos e fotos recebidos pela reportagem mostram milhares de peixes boiando na água e outros já lançados nas margens da lagoa. Segundo ambientalistas, não se trata de um fenômeno natural, mas há grandes chances da causa ser o esgoto in natura.

“Isso é uma tragédia, a causa não é natural com toda certeza. Essa situação é fruto da ação humana e bastante provável que seja poluição por esgoto”, disse o biólogo Cláudio Santiago em conversa com a reportagem.

Já o ambientalista Eraylton Moreschi Junior responsabiliza a Cesan e Ambiental Serra pela mortandade, que ele classifica como ‘crime ambiental’. “Não posso afirmar com toda certeza que as próprias empresas estão lançando esgoto na lagoa, mas como elas são responsáveis pelo tratamento do município e por disponibilizar rede de esgoto para os moradores, direta ou indiretamente elas estão lançando esses resíduos na lagoa”, disse.

Entre os peixes mortos, estão as espécies: robalo, corvina, tainha, pescadinha e outros.

O que diz a Cesan/Ambiental Serra 

A reportagem entrou em contato com as empresas que se manifestou por meio de nota. O texto diz que todo o esgoto coletado pela Cesan é tratado e devolvido limpo para o ambiente. Afirma ainda que para evitar o lançamento de esgoto sem tratamento nos mananciais, os moradores devem ligar seus imóveis ao sistema de coleta e tratamento do esgoto.

“Na Serra, o serviço está disponível para 86,8% dos moradores. Destes, 71,7% já ligaram seus imóveis e cerca de 15% dos habitantes, o que representa aproximadamente 50 mil imóveis, têm o serviço disponível mas ainda não estão ligados ao sistema de coleta e tratamento do esgoto.”

Por fim, a Cesan/Ambiental Serra afirma que não foi acionada pela Prefeitura da Serra. “A empresa está à disposição para colaborar com todas as ações para a despoluição dos mananciais”, finaliza.

Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há seis anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

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