A hipertensão é a doença crônica mais prevalente no Brasil e, para enfrentar a situação, desde o ano passado, a diretriz para a classificação da pressão arterial mudou no país: a pressão 12 por 8, historicamente considerada saudável, passou a ser classificada como pré-hipertensão arterial.
Na prática, a pressão entre 120 por 80 e 139 por 80 a 89 passou a ser enquadrada como pré-hipertensão pela nova regra, validada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
A partir de 14 por 9, o diagnóstico é de hipertensão arterial.
“Essas alterações seguiram uma mudança que já havia sido colocada em prática pela sociedade europeia de cardiologia em 2024 e é fundamental para reduzir os riscos de acidente vascular cerebral e de insuficiência renal, que estão intimamente ligados à hipertensão. A ideia é antecipar o início dos cuidados para controlar melhor a pressão arterial e evitar complicações.”, destaca o cardiologista Antônio Araújo de Castro, da Cardiodiagnóstico.
A medida se torna especialmente necessária quando se percebe o crescimento no ritmo de novos diagnósticos de pressão alta no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que o percentual de brasileiros hipertensos saltou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024.
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O Dia Mundial da Hipertensão, 17 de maio, tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre o tema, uma vez que os números relacionados à hipertensão no Brasil apresentam alta sustentada nas últimas duas décadas.
“Parte desse agravamento se deve ao consumo excessivo de sal, presente na maioria dos alimentos processados e no preparo cotidiano das refeições, tanto em casa quanto em restaurantes. O recomendado é limitar a ingestão a 4 gramas por dia”, recomenda Castro.
Principais causas e riscos
Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial, destacam-se:
- Tabagismo;
- Consumo de bebidas alcoólicas;
- Obesidade;
- Ingestão excessiva de sal;
- Altos níveis de colesterol;
- Falta de atividade física.
A prevalência de hipertensão é maior em pessoas negras, diabéticos e idosos. Além disso, a pressão alta é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e doença renal crônica.
Sintomas, tratamento e prevenção
Em geral, a hipertensão é uma doença silenciosa, o que pode tornar o quadro ainda mais perigoso, pois, enquanto o paciente não sente nada e não busca tratamento, seu organismo vai sofrendo os danos causados pela condição.
A hipertensão só costuma ser uma doença sintomática em casos de elevação extrema da pressão arterial. Entre os sinais mais comuns estão:
- Dores no peito;
- Dor de cabeça;
- Tontura;
- Zumbido no ouvido;
- Fraqueza;
- Visão embaçada;
- Sangramento nasal.
O tratamento envolve o acompanhamento médico regular, com prescrição de medicamentos e adoção de hábitos saudáveis. “Para combater os riscos da hipertensão, é fundamental seguir as orientações médicas, incluindo a prática de exercícios físicos e uma dieta equilibrada. São hábitos que devem fazer parte da rotina e que exigem um compromisso contínuo para serem efetivos. Associados a isso, o médico prescreverá a medicação anti-hipertensiva mais indicada, a partir da avaliação clínica”, explica o cardiologista André Cogo Dalmaschio, da Cardiodiagnóstico.
Dicas para prevenir a hipertensão
Para quem já recebeu o diagnóstico de hipertensão ou quer evitar que ela se desenvolva, algumas orientações são fundamentais.
- Pratique atividades físicas regularmente;
- Evite o cigarro e o consumo excessivo de álcool;
- Priorize alimentos ricos em fibras;
- Reduza o consumo de sal e gorduras na dieta;
- Cuide da saúde mental, pois o estresse também é um fator de risco.