O cofundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a inteligência artificial já ultrapassou um limiar perigoso. Em entrevista ao podcast The Ezra Klein Show, publicada em 29 de setembro, ele disse que a tecnologia pode ampliar a capacidade de pessoas mal-intencionadas de realizar ataques biológicos e cibernéticos de consequências catastróficas.
Alerta de Bill Gates sobre bioterrorismo e ciberataques
Segundo Gates, a IA cruzou os dois limites no início deste ano. Ele citou cenários de bioterrorismo capazes de matar centenas de milhões de pessoas. Também falou em ataques que embaralham contas bancárias e derrubam redes elétricas. “Isso existe hoje”, disse, em tradução livre.
São avaliações de risco apresentadas por ele. Nos trechos divulgados, Gates não indicou probabilidade nem prazo para que algo assim aconteça.
Autorregulação das empresas de IA é “insana”, diz Gates
A crítica central do empresário é contra deixar a segurança apenas nas mãos de quem desenvolve os modelos. Ele chamou a autorregulação de “insana” e descreveu a IA como a coisa mais perigosa de que a humanidade já chegou perto. Por isso, defende uma camada de monitoramento e proteção em todos os modelos.
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Os sistemas de código aberto poderiam continuar livres, mas rodariam em plataformas em que governos verificassem se as salvaguardas seguem ativas. Para Gates, os governos precisam exigir essas medidas antes que um ataque de grande escala torne a necessidade evidente.
Ele também disse que a percepção desses perigos ainda é muito baixa fora da indústria, o que inclui universidades, centros de pesquisa e formuladores de políticas públicas.
Um tom mais duro que o de 2023
A fala marca uma mudança de postura. Em 2023, Gates descrevia os riscos da IA como reais, porém administráveis. Em janeiro deste ano, já havia alertado, em carta anual, para o risco de grupos usarem ferramentas de código aberto para criar armas biológicas.
Apesar do alarme, ele mantém a visão de que a tecnologia pode trazer benefícios à saúde e à educação. A cobrança, no entanto, é que a preparação acompanhe o avanço dos sistemas, antes que os danos obriguem governos e empresas a reagir.