A Vallourec começou as obras de uma nova linha de revestimento de tubos para petróleo na Serra. Segundo a multinacional francesa, a unidade será a primeira do mundo apta a produzir e aplicar em larga escala um isolamento térmico submarino criado pela ExxonMobil. A petroleira americana concedeu à Vallourec a primeira licença para usar e comercializar o sistema.
O projeto já nasce com cliente. Cerca de 90 quilômetros de tubulações vão receber o novo isolamento para Longtail, empreendimento da ExxonMobil na Guiana. A previsão é entregar os primeiros tubos no primeiro semestre de 2028. Ao mesmo tempo, o grupo mantém conversas com a Petrobras e negocia com outros possíveis compradores.
Como funciona a tecnologia da Vallourec na Serra
O sistema combina as resinas Proxxima, da ExxonMobil, com a tecnologia de isolamento GDLX. Na prática, o revestimento retarda a perda de calor do petróleo que corre dentro dos tubos no fundo do mar. Para ter ideia, o óleo sai a cerca de 50°C, mas a água em grandes profundidades fica perto de 3,5°C.
Quando a produção para de forma inesperada, esse frio pode solidificar parte do conteúdo e entupir a tubulação. Gustavo Pinheiro, gerente-geral de Operações da unidade, explica que o isolamento dá mais tempo para retomar o fluxo antes disso. Segundo a Vallourec, a aplicação na fábrica também é mais rápida do que a dos sistemas convencionais.
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A nova tecnologia não vai substituir os revestimentos que a unidade já produz. Ela se soma ao 3LPP, com três camadas de polipropileno contra corrosão e danos mecânicos. Também complementa o 5LPP, versão com camadas extras para maior proteção mecânica ou isolamento térmico. “Estamos aumentando a capacidade e diversificando o portfólio”, resume Paulo de Tarso Santos, gerente-geral de Vendas de Revestimento da Vallourec.
Guiana, Petrobras e Golfo do México no radar
A Vallourec anunciou em maio os pedidos da ExxonMobil para os projetos Hammerhead e Longtail, no bloco Stabroek, na Guiana. Juntos, os contratos somam mais de 145 quilômetros de tubos, cerca de 40 mil toneladas. Desse total, aproximadamente 90 quilômetros, o equivalente a 22 mil toneladas, vão receber o isolamento GDLX.
À CNN Brasil, o CEO global da Vallourec, Philippe Guillemot, disse que a linha não vai se limitar à Guiana. Segundo ele, a unidade poderá atender projetos da Petrobras, do Golfo do México e de outras áreas com exploração offshore. O executivo citou ainda negociações com outros compradores, mas não revelou nomes. Além disso, classificou a operação brasileira como a principal do grupo no mundo.
A relação com a Petrobras já existe. Hoje, a unidade da Vallourec na Serra reveste tubos para Búzios 10 e Atapu 2, projetos da estatal no pré-sal. Esses fornecimentos, porém, não usam a GDLX. Para a nova solução, o caminho é mais longo: a empresa confirma conversas, mas a tecnologia ainda depende de qualificação para entrar nos projetos da Petrobras. Outra frente de interesse é a Margem Equatorial, além de operações de petroleiras privadas.
Empregos e investimento na Serra
A Vallourec prevê abrir novos turnos de produção e aumentar a demanda por mão de obra. O número de vagas, por enquanto, segue em aberto. A CNN Brasil citou a expectativa de 200 empregos diretos. À imprensa capixaba, no entanto, a empresa disse que ainda calcula o total.
Antes do início da operação comercial, parte dos funcionários vai passar por treinamento nos Estados Unidos. Além da equipe própria, a companhia pretende contratar empresas locais para manutenção e fornecimento de serviços.
O grupo também não revelou o valor do investimento. De acordo com os executivos, o capital da expansão está em fase final de consolidação. Antes das entregas de 2028, a operação terá uma fase preliminar em meados de 2027, segundo a CNN Brasil.
Por que a Serra
Logística e experiência industrial explicam a escolha da Serra. A unidade fica perto de estruturas portuárias, como o Porto de Vitória. Também tem ligação com a produção de tubos do grupo em Minas Gerais. Dessa forma, a companhia integra fabricação, revestimento e embarque para clientes no exterior e projetos na costa brasileira.
A fábrica capixaba começou com revestimentos anticorrosivos e, depois, incorporou soluções de isolamento térmico. Em 2025, a compra da Thermotite do Brasil ampliou essa base. André Lacerda, vice-presidente da Vallourec na América do Sul, diz que o investimento confirma o peso do Brasil no grupo. Na avaliação dele, a expansão também reforça o compromisso de longo prazo com o Espírito Santo.
Agora, o desafio é cumprir o cronograma, preparar a equipe e converter o interesse de outras petroleiras em contratos. Se tudo sair como planejado, a Serra ganha mais espaço na cadeia do petróleo em águas profundas.