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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Amigos se reúnem há um ano para dar comida a moradores de rua na Serra  

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Bruno Lyrahttps://www.portaltemponovo.com.br
Repórter do Tempo Novo há mais de 10 anos, Bruno Lyra escreve para diversas editorias do portal, principalmente Economia e Meio Ambiente, das quais é o responsável.

 

Voluntários com um dos moradores em situação de rua (de camisa rosa). Foto: Divulgação

Sexta feira à noite, quase 22h. É hora de um grupo de jovens da Igreja Adventista de Nova Almeida se reunir e sair de carro para distribuir marmitas para quem vive nas ruas.

Durante cerca de três horas e percorrendo mais de 13 km até Jacaraípe, eles atendem, aproximadamente, 30 pessoas em situação de rua. O projeto tem o nome de “Maná”, tem cerca de um ano e acontece toda às sextas-feiras.

No cardápio, arroz, feijão, macarrão e farofa. Às vezes, um kit com pão e chocolate quente. Eventualmente, até roupas são entregues. Tudo depende das doações arrecadadas durante a semana.

Entre olhares curiosos e papos longos, cada um dos beneficiados é alimentado fisicamente e espiritualmente. Isso porque, além da comida, eles recebem uma oração e alguém para ouvir um pouco sobre seus problemas. Segundo um dos jovens participantes do projeto, Jônatas Gomes Santos, às vezes, algumas dessas pessoas em situação de rua só querem oração e alguém para prosear.

Uma pessoa que está em situação de rua, tem sempre uma história dramática. Tanto que o grupo de voluntários já presenciou gente dormindo na chuva, gestante prestes a dar à luz, pessoas que cometeram erros e agora têm vergonha de voltar para a família, dependentes de drogas e álcool e, até mesmo, deficiente físico vivendo em tristes condições. “Cada um tem um motivo para estar ali, são diferentes. Mas todos merecem nossa compaixão e que saiamos de dentro da igreja para ajudá-los”, comentou Jônatas.

Uma das pessoas beneficiadas é o Everaldo, que mora na rua há três anos. Ele saiu de casa após se separar da esposa e não voltou mais, principalmente, após sofrer um acidente, fraturar o maxilar e perder alguns dentes. Hoje, convive com o alcoolismo, a solidão das ruas e o desejo de rever as filhas. “Ele sente vergonha de voltar. Apesar de morar na rua, trabalha com a venda de caranguejo e está pagando um tratamento dentário para, um dia, ir para casa de cabeça erguida”, contou outro jovem participante do projeto, Brendow Ferraz Bortolini.

“ Minha felicidade é a oração”. Essa foi uma das frases que Everaldo disse a Brendow em um dos encontros, quando recusou a comida e pediu apenas que orassem por ele. O homem, que recebe cesta básica de um outro projeto, ofereceu os alimentos para que fossem preparados pelo grupo adventista e doados a outros colegas da rua.

Confira o vídeo com o depoimento de Everaldo no link  https://www.youtube.com/watch?v=ueX55EO_IAQ 

O projeto completa um ano no mês de junho e conta, em média, com seis pessoas, além daquelas voluntárias que preparam a comida. “ Apesar de cansativo é gratificante ajudar outras pessoas. Uma das coisas que nos move é chegar em casa, na madrugada de sábado, e ter uma cama para dormir, comida, um chuveiro, um cobertor. Temos tudo, enquanto eles não têm nada. Voltamos porque é maravilhoso ver o olhar de amor e agradecimento com que eles nos recebem, a cada abordagem”, concluiu Brendow.

Quem quiser ajudar pode ligar no telefone 99533-1596 (Brendow).

Com informações da assessoria de imprensa da Igreja Adventista

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