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quinta-feira, 13 maio - 2021
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Ano de pandemia, Vidigal diz que 2021 será um “desafio muito maior” do que em 1997

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Yuri Scardinihttps://www.portaltemponovo.com.br
Morador da Serra, Yuri Scardini é repórter do Tempo Novo. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a editoria de política.

A esquerda: Em ano de pandemia, Vidigal está em seu 4º mandato como prefeito. A direita: debate de candidatos a prefeito em Carapina, no ano de 1992. Vidigal iria perder aquela eleição, no entanto se consagraria prefeito 4 anos depois. Foto: divulgação e arquivo TN/1992

Era 1996, o então deputado estadual Sérgio Vidigal (PDT) tinha acabado de ser eleito prefeito da Serra. A disputa foi ganha no 1º turno com 52% dos votos válidos. Era o fim do ciclo político da poderosa família Feu Rosa, que lançou João Miguel Feu Rosa, então filiado ao PSDB; sendo derrotado com 32% dos votos. Poucos meses depois, já em 1997, Vidigal daria início ao seu primeiro ano do primeiro mandato como prefeito da Serra, aos 40 anos de idade. Naquele momento, o desafio era colossal: construir uma Serra arrasada diante da quebradeira fiscal.

Havia meses que os servidores da Prefeitura da Serra não recebiam seus salários, o que já impactava na prestação de serviços à população – que por si só já eram bastante precárias. Na contramão, alguns poucos servidores recebiam salários astronômicos, que ficaram conhecidos como ‘os marajás da Serra’.

Para piorar, em 1996 o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) publicou em setembro daquele ano, a Lei Kandir, que desonerou as indústrias de base de pagarem tributos, incluindo o ICMS, causando um rombo nas contas públicas municipais, já que naquele momento a antiga CST – atual ArcelorMittal – era uma das maiores pagadoras de impostos para a Serra.

No entanto, nem mesmo todo esse cenário de adversidade e escassez financeira foram mais desafiadores do que 2021 está sendo, de acordo com Vidigal. Isso porque, 24 anos depois, no primeiro ano de seu 4º mandato de prefeito, um Vidigal mais experiente, prestes a completar 64 anos, não tem dúvidas: 2021 – ano da tragédia humanitária da Covid-19 – será muito mais desafiador do que em 1997.

A reportagem do Jornal TEMPO NOVO esteve em seu gabinete na tarde da última quarta-feira (14) para conversar sobre os 100 primeiros dias de Governo. O material será publicado em partes.

Vidigal começa com uma fala forte e bastante sintomática diante da dura realidade que vivemos. Geralmente os 100 primeiros dias são marcados pela ‘lua de mel’ entre os eleitos e a população. Mas em 2021, a coisa pode ser diferente, para Vidigal foram “100 dias de perda”.

“Quando se faz uma avaliação dos cem dias, a gente quer falar muito das conquistas. No entanto, dessa vez foram 100 dias de perda; muitas vidas se perderam, muitos empregos foram desativados, muitos micros e pequenos empresários tiveram que fechar suas portas. E é com esse cenário que gente entende que teve que usar os 100 dias, primeiro para minimizar esse sofrimento da população, segundo para se preparar para esse pós-momento”, avaliou o prefeito.

De acordo com ele, em 2020, havia uma ideia de que quando chegasse janeiro ou fevereiro, a pandemia estaria em curva descendente, e a vida pudesse voltar ao normal. Mas foi exatamente o inverso.

“Se observar hoje, a situação é muito mais complexa do que no pico do ano passado, que foi lá pelo mês de junho, julho; quando você assume tem todos os cenários; primeiro tem que estruturar a máquina administrativa porque o grande problema da gestão pública hoje é montar equipe. E ao mesmo tempo também você tendo uma gestão que há oito anos o município não faz um concurso público para que possa ter um quadro efetivo com pessoas qualificadas. Precisamos correr para digitalizar e informatizar a gestão; facilitar a comunicação da população com o setor público. Acho que nesse período a gente, além de trabalhar minimizando os impactos negativos da pandemia, a gente trabalhou para poder modernizar, inovar a máquina”, explicou.

Perguntado objetivamente se o desafio de governar a Serra em 2021 é maior que o de 1997, Vidigal não parece ter dúvidas.

“Muito maior… porque agora, se tem um perfil de público que tem as demandas totalmente diferentes que tinha lá atrás. Hoje, queira ou não queira, não vou entrar no mérito da política nacional, mas falta uma liderança nacional que nos ajude a enfrentar essa pandemia; hoje a gente sente falta disso. Outra coisa é que lá atrás a gente tinha o desafio de colocar os salários em dia; de ter a credibilidade para o servidor voltar ao trabalho; Havia aqueles salários acima do médio praticado; era um cenário diferente; tinha uma população menor e menos exigente. Hoje a população quer a rua dele asfaltada, meio fio pintado, paisagismo mantido. Hoje se passou a ter uma população com maior condição de exigência; até porque você trouxe para a cidade também uma população de perfil socioeconômico melhor; o desafio agora é maior e somado isso a pandemia, o desafio é sim maior”, argumenta.

O prefeito se disse animado e mesmo com a bagagem de 30 anos na vida pública, ele afirmou que tem aprendido.

“Estou animado porque para fazer mais do mesmo não tinha sentido nenhum. Gestão é um eterno aprendizado; estou aprendendo a cada momento a gente vai aprendendo. Agora esse negócio de fazer mais com menos deixou de ser discurso, tem que ser uma realidade. Estamos revendo todos os contratos; pegando desconto. Queremos reduzir o custo em 25%. A gente quer renegociar os contratos. Diminuímos os comissionados e já economizamos R$ 3 milhões somente esse ano com folha de pagamento”, disse Vidigal

Ao comparar os desafios de 1997 com 2021, antes de tudo, Vidigal fala sobre vidas. E a tragédia está explicitada nos tristes números de moradores da Serra que já vieram a obtido; segundo os dados mais recentes publicados no Painel Covid-19, a Serra já registra, no total, 51.018 pessoas que foram infectadas, 984 mortes. Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, existem outros 39.364 moradores do município que podem estar infectados pelo coronavírus. No momento, eles aguardam o resultado dos testes já realizados. O Espírito Santo tem, no total, 409.315 confirmações, 8.412 mortes.

Yuri Scardinihttps://www.portaltemponovo.com.br
Morador da Serra, Yuri Scardini é repórter do Tempo Novo. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a editoria de política.

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