A Corregedoria da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) detalhou nesta sexta-feira (1º) os motivos que levaram à liberação inicial do policial civil Herbert Henrique de Souza, envolvido no caso em que uma atendente foi baleada em uma distribuidora em Jacaraípe, na Serra.
De acordo com o corregedor-geral da corporação, delegado Diego Yamashita, no momento em que o policial foi conduzido à delegacia, não havia elementos suficientes para solicitar a prisão preventiva. Segundo ele, o delegado responsável não teve acesso à totalidade das imagens de segurança nem conseguiu ouvir a vítima, que estava hospitalizada.
“As versões apresentadas eram conflitantes, entre o policial envolvido e uma testemunha representando a vítima. Naquele momento, não havia materialidade suficiente”, explicou o corregedor.
O caso segue sob investigação da Corregedoria da Polícia Civil, com prazo de conclusão de até dois anos. Ainda assim, segundo Yamashita, há esforço para que o processo seja finalizado antes desse período.
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A apuração também leva em conta o histórico do policial. Herbert já era alvo de investigações anteriores. Em outubro do ano passado, ele foi autuado em flagrante por dirigir embriagado após colidir contra o muro de uma igreja no bairro Jardim Limoeiro, também na Serra. Na ocasião, porém, não houve elementos suficientes para pedir sua prisão ou afastamento das funções.
Segundo o corregedor, a reincidência pode pesar negativamente nas decisões administrativas em curso. Diante dos novos fatos, o policial perdeu o direito ao porte de arma e teve a arma oficial recolhida.
Durante a prisão mais recente, ainda foi encontrada uma carabina sem registro em posse do agente, o que agrava a situação.
A Corregedoria avalia que o policial poderá sofrer sanções que vão desde o afastamento administrativo até a demissão da corporação, além de eventual manutenção da prisão. Atualmente, ele já está afastado das atividades operacionais por decisão da própria Polícia Civil.
Relembre o caso
O policial civil Herbert Henrique de Souza, de 41 anos, e o amigo dele, Odair José Rodrigues de Andrade, de 52, foram presos na noite de quinta-feira (1º), um dia após terem sido liberados pela polícia, por envolvimento no caso em que uma atendente de distribuidora foi baleada em Jacaraípe, na Serra.
A prisão ocorre após o avanço das investigações sobre o crime registrado na noite de quarta-feira (30), quando a funcionária, de 31 anos, foi atingida por dois disparos — um na perna e outro de raspão nas costas — durante uma confusão dentro do estabelecimento.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Herbert, armado, discute com a atendente e tenta tomar o celular da vítima. Durante a luta corporal, a arma cai no chão. Em seguida, Odair pega a pistola e realiza ao menos três disparos, atingindo a trabalhadora.
Segundo testemunhas, o policial teria chegado ao local cerca de uma hora antes da confusão, aparentemente embriagado, e tentou levar bebidas sem pagar, o que deu início ao desentendimento.
Após o crime, a vítima foi socorrida e levada ao Hospital Jaime Santos Neves, onde segue internada, sem risco de morte.